SAFRA DE CAFÉ DE 2026 PODE BATER RECORDE HISTÓRICO, PROJETA A CONAB

Conab projeta safra recorde de café em 2026, com 66,2 milhões de sacas, alta de 17%, impulsionada por clima favorável e bienalidade positiva.

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Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

05/02/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A primeira estimativa da produção brasileira de café em 2026 indica um cenário amplamente positivo para o setor. Segundo o 1º Levantamento da Safra divulgado nesta quinta-feira (5) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país pode colher 66,2 milhões de sacas beneficiadas, volume que representa crescimento de 17,1% em relação à safra de 2025. Caso o número se confirme, o Brasil alcançará um novo recorde da série histórica, superando a produção de 2020.

Além disso, o avanço ocorre em um ano de bienalidade positiva, fator fisiológico que naturalmente favorece a cultura do café, especialmente a variedade arábica.

Área maior, clima favorável e produtividade em alta impulsionam o resultado

De acordo com a Conab, a projeção reflete uma combinação de fatores. Em primeiro lugar, a área em produção cresceu 4,1%, alcançando cerca de 1,9 milhão de hectares em 2026. Ao mesmo tempo, o clima apresentou comportamento mais regular ao longo do ciclo da cultura, sobretudo nos meses que antecederam a floração.

Além disso, os produtores intensificaram o uso de tecnologias e boas práticas de manejo, o que elevou a produtividade média nacional. A estatal estima colheita de 34,2 sacas por hectare, alta de 12,4% na comparação com a safra anterior.

Produção de arábica lidera crescimento da safra

O café arábica, mais sensível à bienalidade, deve responder pela maior parte do avanço. A Conab projeta produção de 44,1 milhões de sacas, o que representa um aumento de 23,3% em relação ao ciclo passado.

Esse desempenho resulta, principalmente, da expansão da área produtiva, da recuperação fisiológica das plantas e das condições climáticas mais favoráveis registradas ao longo do desenvolvimento das lavouras.

Conilon também avança e pode estabelecer novo recorde

Enquanto isso, a produção de café conilon também segue em crescimento. Para 2026, a expectativa é de uma colheita de 22,1 milhões de sacas, alta de 6,4% frente a 2025. Assim como no arábica, o resultado reflete tanto o aumento da área em produção quanto o bom regime de chuvas observado até o momento.

Caso se confirme, esse volume pode representar novo recorde histórico para a variedade.

Minas Gerais mantém liderança na produção nacional

Entre os estados, Minas Gerais segue como principal produtor de café do país. A Conab estima que o estado deve colher 32,4 milhões de sacas em 2026. O bom desempenho decorre, sobretudo, da melhor distribuição das chuvas, especialmente no período pré-florada, além das condições fisiológicas favoráveis das lavouras de arábica.

Em São Paulo, a produção está projetada em 5,5 milhões de sacas, impulsionada pela bienalidade positiva e pela recuperação de áreas que sofreram impactos no ciclo anterior.

Bahia, Espírito Santo e Rondônia reforçam avanço do conilon

Na Bahia, a produção total de café deve alcançar 4,6 milhões de sacas, crescimento de 4%. Desse total, 1,2 milhão corresponde ao arábica, enquanto 3,4 milhões referem-se ao conilon.

Já o Espírito Santo, maior produtor de conilon do Brasil, deve colher 19 milhões de sacas, alta de 9% em relação a 2025. Somente o conilon responde por 14,9 milhões de sacas, mantendo o estado na liderança nacional da variedade. As boas precipitações no norte capixaba favoreceram diretamente esse resultado.

Em Rondônia, onde o cultivo é exclusivamente de conilon, a produção estimada chega a 2,7 milhões de sacas, crescimento expressivo de 18,3%. A renovação das lavouras com materiais clonais mais produtivos, aliada ao clima favorável desde o início do ciclo, sustenta o avanço.

Mercado global segue pressionado, apesar da safra maior

Mesmo com a expectativa de produção recorde no Brasil, os preços do café tendem a permanecer elevados. Em 2025, o país exportou 41,9 milhões de sacas, volume menor que o do ano anterior. Ainda assim, a receita alcançou US$ 16,1 bilhões, novo recorde histórico, impulsionado pela forte valorização dos preços internacionais.

Para 2026, o cenário global segue apertado. O consumo mundial continua em alta, enquanto os estoques globais permanecem nos menores níveis das últimas décadas. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda mantém o mercado sensível e sustenta a pressão sobre as cotações.

Safra robusta, mas atenção segue no mercado

Dessa forma, a primeira estimativa da Conab aponta para um ano histórico para a cafeicultura brasileira em 2026. A combinação entre bienalidade positiva, clima favorável e ganhos de produtividade cria um ambiente propício para recordes no campo. Ao mesmo tempo, o cenário internacional indica que, mesmo com maior oferta, o mercado seguirá atento ao comportamento da demanda e aos estoques globais.

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