PNAD CONTÍNUA: DESEMPREGO CAI A 5,1% NO 4º TRIMESTRE E RECUA EM SEIS ESTADOS
PNAD: desemprego cai a 5,1% no 4º tri de 2025; taxa recua em seis estados. Informalidade fica em 37,6% e renda sobe a R$ 3.613.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
A PNAD Contínua Trimestral mostrou taxa de desocupação de 5,1% no 4º trimestre de 2025. Assim, o indicador recuou frente ao 3º trimestre (5,6%). Além disso, caiu 1,1 ponto percentual ante o 4º trimestre móvel de 2024 (6,2%).
Ao mesmo tempo, o resultado reforçou o cenário de melhora no mercado de trabalho. No entanto, os números também evidenciaram desigualdades por estado, sexo, raça e escolaridade.
Seis estados puxam o recuo na comparação trimestral
Na passagem do 3º para o 4º trimestre, a taxa de desocupação caiu em seis das 27 unidades da federação. Em seguida, o indicador ficou estável nas demais.
Veja onde o desemprego recuou:
- São Paulo: -0,5 p.p.
- Rio de Janeiro: -0,6 p.p.
- Pernambuco: -1,2 p.p.
- Distrito Federal: -1,2 p.p.
- Paraíba: -1,3 p.p.
- Ceará: -1,4 p.p.
Nordeste mantém as maiores taxas de desocupação
Apesar do recuo em alguns estados, a PNAD apontou taxas elevadas em parte do país. Assim, o desemprego ainda pesou mais em estados do Nordeste e do Norte.
As maiores taxas no 4º trimestre foram:
- Pernambuco: 8,8%
- Amapá: 8,4%
- Alagoas: 8,0%
- Bahia: 8,0%
- Piauí: 8,0%
Por outro lado, o levantamento mostrou os menores índices:
- Santa Catarina: 2,2%
- Espírito Santo: 2,4%
- Mato Grosso do Sul: 2,4%
- Mato Grosso: 2,4%
Diferença por sexo segue relevante
Além do recorte regional, a PNAD reforçou a diferença entre homens e mulheres. Dessa forma, o desemprego atingiu mais as mulheres no período.
- Homens: 4,2%
- Mulheres: 6,2%
Raça e cor: brancos abaixo da média; pretos e pardos acima
O recorte por cor ou raça também mostrou distância em relação à média nacional de 5,1%. Assim, os brancos ficaram abaixo do índice do país. Enquanto isso, pretos e pardos ficaram acima.
- Brancos: 4,0%
- Pretos: 6,1%
- Pardos: 5,9%
Escolaridade: ensino médio incompleto concentra maior desemprego
Quando a análise entra no nível de instrução, o contraste aumenta. Em especial, o desemprego ficou mais alto entre quem não concluiu o ensino médio.
- Ensino médio incompleto: 8,7%
- Superior incompleto: 5,6%
- Superior completo: 2,7%
Assim, o índice de quem tem superior incompleto ficou mais que o dobro do observado no superior completo.
Subutilização: Piauí lidera, e Santa Catarina volta a ter a menor taxa
Além do desemprego aberto, a PNAD mediu a taxa composta de subutilização. Esse indicador soma desocupados, subocupados por horas e força de trabalho potencial.
No 4º trimestre, a taxa do Brasil ficou em 13,4%. Ainda assim, alguns estados tiveram patamares bem mais altos.
As maiores taxas:
- Piauí: 27,8%
- Bahia: 25,4%
- Alagoas: 25,1%
As menores taxas:
- Santa Catarina: 4,4%
- Espírito Santo: 5,9%
- Mato Grosso: 6,1%
Desalento fica em 2,4%, mas estados do Nordeste e Norte concentram os maiores percentuais
O estudo também mediu o percentual de desalentados, ou seja, pessoas que desistiram de procurar trabalho.
No 4º trimestre, o percentual do Brasil ficou em 2,4%. Porém, alguns estados apareceram com níveis muito superiores.
Maiores percentuais:
- Maranhão: 9,1%
- Alagoas: 8,0%
- Piauí: 7,3%
Menores percentuais:
- Santa Catarina: 0,3%
- Rio Grande do Sul: 0,6%
- Mato Grosso do Sul: 0,6%
Carteira assinada: SC lidera; Maranhão tem o menor percentual
No setor privado, a PNAD mostrou o peso do emprego formal. Assim, no país, 74,4% dos empregados do setor privado tinham carteira assinada.
Maiores percentuais:
- Santa Catarina: 86,3%
- São Paulo: 82,2%
- Rio Grande do Sul: 81,5%
Menores percentuais:
- Maranhão: 52,5%
- Piauí: 54,3%
- Paraíba: 54,8%
Conta própria chega a 25,3% e cresce em estados do Norte e Nordeste
Enquanto isso, o trabalho por conta própria manteve participação alta. No 4º trimestre, 25,3% dos ocupados trabalhavam nessa condição.
Maiores percentuais:
- Maranhão: 34,0%
- Pará: 30,3%
Menores percentuais:
- Distrito Federal: 17,0%
- Acre: 18,8%
- Tocantins: 20,8%
Informalidade cai para 37,6%, mas segue acima de 50% em três estados
A PNAD também estimou a taxa de informalidade. No Brasil, ela ficou em 37,6% da população ocupada.
Maiores taxas:
- Maranhão: 57,3%
- Pará: 56,7%
- Amazonas: 51,6%
Menores taxas:
- Santa Catarina: 25,7%
- Distrito Federal: 27,1%
- São Paulo: 29,7%
Renda média sobe para R$ 3.613 e Norte e Sudeste crescem no trimestre
Além do emprego, a PNAD mostrou melhora na renda. No 4º trimestre, o rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.613.
Em seguida, o indicador avançou contra:
- 3º trimestre de 2025: R$ 3.527
- 4º trimestre de 2024: R$ 3.440
Na comparação entre 3º e 4º trimestre, houve alta estatisticamente significativa em:
- Norte: R$ 2.846
- Sudeste: R$ 4.033
Além disso, a massa de rendimento real chegou a R$ 367,551 bilhões. Assim, ela cresceu frente ao trimestre anterior e também ante 2024.
Desemprego de longo prazo recua e reforça o sinal de rotatividade
No 4º trimestre, o país registrou 1,1 milhão de pessoas procurando trabalho há dois anos ou mais. Esse total caiu 19,6% contra o mesmo trimestre de 2024.
Ao mesmo tempo, o contingente que buscava trabalho há menos de um mês também ficou em 1,1 milhão. Ainda assim, o número recuou 23,1% ante 2024.
Além disso, o IBGE destacou o menor nível histórico do desemprego de longo prazo. Nesse recorte:
- Há mais de dois anos: 1,074 milhão
- De um a menos de dois anos: 632 mil
Assim, a leitura sugere mais dinâmica no mercado de trabalho. Ou seja, mais gente sai de um posto e tenta entrar em outro, com busca mais rápida por recolocação.
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