TAXA DE INOVAÇÃO DA INDÚSTRIA CAI PELO 3º ANO SEGUIDO E ATINGE MENOR NÍVEL DA SÉRIE, APONTA IBGE

Pintec/IBGE: taxa de inovação da indústria cai pelo 3º ano e chega a 64,4% em 2024. Químicos lideram; P&D soma R$ 39,9 bi.

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Foto: Reprodução / Internet

20/03/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A taxa de inovação das empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas no Brasil caiu pelo terceiro ano consecutivo e chegou a 64,4% em 2024, segundo dados divulgados pelo IBGE. Com isso, o indicador registrou o menor patamar da série iniciada em 2021, quando havia marcado 70,5%.

Além disso, o resultado ficou 0,2 ponto percentual abaixo de 2023 (64,6%). A taxa considera as empresas que introduziram produto novo ou substancialmente aprimorado e/ou implementaram processo de negócios novo ou aprimorado em ao menos uma função do negócio.

Os números fazem parte da Pesquisa de Inovação (PINTEC) Semestral 2024: Indicadores Básicos, levantamento experimental realizado em parceria com a ABDI e a UFRJ. Nesta edição, o estudo detalha conduta inovativa, obstáculos, cooperação, dispêndios em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e uso de apoio público.

Empresas maiores mantêm vantagem na inovação

A pesquisa mostra, em seguida, que o porte segue como fator decisivo. As empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas registraram taxa de inovação de 75,4%. Já as companhias de 250 a 499 alcançaram 65,7%, enquanto as de 100 a 249 ficaram em 59,8%.

Ao mesmo tempo, a PINTEC reforça que a taxa de inovação oscila com o contexto econômico. Segundo o analista Flávio Peixoto, variações de câmbio e investimento influenciam o indicador. Ainda assim, a inovação exige maturação e nem sempre aparece no mesmo ritmo, ano após ano.

Produtos químicos lideram ranking; fumo fica na última posição

Na lista por atividade industrial, a Fabricação de produtos químicos liderou, com 84,5% de taxa de inovação. Na sequência, apareceram:

  • Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos: 82,1%
  • Fabricação de móveis: 77,1%
  • Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos: 76,8%
  • Produtos farmoquímicos e farmacêuticos: 76,6%

Em contrapartida, a Fabricação de produtos do fumo registrou a menor taxa do recorte, com 29,8%.

Inovação em processo supera inovação em produto

No detalhamento por tipo, a pesquisa indica que as empresas inovaram mais em processos de negócios do que em produtos.

Em 2024, 51,9% introduziram processo novo ou aprimorado, percentual acima de 2023 (51,0%). Enquanto isso, 45,2% inovaram em produto, no menor nível desde 2021 (50,5%).

Além disso, o estudo aponta a distribuição por perfil de inovação:

  • 32,7% inovaram em produto e processo
  • 12,5% inovaram apenas em produto
  • 19,2% inovaram apenas em processo de negócios — único grupo que cresceu na comparação com 2023

Entre as categorias de processo, a pesquisa destaca métodos de organização do trabalho, tomada de decisão e gestão de recursos humanos. Já a categoria ligada a processamento de informação e comunicação registrou o maior avanço proporcional no ano.

Novidade em produto encolhe, e maioria inova “para dentro” da empresa

Entre as empresas que inovaram em produto, a maior parte lançou itens novos apenas para a própria empresa. Em 2024, esse grupo chegou a 71,1%, acima de 2023 (68,0%).

Por outro lado, a proporção de produtos novos para o mercado nacional caiu para 24,0%, ante 27,6% no ano anterior. Ainda assim, a pesquisa registra leve alta dos produtos novos para o mercado mundial, de 4,4% para 4,9%.

P&D: menos empresas investem, mas gasto total cresce

Embora o percentual de empresas que investiram em P&D interno tenha caído para 32,9% (menor nível desde 2021), os dispêndios totais subiram em termos nominais e chegaram a aproximadamente R$ 39,9 bilhões em 2024.

Desse total:

  • a Indústria de transformação respondeu por 85,4% (cerca de R$ 34,1 bilhões)
  • as Indústrias extrativas ficaram com 14,6% (cerca de R$ 5,8 bilhões)
  • Além disso, as empresas maiores concentraram a maior fatia do investimento: as companhias com 500+ pessoas ocupadas reuniram 87,4% do total aplicado em P&D.

Quanto às fontes de financiamento, o levantamento aponta predominância de recursos próprios: 86% vieram das empresas. Já o setor público respondeu por 8%, instituições privadas por 5% e recursos do exterior por 1%.

Apoio público cresce e “Lei do Bem” lidera entre os instrumentos

Em 2024, 38,6% das empresas inovadoras usaram algum instrumento de apoio público, acima de 2023 (36,3%). O mecanismo mais utilizado, novamente, foi o incentivo fiscal à P&D e inovação tecnológica (Lei do Bem), citado por 28,9% das empresas.

Ao mesmo tempo, cresceu a parcela de empresas que não usaram o incentivo, mas disseram ter interesse: o indicador chegou a 31,5%, o maior da série semestral.

Cooperação: fornecedores aparecem como principais parceiros

Entre as empresas inovadoras que cooperaram, fornecedores lideraram como parceiros, presentes em 27,1% dos casos.

Além disso, a pesquisa mostra que as empresas maiores cooperaram mais: 50,3% das inovadoras com 500+ empregados firmaram parcerias, contra 30,1% nas de 250 a 499 e 24,5% nas de 100 a 249.

Por atividade, a Metalurgia registrou o maior percentual de cooperação, com 47,8%.

Instabilidade econômica lidera lista de obstáculos

Em 2024, 47,8% das empresas inovadoras relataram obstáculos para inovar. Entre os entraves, a pesquisa destaca:

  • instabilidade econômica (44,5%)
  • capacidade limitada de recursos internos (43,0%)
  • acirramento da concorrência (42,1%)
  • mudanças nas prioridades estratégicas (39,5%)
  • baixa atratividade da demanda (37,9%)
  • limitações tecnológicas externas (35,9%)
  • dificuldade para estabelecer parcerias (35,7%)

Expectativa para 2025 indica manutenção ou alta do P&D

Mesmo com a queda da taxa de inovação, a pesquisa registra expectativa positiva para dispêndios em P&D. Para 2025, 96,4% das empresas inovadoras afirmaram que pretendem elevar ou manter os gastos. Já para 2026, tomando 2025 como base, o percentual sobe para 98,5%.

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