URUÇU-CAPIXABA: ABELHA SEM FERRÃO DO ESPÍRITO SANTO ESTÁ AMEAÇADA DE EXTINÇÃO
Espécie endêmica da Mata Atlântica é essencial para a polinização de plantas nativas e lavouras como café, mas desmatamento, agrotóxicos e comércio ilegal colocam sua sobrevivência em risco
📷 Reprodução: Patrick Pleul/Getty
Exclusiva das áreas montanhosas do Espírito Santo, entre 800 e 1.200 metros de altitude, a uruçu-capixaba, também chamada de uruçu-negra, enfrenta risco de extinção. A espécie sem ferrão, fundamental para a polinização de plantas nativas e cultivos como o café, vem desaparecendo de regiões onde antes era abundante.
Pesquisadores apontam que a perda de habitat, o avanço de espécies exóticas, o uso de agrotóxicos e o comércio ilegal de colmeias ameaçam diretamente a população dessa abelha. A uruçu-capixaba depende de florestas altas e antigas da Mata Atlântica e realiza um comportamento único, chamado de “tremedeira”, que aumenta a eficiência da polinização.
Segundo o pesquisador Helder Canto, da Universidade Federal de Viçosa, “a polinização garante a sobrevivência das florestas. Sem a abelha, não há sementes, não há frutos, não há vida. Ela participa da interdependência de toda a natureza”.
Estudos indicam que até 90% das espécies vegetais brasileiras dependem de abelhas para se reproduzir. A uruçu-capixaba já foi registrada em 12 municípios capixabas, principalmente na Região Serrana, em áreas como a Reserva Ambiental Águia Branca, em Vargem Alta, onde colmeias raras são monitoradas.
A conservação da espécie é considerada urgente para proteger a biodiversidade do Espírito Santo e manter a produtividade de lavouras que dependem de polinizadores nativos.