SUPERÁVIT BRASILEIRO CRESCE 85,8% EM JANEIRO COM FORTE QUEDA DAS IMPORTAÇÕES
Superávit comercial do Brasil cresce 85,8% em janeiro, impulsionado pela forte queda das importações e menor demanda interna.
Foto: Reprodução / Internet
A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 4,343 bilhões em janeiro de 2026, resultado 85,8% superior ao observado no mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5) pela Secretaria de Comércio Exterior, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O avanço expressivo do saldo positivo ocorreu, sobretudo, por conta da forte retração das importações, em um cenário de menor ritmo da atividade econômica interna. Ao mesmo tempo, as exportações recuaram de forma mais moderada e mantiveram patamar historicamente elevado para o mês de janeiro.
Importações recuam quase 10% e puxam melhora do saldo
Em primeiro lugar, as importações caíram 9,8%, passando de US$ 23,06 bilhões em janeiro de 2025 para US$ 20,81 bilhões neste ano. Esse movimento respondeu diretamente pela expansão do superávit comercial no período.
Segundo o diretor de Planejamento e Inteligência Comercial do MDIC, Herlon Brandão, a queda reflete a menor demanda interna por bens importados, diante da expectativa de crescimento econômico mais moderado em 2026.
Além disso, Brandão destacou fatores sazonais, especialmente no agronegócio. De acordo com ele, mudanças no calendário das safras reduziram a necessidade de compras externas de insumos agrícolas no início do ano.
Bens intermediários e combustíveis lideram as quedas
Na abertura das importações, o recuo mais intenso apareceu nos bens intermediários, categoria que reúne produtos utilizados como insumo no processo produtivo. Nesse grupo, a queda chegou a 15%, com destaque para os combustíveis, que recuaram 21,5%.
Por outro lado, mesmo em um cenário de desaceleração, alguns segmentos mostraram crescimento. As importações de bens de capital avançaram 1,1%, enquanto as de bens de consumo subiram 11,9%, indicando recomposição pontual de estoques e demanda específica do varejo.
Exportações caem menos e seguem em nível elevado
Enquanto isso, as exportações brasileiras recuaram apenas 1,0% em janeiro, totalizando US$ 25,153 bilhões. Apesar da queda, o valor representa o terceiro maior resultado da história para o mês, atrás apenas dos números registrados em 2025 e no recorde de 2024.
Segundo Herlon Brandão, a base de comparação elevada explica o desempenho mais fraco em termos percentuais. Ainda assim, o resultado confirma a resiliência das vendas externas brasileiras no início de 2026.
Agropecuária sustenta embarques ao exterior
No recorte por setores, apenas a agropecuária registrou crescimento nas exportações, com alta de 2,1%, impulsionada principalmente pelos embarques de soja e milho.
Em contrapartida, a indústria extrativa apresentou queda de 3,4%, refletindo menores vendas de petróleo e minério de ferro. Já a indústria de transformação recuou 0,5%, acompanhando o menor dinamismo da economia global.
Vendas aos EUA despencam, enquanto China e Oriente Médio avançam
No recorte regional, as exportações brasileiras para a América do Norte caíram 18,2% em janeiro. Para os Estados Unidos, a retração foi ainda mais intensa, chegando a 25,5%, em meio aos efeitos do tarifaço imposto pelo governo Donald Trump.
Com isso, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu de 12,7% para 9,5% na comparação anual.
Em sentido oposto, as vendas para a China cresceram 17,4%, com acréscimo de cerca de US$ 1 bilhão. As exportações para a Índia avançaram 14,4%, enquanto os embarques ao Oriente Médio dispararam 31,6%.
Entre os destaques individuais, os Emirados Árabes Unidos mais que dobraram as compras de produtos brasileiros, com alta de 110,1%. Já os envios para o Iêmen cresceram 330,2%, e para o Irã, 21,4%.
Corrente de comércio encolhe com menor atividade econômica
Por fim, a corrente de comércio, que soma exportações e importações, alcançou US$ 46 bilhões em janeiro. O volume ficou 5,1% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, refletindo o impacto combinado da queda nas compras externas e do leve recuo das vendas ao exterior.
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