CARGA TRIBUTÁRIA SOBE PARA 32,4% DO PIB EM 2025 E ATINGE MAIOR NÍVEL DA SÉRIE HISTÓRICA

Avanço foi puxado principalmente pela arrecadação federal, com destaque para IRRF, IOF e contribuições previdenciárias; estados registraram queda

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Foto: Reprodução / Internet

11/04/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A carga tributária bruta do governo geral no Brasil chegou a 32,40% do PIB em 2025, o equivalente a R$ 4,12 trilhões, segundo estimativa divulgada pelo Tesouro Nacional nesta sexta-feira, 10 de abril. Com isso, o indicador avançou 0,18 ponto percentual em relação a 2024 e alcançou o maior nível da série histórica iniciada em 2010.

O indicador mede a proporção entre tudo o que União, estados e municípios arrecadam em tributos e o tamanho da economia brasileira. Na prática, ele mostra quanto da riqueza produzida no país acaba direcionada ao pagamento de impostos, contribuições e taxas. Além disso, o próprio Tesouro destacou que a alta de 2025 veio quase toda da esfera federal.

Governo federal puxou a alta

O principal impulso veio do governo central. Segundo o Tesouro, a carga tributária federal subiu 0,26 ponto do PIB em 2025. Entre os fatores mais relevantes, o destaque ficou para o Imposto de Renda Retido na Fonte, que avançou 0,23 ponto percentual do PIB, refletindo, entre outros fatores, o crescimento da massa salarial.

Além disso, o IOF também ganhou peso na arrecadação, com alta de 0,10 ponto do PIB, puxada por operações de câmbio e crédito e, também, pela elevação de alíquotas. Ao mesmo tempo, as contribuições para o Regime Geral de Previdência Social cresceram 0,12 ponto do PIB, em movimento associado à expansão do emprego formal e à reoneração escalonada da folha.

Estados recuam, e municípios avançam levemente

Enquanto a União aumentou participação, os estados seguiram na direção oposta. A carga tributária estadual caiu 0,10 ponto do PIB, puxada principalmente pela redução de 0,09 ponto na arrecadação do ICMS em proporção da economia. Segundo o Tesouro, embora a receita nominal do imposto tenha crescido, ela avançou abaixo do ritmo do PIB.

Já os municípios registraram leve alta de 0,03 ponto do PIB. Nesse caso, o principal destaque foi o ISS, que respondeu por 0,02 ponto desse avanço, em linha com o crescimento do setor de serviços. Tributos sobre propriedade, como o IPTU, também contribuíram, embora em menor intensidade.

Perfil da arrecadação mudou pouco

A composição da carga tributária permaneceu relativamente estável em 2025. Os impostos sobre bens e serviços seguiram como principal fonte de arrecadação, embora tenham recuado levemente de 13,87% para 13,78% do PIB. Por outro lado, os tributos sobre renda, lucros e ganhos de capital aumentaram participação, passando de 9,04% para 9,16% do PIB.

Entre as contribuições sociais, as destinadas ao RGPS subiram de 5,28% para 5,40% do PIB. Já as contribuições para regimes próprios de previdência ficaram praticamente estáveis, segundo o boletim do Tesouro.

Mudança metodológica alterou a leitura da série

O Tesouro também informou que adotou aprimoramento metodológico alinhado a recomendações internacionais. Com isso, o cálculo passou a excluir as contribuições destinadas ao FGTS e ao Sistema S, seguindo padrão semelhante ao recomendado pelo Fundo Monetário Internacional. A mudança levou à revisão da série histórica.

Segundo o órgão, se esses encargos fossem mantidos na conta, a carga tributária de 2025 chegaria a 34,35% do PIB. Portanto, o número de 32,40% já considera essa nova metodologia.

Brasil segue acima da média latino-americana

Embora o boletim do Tesouro não faça comparação detalhada com todos os países, o próprio material da Fazenda destaca que o nível brasileiro continua próximo ao de economias desenvolvidas e acima da média da América Latina. Isso reforça que, mesmo com a nova metodologia, o país segue com carga tributária elevada em termos internacionais.

Assim, o resultado de 2025 consolida dois movimentos ao mesmo tempo: de um lado, maior peso da arrecadação federal; de outro, manutenção de uma estrutura tributária alta sobre a economia brasileira. Além disso, o recorde reacende o debate sobre a qualidade da arrecadação, a distribuição da carga entre os entes federativos e os efeitos do sistema tributário sobre atividade, consumo e investimento.

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