GOVERNO CENTRAL TEM DÉFICIT DE R$ 30 BILHÕES EM FEVEREIRO, MAS 1º BIMESTRE SEGUE NO AZUL
Embora o resultado de fevereiro tenha ficado negativo, o acumulado de janeiro e fevereiro ainda mostra superávit de R$ 56,854 bilhões; além disso, a dívida bruta subiu para 79,2% do PIB.
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O Governo Central registrou déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado reflete uma receita líquida de R$ 157,681 bilhões e uma despesa total de R$ 187,727 bilhões no período. Ainda assim, apesar do resultado negativo no mês, o acumulado do primeiro bimestre segue superavitário em R$ 56,854 bilhões.
Além disso, o resultado de fevereiro veio ligeiramente melhor do que o observado no mesmo mês de 2025. Na comparação anual, o déficit caiu 4,9% em termos nominais e 8,4% em termos reais, de acordo com o Tesouro. Portanto, embora o mês tenha fechado no vermelho, o desempenho ficou menos negativo do que o de um ano antes.
Fevereiro fecha no vermelho, mas bimestre continua positivo
No acumulado de janeiro e fevereiro, o superávit primário do Governo Central chegou a R$ 56,854 bilhões. Em termos nominais, isso representa alta de 6,3% ante o mesmo período de 2025. Já em termos reais, o avanço foi de 1,4%. Dessa forma, o saldo dos dois primeiros meses do ano ainda sustenta um começo relativamente favorável para as contas do Governo Central.
Ao mesmo tempo, o Tesouro detalhou que, em fevereiro, Tesouro Nacional e Banco Central registraram déficit conjunto de R$ 7,616 bilhões, enquanto o Regime Geral de Previdência Social teve resultado negativo de R$ 22,430 bilhões. Assim, a Previdência voltou a responder pela maior parte do rombo mensal.
Receita cresce, mas despesa também avança
De um lado, a arrecadação mostrou crescimento. Em fevereiro, a receita total alcançou R$ 219,030 bilhões, com alta real de 3,6% sobre o mesmo mês do ano passado. Além disso, a receita líquida subiu 5,6% em termos reais na mesma comparação. Esse avanço teve, entre os principais motores, o crescimento das receitas administradas pela Receita Federal e da arrecadação líquida para o RGPS.
Por outro lado, as despesas também cresceram. A despesa total de fevereiro somou R$ 187,727 bilhões, em alta real de 3,1% frente a fevereiro de 2025. Segundo o Tesouro, o avanço ocorreu, sobretudo, por causa do aumento nas despesas discricionárias, em pessoal e encargos sociais e em benefícios previdenciários.
IOF, Cofins e RGPS ajudaram as receitas
Entre os fatores que puxaram a arrecadação, o Tesouro destacou o crescimento do IOF, que avançou 35,6% em fevereiro na comparação anual. Além disso, a Cofins também teve aumento relevante, refletindo o dinamismo da atividade econômica e o desempenho de vendas e serviços. Ao mesmo tempo, outras receitas administradas também contribuíram, impulsionadas por depósitos judiciais.
Em sentido contrário, porém, algumas linhas recuaram. O Imposto de Renda e a CSLL apresentaram queda, enquanto, entre as receitas não administradas, houve diminuição nos recolhimentos de dividendos e participações, influenciada pela ausência de repasses do Banco do Nordeste e pela redução de dividendos pagos pela Petrobras. Portanto, o avanço da arrecadação não ocorreu de forma homogênea entre todas as rubricas.
Despesas sobem com Previdência, reajustes e programas sociais
Do lado do gasto, o Tesouro apontou que a elevação real das despesas em fevereiro teve forte influência de três grupos principais. Primeiro, cresceram as despesas discricionárias, com destaque para Educação e Saúde. Depois, avançaram os gastos com pessoal e encargos sociais, em razão dos reajustes concedidos aos servidores em 2025. Além disso, também aumentaram os benefícios previdenciários, puxados tanto pelo reajuste do salário mínimo quanto pela ampliação do número de beneficiários.
Ainda assim, parte dessa alta foi compensada por reduções em outras frentes. Houve queda, por exemplo, em abono e seguro-desemprego, em subsídios, subvenções e Proagro, além de recuos nas despesas obrigatórias com controle de fluxo e no apoio financeiro a estados e municípios. Desse modo, o crescimento da despesa não foi generalizado.
Dívida bruta sobe para 79,2% do PIB
Enquanto o Tesouro divulgava o resultado do Governo Central, o Banco Central informou que a dívida bruta do governo geral subiu para 79,2% do PIB em fevereiro, o maior patamar desde outubro de 2021. Segundo o BC, a alta mensal refletiu, principalmente, a apropriação de juros, que somou R$ 84,2 bilhões.
Além disso, o setor público consolidado que reúne Governo Central, estados, municípios e estatais, exceto Petrobras e Eletrobras teve déficit primário de R$ 16,4 bilhões em fevereiro. No acumulado de 12 meses até fevereiro, esse déficit ficou em R$ 52,843 bilhões, o equivalente a 0,41% do PIB.
Governo Central e setor público consolidado não são a mesma conta
Embora os dois anúncios tratem de contas públicas, eles não medem exatamente a mesma coisa. O número de R$ 30,046 bilhões de déficit divulgado pelo Tesouro se refere ao Governo Central, ou seja, Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. Já o dado do Banco Central sobre R$ 16,4 bilhões de déficit considera o setor público consolidado, que inclui também estados, municípios e estatais. Por isso, os resultados não devem ser comparados de forma direta como se fossem o mesmo indicador.
Previsão do Tesouro ainda aponta déficit em 2026
Apesar do superávit acumulado no primeiro bimestre, o Tesouro lembrou que o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 1º bimestre projeta déficit primário de R$ 59,8 bilhões para 2026 no resultado efetivo do Governo Central. Ainda assim, para fins de cumprimento da meta fiscal, o governo considera exclusões previstas em lei, o que leva a uma previsão de superávit primário de R$ 34,9 bilhões.
Portanto, o saldo positivo de janeiro e fevereiro ajuda o início do ano, mas ainda não altera, por si só, a perspectiva de um exercício fiscal desafiador. Ao mesmo tempo, a trajetória da arrecadação, das despesas obrigatórias e da dívida continuará no centro das atenções nos próximos meses
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