SETEMBRO LILÁS ALERTA PARA O ALZHEIMER: INFORMAÇÃO QUE PODE SALVAR VIDAS

A previsão é que o número de pessoas com Alzheimer chegue a 5,7 milhões até 2050

Screenshot 2025-09-09 at 09-24-41 Alzheimer desafia famílias brasileiras e exige cuidados crescentes com pacientes e cuidadores - Doris Pinheiro

Divulgação/Internet

09/09/2025 ◦ Por: Ediana Pimenta

 

O Setembro Lilás é dedicado a chamar atenção para a doença de Alzheimer e outros tipos de demência, condições que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras, divulgado pelo Ministério da Saúde em 2024, aproximadamente 8,5% da população com 60 anos ou mais convivem com algum tipo de demência, o que corresponde a cerca de 1,8 milhão de pessoas no Brasil. A previsão é de que esse número chegue a 5,7 milhões até 2050.

A médica geriatra Maria Aparecida Bicalho, integrante da Comissão de Inovação em Doença de Alzheimer e Demências da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), explica que o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que se desenvolve de forma silenciosa ao longo de vários anos. Ela compromete a memória e outras funções cognitivas, além de provocar alterações de comportamento e personalidade.

A especialista destaca que, além da idade e dos fatores genéticos, principalmente o alelo ε4 da apolipoproteína E, o principal gene ligado à doença, existem 14 fatores de risco modificáveis, como baixo nível educacional, hipertensão, diabetes, colesterol LDL elevado, perda auditiva, depressão, traumatismos cranianos, sedentarismo, tabagismo, obesidade, consumo excessivo de álcool na meia-idade, isolamento social, poluição do ar e perda de visão. “Esses fatores combinados são responsáveis por 45% do risco de desenvolver demência. Outros aspectos, como alterações do sono, ainda estão sendo estudados”, complementa a médica.

Cuidados e acompanhamento

Além do tratamento medicamentoso, pacientes com Alzheimer precisam de apoio para realizar atividades do dia a dia, à medida que a doença avança. “No início, é importante supervisionar o uso de remédios, que podem causar efeitos adversos e descontrole das doenças de base. Com o tempo, essas tarefas devem ser assumidas por cuidadores ou familiares”, alerta médica

Algumas atividades, como dirigir ou exercer funções profissionais que exigem alto desempenho, devem ser evitadas. Outras tarefas, como fazer compras ou realizar atividades domésticas, podem continuar com o auxílio de familiares ou cuidadores. À medida que a doença progride, o paciente não deve permanecer sozinho em casa nem se deslocar sozinho para lugares distantes.

Nos estágios avançados, o paciente perde autonomia para atividades básicas, como tomar banho, usar o banheiro, levantar da cama, sentar-se ou se alimentar. Nessa fase, toda a rotina deve ser conduzida por um cuidador ou familiar. Alguns pacientes podem apresentar mudanças comportamentais, incluindo agressividade, alucinações, desorientação, alterações no sono e apetite, além de gritar ou agir de forma desinibida. “É fundamental lidar com essas situações com paciência e calma, sem confrontar o paciente. Não se trata de birra, mas sim de efeito da doença”, explica a geriatra.

Atenção aos cuidadores

Cuidar de pessoas com Alzheimer pode afetar a saúde física e emocional de familiares e cuidadores, causando ansiedade, depressão, fadiga e alterações no sono. Doutora Maria Aparecida enfatiza a importância de os cuidadores se revezarem, praticarem exercícios físicos, reservarem momentos de lazer e manterem hábitos saudáveis para garantir bem-estar e sono reparador.

No início da doença, os pacientes reconhecem lapsos de memória, mas, com o avanço, podem negar os déficits, acreditar que estão sendo roubados ou desconfiar da fidelidade do cônjuge. “Esses comportamentos não são normais da idade e devem ser avaliados por um médico geriatra, que pode realizar o diagnóstico correto e definir o plano de tratamento mais adequado, considerando estágio da doença, comorbidades, interações medicamentosas e fragilidade do idoso”, conclui a especialista.

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