VOLTA ÀS AULAS: COMO A NOVA ROTINA INFLUENCIA OS HORMÔNIOS E O CRESCIMENTO DAS CRIANÇAS

Reorganizar o ritmo biológico é fundamental para evitar impactos no desenvolvimento infantil

Screenshot 2026-01-15 at 08-32-30 Volta às Aulas como preparar as crianças para a nova rotina - Blog Büp Baby
15/01/2026 ◦ Por: Ediana Pimenta

O término das férias escolares costuma ser marcado pela correria com materiais e uniformes, mas uma mudança essencial acontece dentro do organismo das crianças: o reajuste do relógio biológico. A endocrinologista pediátrica Marília Barbosa chama atenção para o fato de que uma transição mal conduzida da rotina de descanso para a rotina escolar pode desencadear o chamado jet lag social, um desequilíbrio hormonal capaz de impactar o metabolismo, o crescimento e o comportamento infantil.

De acordo com a especialista, mudanças bruscas nos horários de dormir e acordar comprometem o funcionamento do ciclo circadiano, responsável por regular os períodos de vigília e repouso do organismo. Um dos principais pontos de alerta está na qualidade do sono profundo. É durante a fase mais restauradora do descanso, conhecida como estágio NREM 3, que ocorre o pico de liberação do Hormônio do Crescimento (GH).

“Quando a criança passa as férias dormindo muito tarde e, de forma abrupta, precisa acordar cedo, perde horas importantes de produção hormonal. Se esse padrão se mantém ao longo do período letivo, pode haver prejuízos no potencial de crescimento em estatura”, explica a médica.

A desorganização dos horários também interfere em outros dois hormônios fundamentais: a leptina, responsável pela sensação de saciedade, e a grelina, que estimula o apetite. “O sono insuficiente eleva os níveis de grelina e reduz os de leptina. Como consequência, a criança tende a buscar alimentos mais calóricos e ricos em carboidratos simples, aumentando o risco de ganho de peso e de resistência à insulina logo no início do ano”, alerta a endocrinologista pediátrica Marília Barbosa.

Essa adaptação gradual é essencial para evitar o chamado estresse biológico. Alterações repentinas na rotina podem elevar a produção matinal de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, favorecendo quadros de irritabilidade, ansiedade escolar e até queda da imunidade.

A especialista também destaca o uso excessivo de telas durante as férias como um fator prejudicial frequentemente subestimado. A luz azul emitida por celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos interfere na produção de melatonina, hormônio responsável por induzir o sono. Por isso, a orientação é reforçar a chamada “higiene do sono” nos dias que antecedem o retorno às aulas, com a suspensão do uso de eletrônicos entre 60 e 90 minutos antes de dormir.

Para facilitar essa transição e reduzir impactos físicos e emocionais, a endocrinologista pediátrica recomenda algumas estratégias:

Antecipação gradual: não deixe para o último dia. Ajuste o horário de dormir aos poucos, antecipando cerca de 20 minutos por noite até alcançar o horário ideal.

Exposição ao sol pela manhã: a luz natural ajuda a regular o ciclo circadiano e favorece a produção adequada de melatonina à noite.

Café da manhã equilibrado: retomar uma refeição matinal com boa oferta de proteínas contribui para estabilizar a glicemia e fornecer energia ao cérebro.

Observação dos sinais: sonolência excessiva, olheiras persistentes ou falta de apetite no café da manhã podem indicar que a adaptação hormonal não está ocorrendo de forma adequada.

O início do ano letivo também é um momento oportuno para avaliar o crescimento e o desenvolvimento puberal da criança. “Muitas vezes, é nesse período que os pais percebem que o filho não cresceu como esperado ou apresenta sinais de puberdade precoce. A avaliação do endocrinologista pediátrico nesse momento é preventiva e fundamental”, conclui a médica Marília Barbosa.

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