PECUÁRIA LEITEIRA ENFRENTA QUEDA DE PREÇOS E MARGENS NEGATIVAS EM 2025

Mesmo com custos relativamente estáveis, a rentabilidade caiu, e o mercado encerra o ano em modo defensivo, exigindo cautela para 2026

vacas

📷 Reprodução: Internet

30/12/2025 ◦ Por: Segismar Júnior

O setor de leite brasileiro começou 2025 com expectativas positivas, mas terminou o ano em alerta. A produção elevada, aliada a consumo interno fraco e importações em alta, pressionou os preços e resultou em margens negativas para os produtores.

Os produtores de leite, que ainda sentiam os efeitos das margens favoráveis registradas em 2024 e esperavam estabilidade e crescimento para o setor. Nos primeiros meses, houve reação nos preços e margens operacionais positivas, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, CEPEA.

No entanto, a partir de abril, o mercado iniciou uma trajetória de queda contínua, quebrando o padrão tradicional do setor, conhecido como “U invertido”, em que os preços sobem no início do ano, atingem pico no meio e caem no final. Em 2025, o litro de leite ao produtor ficou, em média, em R$ 2,65 entre janeiro e outubro, recuo real de 3,3% em relação ao mesmo período de 2024. No quarto trimestre, a queda acumulada superou 23%.

O principal fator para a desvalorização foi a oferta elevada. A produção nas fazendas cresceu cerca de 3,5% ao longo do ano, impulsionada por clima favorável e investimentos feitos ainda em 2024. A coleta formal das indústrias aumentou 7%, totalizando aproximadamente 27 bilhões de litros, o que ampliou a disponibilidade de leite no mercado e pressionou os preços ao produtor.

Mesmo com a produção interna crescendo, as importações continuaram fortes, somando cerca de 2,3 bilhões de litros em equivalente-leite, vindos principalmente da Argentina e do Uruguai, a preços mais baixos que os do mercado doméstico. Essa competição dificultou qualquer recuperação de valores internos.

No campo, os custos se mantiveram relativamente estáveis, mas a renda do produtor foi afetada. A relação de troca entre leite e milho deteriorou-se ao longo do ano, exigindo até 31 litros de leite para comprar uma saca de milho no último trimestre, o pior patamar de 2025, contribuindo para margens negativas em grande parte das regiões monitoradas pelo Cepea.

O consumo interno não apresentou recuperação significativa, e as exportações caíram mais de 30%, forçando o mercado doméstico a absorver quase toda a produção. Com oferta elevada, preços em queda e custos ainda altos, o setor encerra 2025 em alerta, e analistas indicam que ajustes gradativos serão necessários em 2026 para tentar recuperar a estabilidade e a previsibilidade da pecuária leiteira.

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