QUASE 30% DOS CURSOS DE MEDICINA SÃO MAL AVALIADOS E PODEM SER PUNIDOS
Mais de 100 cursos de medicina podem sofrer sanções após desempenho ruim no Enamed
📷 Reprodução Internet
Os dados mais recentes do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed 2025) acenderam um sinal de alerta sobre a qualidade da formação médica no Brasil. O levantamento mostra que 30% dos estudantes concluintes de medicina, o equivalente a cerca de 13 mil formandos, obtiveram desempenho abaixo da nota mínima considerada adequada pelo Ministério da Educação (MEC).
Ao todo, o Enamed avaliou 350 cursos de medicina distribuídos por todas as unidades da federação. Apenas 49 cursos conquistaram conceito 5, a pontuação máxima do exame, sendo que 84% deles pertencem a universidades públicas.
Em contrapartida, 107 faculdades receberam conceitos 1 ou 2, classificados como “crítico” e “insuficiente”. Esses resultados colocam as instituições sob risco de sanções administrativas e até mesmo de encerramento das atividades.
Centro-Oeste: preocupação concentrada em Goiás
- Cursos avaliados: 35
- Com conceito 1 ou 2: 40% (14 cursos)
- Com conceito 5: 11% (4 cursos)
No recorte regional, o Centro-Oeste apresenta um cenário preocupante. Embora 40% dos cursos tenham ficado abaixo do patamar mínimo, a média regional é impactada principalmente pelas instituições goianas. Em Goiás, 10 dos 16 cursos avaliados, quase 63%, receberam conceitos 1 ou 2, o que levanta questionamentos sobre a qualidade do ensino médico no estado.
Por outro lado, o Mato Grosso do Sul contribuiu positivamente para o desempenho da região: três das quatro notas máximas do Centro-Oeste vieram de instituições sul-mato-grossenses.
Nordeste: desempenho alinhado à média nacional
- Cursos avaliados: 86
- Com conceito 1 ou 2: 30% (26 cursos)
- Com conceito 5: 16% (14 cursos)
Segunda região com maior número de cursos de medicina no país, o Nordeste apresenta resultados semelhantes à média nacional. A proporção de cursos com nota máxima (16%) supera levemente o índice brasileiro (14%), enquanto o percentual de avaliações críticas ou insuficientes permanece em torno de 30%.
Um destaque positivo é Sergipe: metade dos cursos do estado obteve conceito 5, e nenhum recebeu notas 1 ou 2.
Norte: cenário mais desfavorável
- Cursos avaliados: 30
- Com conceito 1 ou 2: 47% (14 cursos)
- Com conceito 5: 3% (1 curso)
A região Norte concentra os piores resultados do país. Quase metade dos cursos avaliados obteve conceitos considerados inadequados, e apenas uma instituição alcançou a nota máxima. O destaque positivo ficou com o curso da Universidade Estadual do Pará (UEPA), no campus de Marabá.
A própria UEPA ilustra as desigualdades internas: enquanto Marabá alcançou conceito 5, o curso de Belém recebeu conceito 4 e o de Santarém ficou com conceito 3.
Sudeste: volume elevado, média equilibrada
- Cursos avaliados: 141
- Com conceito 1 ou 2: 32% (45 cursos)
- Com conceito 5: 16% (22 cursos)
Com o maior número de cursos de medicina do país, o Sudeste lidera tanto em avaliações insuficientes quanto em notas máximas em termos absolutos. Proporcionalmente, porém, os resultados acompanham a média nacional.
Entre os estados, chama atenção o Rio de Janeiro: 10 dos 22 cursos ficaram abaixo da nota mínima e nenhum atingiu conceito 5, sendo o único estado do Sudeste sem avaliação máxima no Enamed.
Sul: melhor desempenho geral
- Cursos avaliados: 58
- Com conceito 1 ou 2: 14% (8 cursos)
- Com conceito 5: 14% (8 cursos)
A região Sul apresenta o menor índice de cursos com avaliações críticas ou insuficientes do país. Apenas oito instituições ficaram nessa faixa, distribuídas entre Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o que representa apenas 14% dos cursos, bem abaixo da média nacional.
Quanto às notas máximas, o percentual acompanha o índice brasileiro, com destaque para o Paraná, que concentra seis dos oito cursos com conceito 5 da região. Santa Catarina, por sua vez, não registrou nenhuma nota máxima.
O que ocorre com cursos avaliados com nota 1 ou 2?
Instituições com desempenho insuficiente no Enamed podem sofrer sanções progressivas, de acordo com o conceito obtido e o nível de proficiência dos estudantes. As medidas previstas incluem:
- Proibição de ampliação de vagas
- Redução de 25% das vagas
- Redução de 50% das vagas
- Suspensão de novos ingressos, impedimento de aumento de vagas e bloqueio do Fies
De acordo com o Ministério da Educação, essas restrições têm como objetivo estimular a melhoria da qualidade do ensino, evitando a expansão de cursos que não oferecem formação adequada. As instituições ainda podem recorrer das decisões.
Caso não apresentem evolução nas avaliações seguintes, os cursos sancionados podem ser descredenciados e fechados definitivamente nos próximos anos.