COTA CHINESA PARA CARNE BOVINA PODE CHEGAR A 94,5% ATÉ O FIM DE JUNHO

Projeção aponta apenas 60,3 mil toneladas disponíveis; limite pode se esgotar nos embarques brasileiros entre 12 e 14 de julho

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Foto: Reprodução / Internet

23/06/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A cota de importação de carne bovina estabelecida pela China para 2026 pode atingir 94,5% de preenchimento até 30 de junho, segundo levantamento da Terra Investimentos.

Os dados consideram o volume já desembaraçado nos portos chineses e as cargas brasileiras que ainda estão em trânsito. Dessa forma, restariam apenas 60,3 mil toneladas disponíveis dentro do limite anual.

A China definiu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para as importações de carne bovina neste ano. Até maio, o país asiático já havia recebido 723,8 mil toneladas, o equivalente a 65,4% do total.

Cargas em trânsito elevam volume comprometido

Além dos dados da Administração Geral das Alfândegas da China, a Terra Investimentos incluiu no cálculo os embarques registrados pela Secretaria de Comércio Exterior.

Em maio, o Brasil exportou 153,9 mil toneladas com previsão de chegada à China entre junho e julho. Já os embarques projetados para junho somam outras 168 mil toneladas, com desembarque estimado entre julho e agosto.

Com isso, o volume já internalizado e as cargas que fazem parte do chamado pipeline logístico alcançam cerca de 1,045 milhão de toneladas.

“Na nossa projeção, estaremos com 94,5% da cota preenchida até o dia 30 de junho”, afirmou Geraldo Isoldi, da Mesa Agro da Terra Investimentos.

Limite pode se esgotar em julho

Embora a projeção indique 94,5% de comprometimento até o fim de junho, o saldo restante pode acabar rapidamente.

O estudo estima que os frigoríficos brasileiros esgotem o volume disponível nos embarques realizados entre os dias 12 e 14 de julho.

Como o transporte entre Brasil e China leva, em média, 45 dias, essas cargas devem chegar aos portos chineses entre o fim de agosto e o início de setembro.

Depois do preenchimento da cota, as importações passam a enfrentar tarifas adicionais. Por isso, compradores chineses e frigoríficos brasileiros já acompanham o ritmo dos embarques.

Frigoríficos começam a reduzir vendas para a China

A proximidade do limite já começou a alterar a estratégia das empresas brasileiras.

Segundo Raul Bertho, responsável pela gestão de risco da Agrifatto, alguns frigoríficos reduziram o volume destinado à China e passaram a redirecionar parte da produção para outros mercados.

“Alguns frigoríficos já têm adotado essa postura de começar a diminuir um pouco a carne destinada para o país asiático”, afirmou.

Além disso, a JBS suspendeu a produção de cortes voltados ao mercado chinês em 18 das 34 unidades habilitadas para exportar ao país.

China recebe metade das exportações brasileiras

A China responde por aproximadamente 50% do volume de carne bovina exportado pelo Brasil.

Dessa maneira, uma desaceleração nas compras chinesas pode aumentar a oferta destinada ao mercado interno. Ao mesmo tempo, os frigoríficos devem buscar outros destinos para compensar a redução dos embarques.

As grandes empresas possuem mais alternativas porque contam com habilitações para vender a diferentes países. Por outro lado, frigoríficos menores podem depender mais do consumo brasileiro.

Brasil pode buscar novos mercados

A diversificação dos destinos ganha importância com a aproximação do fim da cota chinesa.

Segundo Bertho, mercados como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul podem absorver parte da produção brasileira. No entanto, esse redirecionamento não ocorre imediatamente e depende de negociações comerciais, habilitações sanitárias e demanda.

A Austrália passou por situação semelhante. Depois de esgotar a própria cota de exportação para a China, o país ampliou as vendas para mercados como Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão.

Mercado monitora preço do boi

A redução dos embarques para a China também pode pressionar o preço da arroba do boi gordo.

Com mais carne disponível no mercado interno, frigoríficos podem tentar comprar animais por valores menores. Além disso, a menor demanda externa também pode atingir o preço das categorias de reposição.

O mercado futuro, porém, aponta valores mais altos no fim do ano. A diferença entre os contratos de julho e dezembro de 2026 chega a R$ 26,05 por arroba.

Embarques de julho e agosto serão decisivos

A Terra Investimentos acompanhará os volumes exportados em julho e agosto para identificar o momento exato do preenchimento da cota.

Esses dados também devem indicar os impactos sobre o fluxo comercial entre Brasil e China, o direcionamento da produção dos frigoríficos e a oferta de carne bovina no mercado brasileiro.

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