PRÉVIA DO PIB APONTA QUEDA DE 0,2% EM SETEMBRO E RECUO DE 0,9% NO 3º TRIMESTRE, DIZ BANCO CENTRAL

Com juros a 15% ao ano e atividade mais fraca, IBC-Br registra primeira contração mais forte em dois anos, mas ainda acumula alta de 2,6% em 2025

Banco-Central

Foto: Reprodução / Internet

17/11/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

A economia brasileira entrou em uma fase de desaceleração mais evidente no terceiro trimestre de 2025. Conforme o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a principal prévia do Produto Interno Bruto, a atividade econômica caiu 0,2% em setembro na comparação com agosto. Embora o resultado estivesse dentro do intervalo projetado pelo mercado, ele reforça a tendência de perda de ritmo que vem se consolidando desde o início do ano.

Além disso, quando se observa o desempenho entre julho e setembro, o IBC-Br mostra uma contração de 0,9% na comparação com o segundo trimestre, já descontados os efeitos sazonais. Assim, a economia registra o primeiro tombo mais acentuado em dois anos. A última retração relevante havia ocorrido no terceiro trimestre de 2023, com queda de 0,5%.

Apesar dessa piora recente, o indicador ainda aponta alta de 2,6% no acumulado do ano e expansão de 3% nos últimos 12 meses, o que demonstra um cenário de desaceleração, mas sem reversão completa do crescimento obtido anteriormente.

Setores recuam de forma generalizada no terceiro trimestre

Ao detalhar os números, o Banco Central identificou um recuo simultâneo nos três grandes setores da economia. A agropecuária registrou a maior queda, com retração de 4,5%, pressionada por fatores climáticos e menor demanda externa. Em seguida, a indústria caiu 1%, refletindo juros altos e crédito mais caro. Já o setor de serviços, que sustentou a expansão nos últimos anos, passou a registrar leve redução de 0,3%, indicando perda gradual de força.

Mesmo assim, quando se compara o terceiro trimestre de 2025 com o mesmo período de 2024, o indicador ainda revela crescimento de 1,1%, o que evidencia uma economia que avança, mas de forma bem mais lenta.

Juros elevados ajudam a explicar a desaceleração

A queda da atividade veio em um momento de Selic a 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. Com isso, o crédito ficou mais restrito, o consumo perdeu intensidade e os investimentos desaceleraram. Essa combinação, de acordo com o Banco Central, é necessária para conter pressões inflacionárias e ancorar expectativas dentro da meta de 3% ao ano.

Na ata mais recente do Copom, a autoridade monetária destacou uma “moderação gradual da atividade” e mencionou que o hiato do produto segue positivo, o que significa que a economia ainda opera acima do seu potencial, mesmo com a desaceleração. Esse comportamento, segundo analistas, reforça a compreensão de que o ciclo de cortes de juros só deve começar em janeiro de 2026.

Projeções para o PIB seguem apontando crescimento menor em 2025

Embora o IBC-Br tenha recuado no trimestre, o mercado financeiro continua projetando alta de 2,16% para o PIB em 2025, conforme o Boletim Focus. Caso a projeção se confirme, o desempenho ficará abaixo dos 3,4% de 2024, marcando a menor taxa de crescimento desde 2020, ano afetado pela pandemia.

Para 2026, o Focus prevê expansão de 1,78%, enquanto o Ministério da Fazenda trabalha com expectativa de 2,2% para 2025. A revisão para baixo do PIB, segundo a pasta, está associada à atividade mais fraca no terceiro trimestre e aos efeitos prolongados dos juros altos.

IBC-Br continua sendo referência para o ritmo da economia

O IBC-Br funciona como um termômetro do desempenho econômico e ajuda o Banco Central a avaliar decisões futuras sobre a Selic. Apesar disso, o indicador não substitui o PIB oficial, calculado pelo IBGE, que incorpora o lado da demanda, como consumo, investimentos e setor externo.

O resultado do PIB do terceiro trimestre será divulgado em 4 de dezembro, quando o cenário ficará mais claro diante da desaceleração atual.

Para saber mais sobre as noticias do Brasil e do mundo basta acessar o Rede Fonte News

Você também vai gostar de ler