PESQUISA IDENTIFICA URNAS ELETRÔNICAS COMO FOCO CENTRAL DA DESINFORMAÇÃO ELEITORAL

As urnas eletrônicas completaram 30 anos no Brasil em meio ao crescimento da desinformação sobre as eleições

Screenshot 2026-05-14 at 08-24-40 Mais de 45% das fake news sobre eleições miram as urnas eletrônicas aponta pesquisa

reprodução/Internet

14/05/2026 ◦ Por: Ediana Pimenta

Nesta quarta-feira (13), as urnas eletrônicas completaram 30 anos no Brasil em meio ao avanço da desinformação e à disseminação de conteúdos falsos sobre o sistema de votação

Um levantamento realizado pelo Projeto Confia, iniciativa ligada ao Pacto pela Democracia, aponta que mais de 45% das notícias falsas relacionadas às eleições e compartilhadas nos últimos ciclos eleitorais estavam associadas ao funcionamento das urnas eletrônicas.

Na sequência aparecem conteúdos voltados contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades, representando 27,1% dos casos; teorias envolvendo supostas fraudes na contagem dos votos, com 21,8%; e desinformações ligadas às regras eleitorais e à logística do processo, com 15,4%.

Entre os boatos mais disseminados estão mensagens que alegavam a existência de atraso no botão “confirma” e afirmações falsas de que a urna completaria automaticamente os números escolhidos pelo eleitor.

De acordo com Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, esse tipo de conteúdo aproveita a falta de conhecimento técnico de parte da população sobre o funcionamento do sistema eleitoral eletrônico.

“As narrativas utilizam falsas explicações técnicas para levantar suspeitas sobre falhas e possíveis manipulações. Elementos presentes na experiência de votação, como teclas e mensagens exibidas na tela, acabam sendo usados para provocar estranhamento e gerar dúvidas”, afirmou.

Para Helena, o pouco contato da população com a tecnologia contribui para o fortalecimento desse cenário.

“As pessoas têm acesso à urna apenas a cada dois anos, no dia da votação. Isso faz com que, quando uma informação falsa sobre alguma tecla ou botão começa a circular, muitos eleitores não tenham meios imediatos para verificar se aquilo é verdadeiro”, explicou.

Segundo a coordenadora, o estudo buscou compreender as razões por trás da desconfiança em relação ao processo eleitoral e criar estratégias de enfrentamento à desinformação para as eleições de 2026.

“A intenção era entender exatamente quais aspectos do sistema eleitoral deixaram de gerar confiança na população. Os dados mostram que a maior parte das informações falsas está concentrada nas urnas eletrônicas. O objetivo agora é chegar a 2026 preparados para construir respostas rápidas e fortalecer ações de combate à desinformação”, destacou.

O estudo analisou mais de 3 mil conteúdos publicados durante os processos eleitorais de 2022 e 2024. Desse total, 716 foram escolhidos para uma análise mais aprofundada. Entre eles, 326 mensagens — mais de 45% da amostra — continham ataques relacionados às urnas eletrônicas.

O Pacto pela Democracia reúne mais de 200 organizações da sociedade civil e atua na defesa do Estado Democrático de Direito, no monitoramento de riscos à democracia e no enfrentamento à desinformação eleitoral.

Confiança

Pesquisa Quaest divulgada em fevereiro deste ano aponta que 53% dos brasileiros afirmam confiar nas urnas eletrônicas. Em 2022, um levantamento do Datafolha apresentado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrava índice de confiança de 82%.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, 53% dizem confiar no sistema. Segundo pesquisadores, esse resultado pode estar relacionado à memória do período em que a votação ainda era realizada em cédulas de papel, antes de 1996.

Já entre jovens de 16 a 34 anos, a confiança chega a 57%. Por outro lado, entre pessoas de 35 a 50 anos, metade afirma não confiar nas urnas eletrônicas.

“Ninguém critica as urnas apenas dizendo que elas são ruins. Existem explicações bastante elaboradas circulando no ambiente digital para convencer as pessoas de que o sistema apresenta falhas. Isso reforça a importância de tornar mais claro o percurso do voto, desde o momento em que o eleitor aperta uma tecla até a etapa final da totalização”, conclui Helena Salvador.

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