PF ACIONA INTERPOL PARA RASTREAR BENS DE DANIEL VORCARO NO EXTERIOR

Investigadores buscam imóveis, contas, empresas e outros ativos ligados ao empresário nos Estados Unidos, na Europa e em paraísos fiscais

53a34360-8227-11f1-926f-c90d1bcfbc84.png

Foto: Reprodução / Internet

18/07/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A Polícia Federal acionou a Interpol para tentar localizar bens e ativos atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro nos Estados Unidos, na Europa e em outros países.

A medida integra as investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o Banco Master.

Segundo investigadores ouvidos pela BBC News Brasil, a PF utilizou a chamada Silver Notice, ou Alerta Prata, ferramenta criada pela Interpol para auxiliar na identificação internacional de patrimônio ligado a pessoas investigadas ou condenadas por crimes financeiros.

Com isso, autoridades brasileiras esperam identificar imóveis, empresas, contas bancárias, fundos de investimento, aeronaves, embarcações e outros ativos relacionados ao empresário.

PF suspeita de patrimônio distribuído em vários países

A Polícia Federal suspeita que Vorcaro tenha distribuído parte do patrimônio em propriedades, empresas e fundos de investimento localizados em diferentes países, inclusive em paraísos fiscais.

Por isso, a solicitação encaminhada à Interpol pede que as autoridades estrangeiras informem a existência de bens registrados diretamente em nome do empresário ou vinculados a ele por meio de pessoas e empresas.

Até o momento, porém, os países acionados ainda não comunicaram quais ativos localizaram.

Caso os investigadores encontrem patrimônio de origem ilícita, as informações poderão fundamentar futuras decisões judiciais de bloqueio, confisco e repatriação.

Além disso, a PF teme que o empresário consiga vender propriedades ou transferir os bens para terceiros antes que as autoridades concluam o levantamento.

Colapso do Banco Master deixou impacto bilionário

O grupo comandado por Daniel Vorcaro reunia pelo menos três instituições financeiras.

Segundo as informações apresentadas na investigação, o colapso do conglomerado deixou um impacto estimado em R$ 52 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos.

Desde que assumiu o controle do Banco Master, em 2019, Vorcaro também passou a chamar atenção pelo padrão de vida luxuoso.

Documentos citados pela reportagem apontam festas milionárias no exterior, além de mansões em Brasília e apartamentos de alto padrão em São Paulo.

Em 2024, dados apresentados durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS indicaram que o empresário havia declarado um patrimônio de R$ 2,4 bilhões à Receita Federal.

No entanto, investigadores avaliam que o valor real dos bens ligados a Vorcaro pode superar essa quantia.

Mansão na Flórida está entre os bens investigados

Liquidantes responsáveis por empresas vinculadas ao grupo no exterior já teriam identificado propriedades atribuídas ao empresário nos Estados Unidos.

Entre elas está uma mansão avaliada em cerca de R$ 180 milhões, localizada na Flórida.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Henrique Vorcaro, pai do empresário e também investigado, teria tentado negociar a venda do imóvel.

O liquidante do banco identificou a suposta transação a partir de informações obtidas nos Estados Unidos.

Mesmo assim, a Polícia Federal ainda não possui um levantamento completo dos ativos mantidos fora do Brasil. Dessa forma, a cooperação com a Interpol busca reduzir essa lacuna.

Patrimônio teria dificultado acordo de colaboração

A localização dos bens também teria influenciado as negociações de um possível acordo de colaboração premiada entre Daniel Vorcaro, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

De acordo com investigadores, o empresário não teria apresentado informações suficientes sobre o destino de parte do patrimônio.

Por causa dessa resistência, as partes não chegaram a um consenso e o acordo não avançou.

A defesa de Vorcaro, por sua vez, não respondeu às perguntas enviadas pela BBC News Brasil sobre o acionamento da Interpol.

Justiça dos EUA autorizou buscas por ativos

O acionamento da Interpol representa a segunda frente de investigação internacional sobre os bens do empresário.

Em abril, a Justiça dos Estados Unidos já havia autorizado o liquidante do Banco Master a consultar instituições financeiras norte-americanas em busca de ativos vinculados a Vorcaro.

A decisão permitiu a procura por imóveis, recursos aplicados em fundos de investimento e obras de arte.

Agora, a Silver Notice amplia o alcance das buscas e permite a participação de autoridades policiais de diferentes países.

Operação começou em novembro de 2025

A Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero em 18 de novembro de 2025.

Naquela ocasião, os agentes prenderam Daniel Vorcaro pela primeira vez. No mesmo dia, o Banco Central anunciou a liquidação do Banco Master e de outras duas instituições financeiras ligadas ao grupo.

No fim daquele mês, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a soltura do empresário.

Posteriormente, em março de 2026, a PF voltou a prendê-lo durante a terceira fase da operação. Desde então, Vorcaro permanece em uma penitenciária de Brasília.

Investigação apura negociação com o BRB

Um dos principais pontos da investigação envolve a tentativa de venda de ativos do Banco Master para o Banco de Brasília, o BRB, em uma operação estimada em R$ 12 bilhões.

Segundo a Polícia Federal, o negócio teria como objetivo reduzir as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Master.

Entretanto, os investigadores suspeitam que o banco tenha tentado repassar ao BRB ativos supervalorizados ou sem lastro.

A operação também apura possíveis irregularidades na captação de recursos de Regimes Próprios de Previdência Social, responsáveis por administrar contribuições de servidores públicos estaduais e municipais.

A PF investiga se pessoas próximas ao empresário exerceram pressão política para direcionar esses investimentos ao Banco Master.

A defesa de Daniel Vorcaro nega a prática de crimes contra o sistema financeiro e outras irregularidades investigadas na operação.

Investigações alcançaram autoridades e parlamentares

Os desdobramentos do caso também passaram a analisar possíveis relações de Vorcaro com políticos e integrantes do Judiciário.

Reportagens e documentos mencionaram os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além dos senadores Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Flávio Bolsonaro.

Toffoli deixou a relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal em fevereiro e pediu a redistribuição do processo. O ministro negou ter recebido valores de Vorcaro ou de pessoas ligadas ao empresário.

Depois disso, o ministro André Mendonça assumiu a relatoria.

Já o Supremo afirmou que uma análise técnica não confirmou mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e negou que o ministro tenha tratado do Banco Master com o Banco Central.

Ciro Nogueira e Jaques Wagner também negam as suspeitas investigadas pela PF. Flávio Bolsonaro declarou que manteve uma relação exclusivamente comercial com Vorcaro.

Daniel Vorcaro permanece preso em Brasília, enquanto a Polícia Federal aguarda as respostas dos países acionados por meio da Interpol.

Para saber mais sobre as noticias do Brasil e do mundo basta acessar o Rede Fonte News

Você também vai gostar de ler