AUMENTO DE CASOS DE SÍNDROME RESPIRATÓRIA GRAVE ACENDE ALERTA NO BRASIL
O vírus sincicial respiratório (VSR) causa cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de 2 anos
📷: Tony Winston/Agência Brasília
O Brasil segue registrando crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionado pela maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), aponta o mais recente boletim InfoGripe, da Fiocruz. O VSR lidera as infecções respiratórias, enquanto a influenza responde pela maior parte dos óbitos.
O vírus sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por aproximadamente 40% dos quadros de pneumonia em crianças com menos de dois anos. Apesar do impacto maior em bebês, adultos e idosos também estão entre os grupos de risco, especialmente aqueles com doenças crônicas como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), problemas cardiovasculares e diabetes.
Em Porto Alegre, o avanço da doença já pressiona a rede de saúde. Em apenas um mês, os atendimentos nas unidades básicas cresceram quase 20%, o que representa mais de 33 mil consultas acima do previsto.
O levantamento da Fiocruz indica que os casos de SRAG associados ao VSR seguem em alta em grande parte do país, com destaque para a região Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de estados do Sudeste como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Também há aumento em unidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, como Amapá, Pará, Roraima, Alagoas, Ceará, Maranhão e Mato Grosso do Sul.
O cenário reforça a atenção redobrada para o período de outono e inverno, quando a circulação de vírus respiratórios tende a crescer.
Vacinação em gestantes e proteção dos bebês
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A estratégia tem como objetivo proteger os recém-nascidos, por meio da transferência de anticorpos da mãe para o bebê ainda durante a gestação.
Segundo o infectologista Clóvis Arns, essa proteção é fundamental nos primeiros meses de vida, fase em que o vírus pode provocar quadros graves como bronquiolite, pneumonia e necessidade de internação. Bebês prematuros e crianças com comorbidades também podem receber o nirsevimabe, imunizante que amplia a proteção contra o VSR.
Vacinas para adultos na rede privada
Para adultos, há duas vacinas disponíveis na rede privada, indicadas principalmente para idosos e pessoas a partir dos 18 anos com comorbidades, especialmente doenças cardíacas e pulmonares.
Uma das vacinas contém adjuvante, substância que reforça a resposta do sistema imunológico. De acordo com Clóvis Arns, esse imunizante pode oferecer proteção por pelo menos três anos, um avanço em comparação com vacinas como as da gripe e da covid-19, cuja duração média é menor.
O especialista compara o adjuvante a um “amplificador” da resposta imunológica. Ele reforça que mesmo quem já teve VSR deve se vacinar, já que a infecção não garante imunidade duradoura e reinfecções são comuns ao longo da vida.
Risco maior em idosos e pessoas com doenças crônicas
Embora seja frequentemente associado a crianças, o VSR também pode causar complicações graves em adultos vulneráveis. Os principais grupos de risco são idosos, especialmente acima de 65 anos, pacientes com DPOC e pessoas com doenças cardiovasculares.
Nesses casos, a infecção pode evoluir para pneumonia grave, necessidade de oxigênio, internação hospitalar, UTI e até óbito. O risco aumenta com a idade devido à imunossenescência, processo natural de envelhecimento do sistema imunológico.
Sintomas podem se confundir com gripe
Os sintomas do VSR são semelhantes aos de outras infecções respiratórias, como gripe e resfriado: dor de garganta, tosse, coriza, dores no corpo e febre. Por isso, o diagnóstico preciso só pode ser feito por exames laboratoriais, como testes de swab nasal ou PCR.
A identificação correta do vírus é importante especialmente em idosos, já que há tratamento antiviral específico para influenza, como o oseltamivir (Tamiflu). No entanto, ainda não existe antiviral eficaz disponível contra o VSR.
Predomínio do VSR entre infecções respiratórias
Segundo o InfoGripe, nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a distribuição dos vírus entre os casos positivos foi a seguinte:
- VSR: 53,1%
- Influenza A: 16,4%
- Influenza B: 7,9%
- Rinovírus: 23,9%
- Covid-19: 2%
Entre os óbitos, a participação dos vírus foi:
- Influenza A: 38,3%
- Rinovírus: 21,6%
- VSR: 20,9%
- Influenza B: 12,6%
- Covid-19: 7,5%
Prevenção continua sendo fundamental
Especialistas reforçam que medidas simples ajudam a reduzir a transmissão dos vírus respiratórios. Pessoas com sintomas devem, sempre que possível, permanecer em casa. Quando não for possível, o uso de máscara é recomendado.
Também são medidas importantes a higienização frequente das mãos, a etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar e a evitação de contato com idosos e pessoas com doenças crônicas durante quadros de virose.
Segundo o infectologista Clóvis Arns, um quadro leve em pessoas jovens pode representar risco significativo para idosos e pacientes com doenças cardíacas ou pulmonares.