PRODUÇÃO INDUSTRIAL RECUA 0,2% EM MAIO E INTERROMPE SEQUÊNCIA DE ALTAS

Resultado foi o primeiro negativo do ano e ficou abaixo das expectativas do mercado; derivados de petróleo e indústria extrativa puxaram queda

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Foto: Reprodução / Internet

03/07/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A produção industrial brasileira caiu 0,2% em maio na comparação com abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Com isso, o setor registrou o primeiro resultado negativo de 2026 e interrompeu uma sequência de quatro meses de crescimento.

Além disso, o desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado. Economistas consultados pela Reuters projetavam alta de 0,3% na comparação mensal.

Na comparação com maio de 2025, a indústria teve variação positiva de 0,2%. Já no acumulado do ano, o setor avançou 1,4%. Em 12 meses, a alta ficou em 0,4%.

Derivados de petróleo puxam queda

Na passagem de abril para maio, três das quatro grandes categorias econômicas e oito dos 25 ramos industriais pesquisados tiveram queda na produção.

As principais influências negativas vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com recuo de 6,1%, e das indústrias extrativas, que caíram 2,6%.

Além disso, produtos alimentícios recuaram 1,3%, enquanto produtos têxteis diminuíram 4%. Também houve queda em impressão e reprodução de gravações, com baixa de 8,1%, e em equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com retração de 2%.

Farmacêuticos e veículos avançam

Por outro lado, 16 atividades industriais registraram crescimento em maio.

O destaque positivo ficou com produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que avançaram 13,1% e interromperam uma sequência de quatro quedas.

Além disso, o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias cresceu 4,1% e chegou ao quinto mês seguido de expansão.

Também contribuíram positivamente os produtos químicos, com alta de 3,1%, a metalurgia, com avanço de 2,3%, e a confecção de artigos do vestuário e acessórios, com crescimento de 4,7%.

Bens duráveis foram único destaque positivo

Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis foram o único grupo com resultado positivo na comparação com abril.

O segmento avançou 3,6%, depois de ter recuado 3,1% no mês anterior.

Enquanto isso, os bens de consumo semi e não duráveis tiveram a maior queda, com baixa de 1,3%. Além disso, bens intermediários recuaram 0,4%, e bens de capital caíram 0,2%.

Indústria varia pouco na comparação anual

Em relação a maio de 2025, a produção industrial cresceu 0,2%.

Nesse recorte, oito dos 25 ramos industriais tiveram alta. As principais influências positivas vieram de derivados de petróleo e biocombustíveis, com avanço de 5,7%, indústrias extrativas, com alta de 3,1%, veículos automotores, com crescimento de 7,3%, e produtos farmacêuticos, com avanço de 13,2%.

No entanto, 17 atividades registraram queda na comparação anual. Os principais impactos negativos vieram de produtos alimentícios, que recuaram 3,7%, e de máquinas e equipamentos, com retração de 9,5%.

Bens de capital seguem em queda

Ainda na comparação com maio do ano passado, os bens de capital recuaram 6,7% e intensificaram a queda registrada em abril.

O desempenho negativo foi puxado principalmente pelos bens de capital agrícolas, que caíram 23,1%, e pelos bens de uso misto, com queda de 19,9%.

Por outro lado, os bens de consumo duráveis cresceram 1,5%, impulsionados pela maior produção de automóveis, motocicletas e eletrodomésticos.

Além disso, os bens intermediários avançaram 1,4% e marcaram a quinta taxa positiva consecutiva nesse tipo de comparação.

Acumulado do ano segue positivo

Apesar do recuo em maio, a indústria acumula alta de 1,4% nos cinco primeiros meses de 2026.

Nesse período, três das quatro grandes categorias econômicas registraram crescimento. Os bens intermediários avançaram 2,1%, enquanto os bens de consumo semi e não duráveis cresceram 1,5%. Já os bens de consumo duráveis tiveram alta de 0,6%.

Por outro lado, os bens de capital acumulam queda de 6,2% no ano.

Entre os ramos industriais, as principais contribuições positivas no acumulado vieram das indústrias extrativas, com avanço de 7,9%, e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com alta de 5,1%.

Já o setor de máquinas e equipamentos exerceu a maior pressão negativa no período, com queda acumulada de 8,8%.

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