PECUÁRIA BRASILEIRA PODE CORTAR ATÉ 92% DAS EMISSÕES DE CARBONO, DIZ ESTUDO

Mesmo com aumento da produção de carne, setor caminha para se tornar aliado da agenda climática até 2050, aponta pesquisa da FGV e ABIEC.

PECUÁRIA

Reprodução: internet

08/12/2025 ◦ Por: Segismar Júnior

A pecuária brasileira, maior exportadora mundial de carne bovina, está dando passos importantes para se tornar protagonista na luta contra as mudanças climáticas. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), aponta que o setor pode reduzir em pelo menos 79,9% as emissões de CO₂ na produção de carne se mantiver o ritmo atual de adoção de práticas mais eficientes e de conversão de novas áreas para pastagem.

Divulgada durante a COP30, em Belém (PA), a pesquisa indica que essa redução pode chegar a 92,6% se forem aceleradas ações como a recuperação de pastagens degradadas e a adoção de práticas de pecuária regenerativa, considerando também a meta do governo brasileiro de zerar o desmatamento até 2030.

Mesmo com o crescimento da produção, as emissões líquidas, que levam em conta tanto o que é emitido quanto o que é removido, devem cair até 2050. No cenário de continuidade das práticas atuais, a queda seria de 60,7%. Já no mais otimista, a redução chegaria a 85,4%.

“Nosso objetivo foi entender o papel da pecuária na agenda climática e identificar as maiores oportunidades de mitigação”, afirma Camila Estevam, pesquisadora da FGV Agro. “Os resultados mostram que é possível aumentar a produção de carne e, ao mesmo tempo, avançar em uma trajetória consistente de descarbonização.”

O estudo analisou quatro cenários. No primeiro, mantendo as tendências atuais de uso da terra e produtividade, a emissão de carbono por quilo de carne cairia de 80 kg para 16,1 kg, uma redução de 79,9%. No segundo, incluindo o cumprimento da meta de zerar o desmatamento até 2030, a redução chegaria a 86,3%.

O terceiro cenário considera a implementação completa do Plano ABC+, que inclui recuperação de pastagens degradadas e sistemas integrados de lavoura e pecuária, elevando a descarbonização para 91,6%. Já o quarto cenário adiciona técnicas como aditivos alimentares para reduzir a fermentação entérica e o abate precoce, alcançando uma queda de 92,6% nas emissões de carbono.

Desde 1990, a pecuária brasileira já aumentou em 183% a produtividade e reduziu em 18% a área de pastagens, segundo a ABIEC, mostrando que crescimento e sustentabilidade podem andar juntos.

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