PREÇO DA CARNE BOVINA DESACELERA, MAS ESPECIALISTAS ALERTAM PARA ALTA EM 2026
Produção recorde no Brasil reduz inflação no segundo semestre, mas especialistas alertam para aumento no próximo ano
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Após fortes altas no primeiro semestre, os preços da carne bovina começaram a perder força no segundo semestre de 2025, impulsionados por um volume recorde de abates no Brasil. Apesar da desaceleração, analistas apontam que a oferta menor de animais em 2026 pode pressionar novamente os valores no mercado interno.
Entre julho e setembro de 2025, o país registrou o maior número de abates para o período desde 1997, com 11,2 milhões de cabeças de gado. Entre os destaques, o abate de fêmeas superou o de machos pela primeira vez, ampliando a disponibilidade de carne. A inflação das carnes, que chegou a 23,6% em 12 meses até junho, caiu para 5% em novembro, refletindo o impacto dessa produção recorde.
Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, os altos preços atingiram o limite do orçamento das famílias, levando os consumidores a escolher proteínas mais acessíveis, como frango, ovos e embutidos. Ele acrescenta que, mesmo com tarifas impostas pelos Estados Unidos, a indústria conseguiu direcionar suas exportações para outros mercados, mantendo o fluxo intenso de vendas externas.
Para 2026, a expectativa é de alta nos preços, já que muitos pecuaristas devem reter fêmeas para reprodução, reduzindo a oferta de bovinos para abate. Além disso, as decisões da China, principal importadora da carne brasileira, podem impactar o mercado caso sejam impostas restrições à importação.
O cenário indica que, mesmo com desaceleração recente, os consumidores podem enfrentar aumentos nos preços da carne bovina no próximo ano, enquanto o país se consolida como maior produtor mundial do produto.