RODRIGO PAZ É ELEITO PRESIDENTE DA BOLÍVIA E ENCERRA 20 ANOS DE GOVERNOS DE ESQUERDA

Centro-direita retorna ao poder após duas décadas; Paz promete reestruturar economia e cortar gastos públicos.

PAZ

📷 Reprodução: REUTERS/Adriano Machado

20/10/2025 ◦ Por: Segismar Júnior

O senador Rodrigo Paz, de centro-direita, foi eleito presidente da Bolívia em segundo turno, vencendo uma disputa inédita entre dois candidatos do campo conservador. A vitória marca uma mudança histórica no país, que estava sob governos de esquerda desde 2006.

Com 54% dos votos válidos, Paz superou o ex-presidente Jorge Quiroga, que obteve 45%, de acordo com os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Supremo Eleitoral, com mais de 97% das urnas apuradas.

Apoiadores do novo presidente celebraram o resultado nas ruas com bandeiras do Partido Democrata Cristão, legenda de Paz, nas cores verde, branca e vermelha.

Além da presidência, o partido de Rodrigo Paz também garantiu a maior bancada no Parlamento, consolidando sua força política. No entanto, será necessário diálogo com o grupo de Quiroga, que ficou com a segunda maior representação.

Aos 58 anos, economista de formação, Paz assume o governo em meio à pior crise econômica da Bolívia em mais de quatro décadas. Entre as principais propostas de seu plano de governo estão a descentralização administrativa, redução de impostos, corte na burocracia e um modelo que ele define como “capitalismo para todos”.

Paz também afirmou que, neste primeiro momento, não pretende recorrer a empréstimos internacionais. A prioridade será reestruturar as finanças públicas, com cortes de gastos, especialmente nos subsídios aos combustíveis, embora ele tenha prometido manter parte do benefício para setores considerados essenciais.

A economia boliviana enfrenta um cenário crítico. O Banco Mundial projeta recessão até pelo menos 2027 e a inflação anual já ultrapassa os 23%.

Filho do ex-presidente Jaime Paes Zamora, Rodrigo Paes será o terceiro membro da família a ocupar a presidência do país. A posse está marcada para o dia 8 de novembro.

Com sua eleição, a Bolívia encerra quase 20 anos de governos de esquerda, iniciados com Evo Morales. Esse período foi marcado pela nacionalização de recursos naturais, tensão diplomática com os Estados Unidos e aproximação com países como China, Rússia, Irã e aliados da esquerda latino-americana.

 

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