SERVIÇO PÚBLICO CRIA MAIS VAGAS QUE SETOR PRIVADO EM 14 MESES
Empregos públicos cresceram em 1,09 milhão entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026; contratações temporárias impulsionaram resultado
Foto: Reprodução / Internet
A abertura de vagas no serviço público superou a criação de empregos no setor privado entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Durante os 14 meses analisados, o setor público registrou saldo positivo de 1,091 milhão de vínculos formais. Com isso, o total de agentes públicos chegou a aproximadamente 13,8 milhões em fevereiro de 2026.
Já o setor privado abriu 1,041 milhão de postos no mesmo período. Dessa forma, o número de trabalhadores com vínculo pela Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, alcançou 47,97 milhões.
O saldo considera a diferença entre contratações e desligamentos.
Contratos temporários impulsionam crescimento
As contratações por tempo determinado tiveram peso relevante no avanço do emprego público.
Segundo o Ministério do Trabalho, cerca de 886,8 mil vínculos temporários foram registrados no setor público no início de 2026. Portanto, essa modalidade respondeu por mais da metade do aumento observado na comparação com dezembro de 2025.
A pasta informou que o movimento ocorreu principalmente em estados e municípios. Além disso, prefeituras costumam encerrar contratos temporários no fim do ano e realizar novas admissões no início do período letivo.
Nesse contexto, professores aparecem entre os profissionais contratados para trabalhar durante o ano e dispensados após o encerramento das atividades escolares.
Temporários ocupam funções permanentes
A Constituição permite contratações temporárias em situações de excepcional interesse público.
No entanto, o Ministério do Trabalho observa que estados e municípios também adotam esse modelo para preencher funções permanentes, como as de professores e médicos.
Segundo a pasta, as administrações recorrem a esses contratos para atender ao aumento da demanda por serviços públicos e, ao mesmo tempo, controlar despesas com pessoal dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Além disso, a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, afirmou que o uso desse tipo de vínculo ganhou força depois da reforma trabalhista de 2017.
Período analisado influencia resultado
O Ministério do Trabalho também ressalta que o período da pesquisa pode ter influenciado o desempenho do setor público.
Como a análise termina em fevereiro, os dados captam a recontratação de profissionais temporários no começo do ano, principalmente na área da educação.
“Muitos estados e municípios, no fim do ano, demitem agentes públicos temporários, especialmente na educação, para recontratar em fevereiro ou no fim de março”, afirmou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
Assim, parte do crescimento pode refletir um movimento sazonal de desligamentos e novas admissões.
Brasil alcança 62,2 milhões de vínculos formais
A Relação Anual de Informações Sociais contabilizou cerca de 62,2 milhões de vínculos formais em fevereiro de 2026.
Na comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento de aproximadamente 2,17 milhões de postos, equivalente a uma alta de 3,6%.
Desse total, cerca de 47,97 milhões correspondiam a trabalhadores celetistas. Além disso, o levantamento contabilizou aproximadamente 13,9 milhões de agentes públicos, incluindo servidores concursados, temporários e ocupantes de cargos comissionados.
Rais inclui mais vínculos que o Caged
A Rais apresenta uma cobertura mais ampla do mercado formal do que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.
Enquanto o Caged acompanha principalmente admissões e desligamentos de trabalhadores celetistas, a Rais também reúne informações sobre servidores públicos federais, estaduais e municipais.
Além disso, a base considera concursados, funcionários temporários e pessoas que ocupam funções comissionadas.
Por esse motivo, os números da Rais mostram uma quantidade de vínculos superior à apresentada pelo Caged.
Emprego formal cresce entre mulheres e jovens
O número de vínculos formais entre mulheres chegou a 28,67 milhões em fevereiro de 2026, alta de 4,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Com isso, a participação feminina no mercado formal avançou de 45,6% para 46,1%.
Entre os homens, por outro lado, o número de vínculos cresceu 2,7% e ultrapassou 33,5 milhões.
Além disso, o estoque de empregos formais entre jovens de 18 a 24 anos aumentou 18,9% na comparação anual.
Vínculos avançam entre pretos, pardos e indígenas
A Rais também registrou crescimento dos vínculos formais entre diferentes grupos da população.
Entre trabalhadores pretos, o avanço chegou a 8,6%. Já entre pardos, o crescimento foi de 7,5%, enquanto os vínculos de trabalhadores indígenas aumentaram 9,7%.
Por nível de escolaridade, os trabalhadores com ensino médio completo continuaram concentrando a maior parte dos empregos formais, com 53,6% do total.
Maioria trabalha mais de 41 horas semanais
Os dados mostram que 37,1 milhões de trabalhadores formais cumpriam jornadas superiores a 41 horas por semana.
Além disso, outros 9,2 milhões trabalhavam entre 31 e 40 horas semanais.
Essas informações, porém, não incluem a jornada dos servidores estatutários.
O dado mais recente de remuneração média da Rais é de dezembro de 2025, quando os trabalhadores formais recebiam, em média, R$ 4.369,02.
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