PRODUÇÃO BRASILEIRA DE ARROZ DEVE CAIR MAIS DE 12% NA SAFRA 2025/2026, APONTA CONAB
Produção de arroz no Brasil deve cair 12,4% na safra 2025/2026, segundo a Conab. Redução da área plantada pressiona o cereal, enquanto a soja pode bater novo recorde
Foto: Reprodução / Internet
A produção brasileira de arroz deve registrar uma queda expressiva na safra 2025/2026. De acordo com o terceiro levantamento da safra de grãos, divulgado na última quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve colher 11,2 milhões de toneladas do cereal, volume 12,4% menor em relação ao ciclo anterior.
Esse recuo ocorre, principalmente, por causa das atuais condições de mercado, que levaram produtores a reduzir a área destinada ao cultivo. Como resultado, o país deve plantar 1,62 milhão de hectares de arroz nesta safra, número inferior ao registrado no ano passado.
Menor área cultivada explica queda na produção
No Rio Grande do Sul, maior produtor de arroz do Brasil, os agricultores já semearam 98% da área prevista. Em Santa Catarina, outro estado de destaque na cultura, o plantio foi concluído. Ainda assim, mesmo com o avanço das lavouras, a redução da área total impacta diretamente o volume final da produção nacional.
Dessa forma, embora o plantio avance dentro do calendário esperado, o país deve colher menos arroz nesta temporada. A Conab ressalta, no entanto, que a oferta ainda deve atender à demanda interna.
Safra de grãos cresce, apesar da queda na produtividade
Enquanto o arroz enfrenta retração, a produção total de grãos segue em trajetória positiva. Segundo a Conab, a safra 2025/2026 deve alcançar 354,4 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 0,6% em relação ao ciclo anterior.
Esse avanço resulta, sobretudo, do aumento de 3% na área semeada, que passou de 81,7 milhões para 84,2 milhões de hectares. Por outro lado, a produtividade média nacional caiu, saindo de 4.310 para 4.210 quilos por hectare, o que limitou um crescimento mais robusto da produção.
Soja mantém protagonismo e pode bater novo recorde
Na sequência, a soja segue como principal motor do agronegócio brasileiro. A Conab estima que a área cultivada chegue a 48,9 milhões de hectares, com produção prevista de 177,1 milhões de toneladas, alta de 3,3% sobre a safra anterior. Caso o número se confirme, o país alcançará um novo recorde histórico.
Atualmente, o plantio já cobre 90,3% da área prevista. No Mato Grosso, maior produtor nacional, os agricultores já concluíram a semeadura. Além disso, após um início irregular das chuvas em algumas regiões, as precipitações se normalizaram, permitindo avanço consistente dos trabalhos de campo.
Milho e feijão seguem com cenário de estabilidade
No caso do milho, a produção total das três safras deve atingir 138,9 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 1,5% em comparação com o ciclo anterior. Ainda assim, a primeira safra apresenta desempenho positivo, com produção estimada em 25,9 milhões de toneladas, crescimento de 3,9%.
Já o feijão deve manter estabilidade. A produção total deve ficar próxima de 3 milhões de toneladas, volume semelhante ao do ano passado. Segundo a Conab, esse patamar garante o abastecimento interno e evita riscos à oferta do produto.
Trigo encerra colheita com leve avanço
Entre as culturas de inverno, o trigo entra na fase final de colheita. Cerca de 98% da área já foi colhida, com produção estimada em 8 milhões de toneladas, crescimento de 0,9% frente à safra anterior. Ao longo do ciclo, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento da cultura, apesar de problemas pontuais em algumas regiões.
Exportações seguem em ritmo forte
No mercado externo, a Conab manteve praticamente estáveis as projeções de suprimento da safra 2024/25. Ainda assim, o órgão ajustou para cima a estimativa de exportações, que devem chegar a 106,97 milhões de toneladas até o fim de 2025.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, entre janeiro e novembro, o Brasil exportou 104,79 milhões de toneladas de soja, volume recorde. Com isso, as vendas externas já renderam US$ 42 bilhões ao país.
Arroz enfrenta momento delicado para produtores
Apesar do cenário positivo para a maior parte das culturas, o setor do arroz vive um momento mais sensível. Após uma safra cheia no ciclo anterior, os preços pagos ao produtor caíram de forma significativa. Em alguns casos, os valores ficaram abaixo dos custos de produção, o que pressionou a rentabilidade e contribuiu para a redução da área plantada nesta temporada.
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