MERCADO ELEVA PREVISÃO DA SELIC PARA 14% E AUMENTA ESTIMATIVA DE INFLAÇÃO
Boletim Focus aponta juros mais altos no fim de 2026 após Copom deixar próximos passos em aberto; projeção do IPCA sobe pela 15ª semana
Foto: Reprodução / Internet
O mercado financeiro elevou novamente as projeções para a taxa Selic e para a inflação em 2026. Os dados aparecem no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central.
A estimativa para os juros no fim do ano passou de 13,75% para 14% ao ano. Além disso, os economistas aumentaram a previsão do IPCA de 5,30% para 5,33%.
A revisão ocorreu depois que o Comitê de Política Monetária, o Copom, reduziu a Selic de 14,5% para 14,25% ao ano, mas não indicou com clareza até onde pretende levar o ciclo de cortes.
Mercado espera apenas mais um corte
No comunicado da última reunião, o Copom afirmou que definirá a extensão total do ciclo de redução dos juros conforme a divulgação de novas informações sobre a economia e a inflação.
Mesmo assim, o comitê sinalizou preferência por uma condução mais gradual da política monetária. Dessa forma, os analistas ainda esperam um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto.
Depois disso, porém, a expectativa é que o Banco Central interrompa o ciclo de flexibilização. Assim, a Selic encerraria 2026 em 14% ao ano.
Para os anos seguintes, o mercado manteve as projeções. A estimativa ficou em 12% para 2027, 10,25% para 2028 e 10% para 2029.
Inflação sobe pela 15ª semana
A previsão para o IPCA avançou pela 15ª semana consecutiva e chegou a 5,33% em 2026.
Com isso, a expectativa segue acima do teto da meta de inflação. O Conselho Monetário Nacional definiu meta de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Portanto, o limite máximo é de 4,5%.
As revisões para cima começaram após o início da guerra no Irã, no fim de fevereiro. Naquele momento, os economistas passaram a incorporar às estimativas os impactos sobre o petróleo, os combustíveis e os custos de transporte.
Além disso, o mercado aumentou a previsão do IPCA para 4,15% em 2027 e 3,70% em 2028. Já para 2029, a projeção permaneceu em 3,5%.
Projeção do PIB também aumenta
Os economistas elevaram, pela quinta semana consecutiva, a estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026.
A previsão para o Produto Interno Bruto passou de 1,96% para 1,98%.
Por outro lado, o mercado manteve a projeção de crescimento em 1,70% para 2027. Para 2028 e 2029, a expectativa segue em 2%.
Dólar permanece em R$ 5,20
A previsão para a cotação do dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20.
Para 2027, no entanto, os analistas elevaram a estimativa de R$ 5,25 para R$ 5,27. Além disso, o mercado manteve a projeção de R$ 5,30 para 2028 e de R$ 5,40 para 2029.
IGP-M tem previsão reduzida
Enquanto o mercado aumentou a projeção do IPCA, a estimativa para o IGP-M caiu de 6,22% para 6,15% em 2026.
Já para 2027, a previsão subiu de 4,04% para 4,08%. Para 2028, os economistas mantiveram a estimativa em 3,82%, enquanto a projeção para 2029 permaneceu em 3,77%.
O Banco Central divulgará nesta terça-feira a ata da reunião do Copom, documento que detalhará os motivos do corte da Selic e a avaliação do comitê sobre os próximos passos da política monetária.
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