SUPERÁVIT COMERCIAL DO BRASIL CAI 13% EM NOVEMBRO APÓS SUSPENSÃO DAS TARIFAS DOS EUA SOBRE PRODUTOS AGRÍCOLAS

O superávit comercial do Brasil caiu 13% em novembro, pressionado pela alta das importações e pelo efeito ainda limitado do fim das tarifas dos EUA.

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Foto: Reprodução / Internet

05/12/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

O superávit comercial do Brasil diminuiu em novembro e, assim, consolidou um cenário de desaceleração ao longo de 2025. Conforme dados divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país alcançou US$ 5,8 bilhões de saldo positivo, o que representa uma queda de 13,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Ainda assim, o número superou ligeiramente a expectativa da pesquisa da Reuters, que estimava US$ 5,7 bilhões.

Exportações avançam, enquanto importações crescem em ritmo ainda maior

O comportamento da balança comercial de novembro revela um movimento que, pouco a pouco, ganhou força ao longo do ano. As exportações aumentaram 2,4%, totalizando US$ 28,5 bilhões. Entretanto, as importações cresceram 7,4%, somando US$ 22,7 bilhões. Como resultado, a diferença entre os dois fluxos diminuiu e reduziu o superávit mensal.

Ao analisar o acumulado de janeiro a novembro, o Brasil soma US$ 57,8 bilhões, o que significa uma redução de 16,8% em comparação ao mesmo período de 2024. Mesmo assim, tanto as exportações quanto as importações atingem, de maneira consistente, os maiores valores da série histórica iniciada em 1989, o que evidencia um comércio exterior aquecido, ainda que menos equilibrado.

Agropecuária dispara, enquanto a indústria extrativa encolhe

Os setores mostram trajetórias diferentes. A agropecuária, por exemplo, cresceu 25,8%, impulsionada principalmente pela forte demanda internacional por soja, que avançou 64,6% no valor exportado. Logo depois, a indústria de transformação também ampliou suas vendas externas, crescendo 3,7%.

Por outro lado, a indústria extrativa recuou 14%, sobretudo por causa da volatilidade do petróleo.

Nas importações, a tendência segue diversificada:

  • A indústria de transformação aumentou 9,3%;
  • A indústria extrativa caiu 18,1%;
  • A agropecuária recuou 5,4%.

Esses movimentos ajudam a explicar, portanto, por que o saldo comercial perdeu intensidade em 2025.

China impulsiona embarques, enquanto EUA ensaiam recuperação após o fim das tarifas

O comércio com os principais parceiros comerciais também apresentou direções distintas. A China ampliou suas compras em 41%, sustentando praticamente todo o crescimento das exportações no mês.

Os Estados Unidos, entretanto, continuam demonstrando fraqueza. Embora o recuo tenha sido menor 28,1%, contra 37% em outubro  as exportações brasileiras para o mercado americano seguem pressionadas.

Esse enfraquecimento ocorre apesar da decisão de Donald Trump, no dia 20 de novembro, de encerrar as tarifas de 40% impostas desde agosto sobre carne bovina, café e outros produtos agrícolas. Mesmo assim, conforme explicou o diretor Herlon Brandão, ainda é cedo para identificar o impacto dessa suspensão nos números de novembro. Ele prevê que os efeitos apareçam “nos próximos meses”, à medida que os contratos se ajustam.

Entre os produtos que mais perderam espaço nos EUA aparecem:

  • Óleos brutos de petróleo (–65,6%);
  • Carne bovina (–58,6%);
  • Café não torrado (–55,6%);
  • Sucos de frutas (–40,1%);
  • Celulose (–31,4%).

Esses resultados ilustram, portanto, que a normalização do comércio agrícola entre Brasil e EUA deve ocorrer gradualmente.

Recordes mensais e perspectivas para o encerramento de 2025

Apesar da queda no superávit, novembro registrou um feito importante: tanto exportações quanto importações atingiram níveis recordes para o mês. Esse comportamento reforça a força do comércio exterior brasileiro, embora evidencie um ano menos favorável para o saldo total.

Economistas projetam que o superávit de 2025 encerre o ano entre US$ 61,5 bilhões e US$ 63 bilhões, faixa considerada robusta, ainda que inferior ao recorde de 2024 (US$ 74,2 bilhões). Isso ocorre porque, ao longo do ano, as importações cresceram 7,2%, superando de forma consistente o ritmo das exportações, que avançaram 1,8%.

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