NÚMERO DE NASCIMENTOS NO BRASIL CAI 5,8% EM 2024 E PAÍS REGISTRA SEXTO RECUO CONSECUTIVO, APONTA IBGE

O Brasil registrou, em 2024, a maior redução no número de nascimentos em duas décadas, reforçando uma tendência contínua de queda na fecundidade e de envelhecimento da população.

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Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

10/12/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

O número de nascimentos no Brasil voltou a cair de maneira significativa em 2024. Conforme os dados divulgados pelo IBGE, essa redução não apenas consolida uma tendência já observada nos últimos anos, como também representa a maior queda registrada nos últimos 20 anos. Desse modo, com pouco mais de 2,38 milhões de nascidos vivos, o país apresentou 5,8% menos bebês em comparação com 2023, acumulando o sexto ano consecutivo de retração na natalidade.

Além disso, essa queda ultrapassa o recorde anterior, registrado entre 2015 e 2016, quando a redução havia sido de 5,1%. Portanto, os dados mais recentes evidenciam que o Brasil avança rapidamente para um cenário de fecundidade cada vez menor, fenômeno que acompanha o envelhecimento progressivo da população.

O que explica essa queda?

Fecundidade em declínio

Segundo a gerente da pesquisa, Klívia Brayner, os resultados reforçam um diagnóstico consistente: as mulheres brasileiras estão tendo menos filhos.

Além disso, como destaca a demógrafa Cíntia Simoes Agostinho, a redução dos nascimentos também acompanha a mudança etária da população. Como há menos mulheres em idade reprodutiva, torna-se natural, portanto, que o total de nascimentos diminua.

Quando ocorrem mais nascimentos?

Com base nas informações de mais de 8 mil cartórios, o IBGE identificou um padrão que vem se repetindo ao longo dos anos. Assim, os meses com maior número de nascimentos foram:

  • Março (215,5 mil)
  • Maio (214,5 mil)
  • Abril (214,1 mil)
  • Janeiro (201,7 mil)

Por outro lado, os meses com menos registros foram novembro (180,2 mil) e dezembro (183,4 mil).

Em termos médios, isso representa:

  • 198 mil nascimentos por mês
  • 6,6 mil por dia
  • 275 por hora
  • 4,5 por minuto

Esses números demonstram que, embora o volume total tenha caído, o comportamento sazonal permanece praticamente o mesmo.

Perfil das mães: idade média aumenta de forma consistente

Outro dado que reforça mudanças no comportamento reprodutivo das brasileiras é o aumento da idade das mães no momento do parto. Em 2004, 51,7% dos nascimentos eram de mulheres com até 24 anos. Já em 2024, essa proporção caiu para 34,6%, indicando uma tendência de postergação da maternidade.

Regiões com mais mães jovens (até 19 anos):

  • Acre (19,8%)
  • Amazonas (19,1%)
  • Maranhão (18,6%)
  • Pará (18,3%)

Regiões com mais mães acima de 30 anos:

  • Distrito Federal (49,8%)
  • Rio Grande do Sul (45,2%)
  • São Paulo (44,5%)

Essa mudança, portanto, reflete tanto transformações culturais quanto condições socioeconômicas cada vez mais presentes no país.

Registros tardios ainda revelam desigualdades

Embora o Brasil tenha avançado no registro civil, ainda persistem desafios importantes. Em 2024:

  • 88,5% dos nascimentos foram registrados dentro do prazo legal de 15 dias
  • 98,9% foram registrados em até 90 dias

Ainda assim, regiões como o Norte continuam apresentando índices maiores de atraso.

Além disso, o estudo mostra que 34,3% dos partos ocorreram em municípios diferentes do local de residência da mãe. Essa situação, mais comum em cidades pequenas, evidencia a busca por estruturas médicas mais adequadas em outras localidades.

Mortes aumentam e reforçam alerta demográfico

Enquanto os nascimentos diminuíram, o Brasil registrou um aumento de 4,6% no número de mortes em 2024, totalizando 1,51 milhão de óbitos. Dessa forma, o país interrompe a sequência de quedas observadas após o fim mais crítico da pandemia.

Além disso:

  • 7% dos óbitos ocorreram por causas não naturais
  • Homens seguem como maioria nessas mortes (85 mil)

Esse conjunto de dados, portanto, reforça o envelhecimento da população e a necessidade de revisão de políticas públicas voltadas para saúde e previdência.

Divórcios diminuem, mas guarda compartilhada cresce rapidamente

Em 2024, o Brasil registrou 428,3 mil divórcios, uma queda de 2,8% em relação ao ano anterior. Entretanto, apesar da redução no número de separações, houve um crescimento expressivo na guarda compartilhada, que agora é adotada em 44,6% dos casos.

Esse avanço, aliás, coincide com a legislação de 2014, que estabeleceu a guarda compartilhada como regra preferencial, contribuindo para uma transformação significativa na dinâmica familiar brasileira.

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