THE ECONOMIST: PRIVILÉGIOS E “PENDURICALHOS” DO SETOR PÚBLICO PESAM NA ECONOMIA BRASILEIRA

Projeção indica forte alta da dívida pública na próxima década, enquanto análise internacional aponta peso das aposentadorias e de benefícios do setor público como entraves ao crescimento

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📷 Reprodução: internet

19/02/2026 ◦ Por: Segismar Júnior

A dívida pública bruta do Brasil deve atingir 99% do Produto Interno Bruto em 2030, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional. Em 2010, o índice estava em 62% do PIB. A trajetória de alta reacende o debate sobre sustentabilidade fiscal e necessidade de reformas estruturais.

Em análise recente, a revista britânica The Economist avalia que os desafios da economia brasileira vão além do aumento de gastos sociais. Para a publicação, o crescimento do país estaria limitado por interesses consolidados dentro do próprio Estado, especialmente no que chama de distorções e privilégios no setor público.

O texto destaca que as despesas com aposentadorias representam um dos principais focos de pressão. Embora o Brasil ainda tenha uma população relativamente jovem, os gastos previdenciários giram em torno de 9% do PIB, patamar semelhante ao de países com perfil demográfico mais envelhecido, como o Japão, e próximo da média da OCDE. A projeção é que esse percentual ultrapasse 12% nas próximas duas décadas e meia.

Mesmo após a reforma da Previdência aprovada em 2019, que instituiu idade mínima para aposentadoria, a revista aponta que o sistema ainda concentra recursos significativos em determinadas categorias do funcionalismo. Hoje, o Brasil tem cerca de 40 milhões de trabalhadores no setor privado e aproximadamente 13 milhões de servidores públicos. Ainda assim, os gastos com aposentadorias dos dois grupos são praticamente equivalentes.

A análise também chama atenção para o custo do Judiciário, estimado em 1,3% do PIB, um dos mais elevados do mundo. Além disso, decisões judiciais determinariam anualmente pagamentos que somam o equivalente a 2,5% do PIB em pensões e benefícios. Outro ponto mencionado é o regime dos militares, que se aposentam, em média, aos 55 anos, com remuneração integral.

Em entrevista à revista, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga afirmou que, embora se considere um liberal clássico, não vê cortes em saúde e educação como prioridade no caso brasileiro. Para ele, o foco deveria estar em distorções estruturais que comprometem o equilíbrio fiscal.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, também defendeu reformas amplas, especialmente na Previdência. Segundo ele, não é possível manter benefícios elevados para categorias específicas enquanto se restringem direitos do cidadão comum.

A reportagem ressalta ainda que o novo arcabouço fiscal, criado para controlar o déficit primário e sinalizar compromisso com o equilíbrio das contas públicas, não foi suficiente para restaurar plenamente a confiança do mercado. De acordo com a análise, a incerteza fiscal pode reduzir o crescimento do país entre meio e um ponto percentual ao ano, o que significaria perdas acumuladas de até US$ 250 bilhões na próxima década caso não haja mudanças.

Para a publicação britânica, o futuro econômico do Brasil dependerá da disposição do Congresso eleito de enfrentar grupos organizados e promover reformas consideradas politicamente sensíveis. Sem isso, o risco apontado é de estagnação prolongada e agravamento da crise fiscal.

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