CONSUMO NOS LARES CRESCE 3,68% EM 2025 E MANTÉM RITMO ELEVADO, APONTA ABRAS
Consumo das famílias cresce 3,68% em 2025, impulsionado pela queda no preço de alimentos básicos, renda maior e programas de transferência, aponta Abras.
Foto: Reprodução / Internet
O consumo das famílias brasileiras encerrou 2025 com crescimento de 3,68%, mantendo praticamente o mesmo ritmo observado em 2024, quando a alta foi de 3,72%. Os dados fazem parte de levantamento divulgado nesta quinta-feira (22) pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e indicam a consolidação de um ciclo de expansão do consumo pelo segundo ano consecutivo.
Assim, mesmo diante de um ambiente financeiro mais restritivo, o desempenho confirma a resiliência do consumo doméstico, sustentado principalmente pela melhora da renda e pelo comportamento mais favorável dos preços de itens essenciais.
Avanço expressivo no fim do ano impulsiona resultado anual
Na comparação mensal, o consumo nos lares avançou 15,69% em dezembro frente a novembro. O desempenho, além disso, superou o registrado no mesmo período de 2024, quando a alta havia sido de 12,81%.
Já na comparação com dezembro do ano anterior, o crescimento chegou a 9,52%, acima dos 7,23% observados na variação interanual de 2024. Os números consideram valores deflacionados pelo IPCA, calculado pelo IBGE, e abrangem todos os formatos de supermercados.
Queda no preço de básicos sustenta maior poder de compra
Ao longo de 2025, a redução nos preços de alimentos essenciais teve papel central na sustentação do consumo. O arroz liderou as quedas, com recuo acumulado de 26,55%. Em seguida, o leite longa vida ficou 12,87% mais barato, enquanto a batata registrou redução de 13,65% no período.
Por outro lado, o café torrado e moído apresentou alta expressiva, acumulando aumento de 35,64% ao longo do ano, pressionando parcialmente o orçamento das famílias.
Carnes sobem menos após forte alta no ano anterior
Enquanto isso, os preços das carnes e proteínas avançaram de forma mais moderada em 2025, sobretudo após as elevações intensas registradas em 2024. Os cortes dianteiros subiram 1,55%, bem abaixo dos 25,25% do ano anterior. Já os cortes traseiros tiveram alta de 1,3%, contra 20,05% em 2024.
No mesmo sentido, o pernil apresentou queda de 1,84%, após ter acumulado forte aumento no ano anterior. Esse comportamento contribuiu para aliviar a pressão inflacionária sobre o consumo alimentar.
Inflação de alimentos segue abaixo do índice geral
Depois de seis meses consecutivos de deflação, os preços dos alimentos voltaram a subir 0,27% em dezembro, segundo o IPCA. Ainda assim, no acumulado de 2025, a inflação do grupo ficou em 2,95%, abaixo da inflação geral, que encerrou o ano em 4,26%.
Dessa forma, a desaceleração relativa dos alimentos ajudou a preservar o poder de compra das famílias, especialmente entre as de menor renda.
Eventos climáticos influenciaram preços em 2024
O comportamento mais favorável dos preços em 2025 também refletiu a normalização após eventos extremos registrados no ano anterior. Em 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul elevaram o preço do arroz em 8,24%, enquanto períodos de seca provocaram alta de 18,83% no valor do leite.
Com a dissipação desses choques, os preços de diversos itens básicos apresentaram ajuste ao longo do ano seguinte.
Mercado de trabalho e programas sociais reforçam consumo
Além da queda de preços, a Abras aponta que o consumo foi favorecido pelo aumento do rendimento real habitual, pela expansão da massa salarial e pela manutenção de programas de transferência de renda.
Entre os fatores de estímulo estão o Bolsa Família, o Auxílio Gás e o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs), que injetaram recursos adicionais na economia e sustentaram o consumo das famílias.
Diferenças regionais no comportamento dos preços
Em dezembro, o índice Abrasmercado, que considera uma cesta de 35 produtos, mostrou variações distintas entre as regiões. O Norte liderou as altas, com 1,36%, seguido por Nordeste (1,31%), Sudeste (1,20%) e Sul (0,44%).
Por outro lado, o Centro-Oeste foi a única região a registrar queda nos preços no período, com recuo de 0,47%.
Projeções indicam manutenção do crescimento em 2026
Para 2026, a Abras projeta crescimento de 3,2% no consumo das famílias. A expectativa considera, sobretudo, a continuidade dos estímulos à renda, mesmo com o crédito ainda restrito.
Entre os fatores previstos estão a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o desconto progressivo para rendas de até R$ 7.350 e o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621, com ganho real de 6,79%.
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