CLASSES D E E ENCOLHEM E REPRESENTAM MENOS DE 20% DA POPULAÇÃO

Levantamento aponta que 19,4% dos brasileiros viviam com renda de até R$ 760 por pessoa em 2025, menor percentual da série iniciada em 2012

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Foto: Reprodução / Internet

25/06/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A participação dos brasileiros nas classes D e E caiu para 19,4% da população em 2025, segundo levantamento da consultoria 4Intelligence.

O percentual representa aproximadamente 41 milhões de pessoas que vivem em domicílios com renda mensal de até R$ 760 por morador. Além disso, o resultado marca o menor nível da série histórica, iniciada em 2012.

Naquele ano, as duas classes reuniam 31,6% da população. Posteriormente, durante a pandemia de covid-19, o indicador avançou e atingiu o pico de 34% em 2021.

Mercado de trabalho contribuiu para redução

Segundo o economista Bruno Imaizumi, responsável pelo levantamento, a melhora do mercado de trabalho ajudou famílias a migrarem para faixas de renda mais altas.

Além disso, os programas de transferência de renda também tiveram participação nesse movimento. Dessa forma, uma parcela da população deixou os níveis mais baixos da pirâmide econômica.

No entanto, o economista afirma que essa ascensão ainda depende de um ambiente econômico favorável, com emprego, crescimento da renda, inflação controlada e juros menores.

Avanço ainda é considerado frágil

Apesar da redução das classes D e E, especialistas alertam que muitas famílias ainda não acumularam patrimônio ou reservas financeiras.

Portanto, uma perda de emprego, uma alta da inflação ou o endividamento podem provocar o retorno dessas pessoas às faixas de menor renda.

O coordenador do Centro de Estudos do Desenvolvimento do Nordeste do FGV Ibre, Flávio Ataliba, avalia que o movimento ocorreu principalmente na base da pirâmide.

Segundo ele, parte das famílias deixou a pobreza extrema, mas ainda vive em situação de pobreza moderada ou baixa renda.

“Boa parte das famílias que saíram recentemente da pobreza ainda vive em vulnerabilidade financeira elevada”, afirmou.

Classe C concentra maioria dos brasileiros

Enquanto as classes D e E diminuíram, as classes C1 e C2 passaram a concentrar aproximadamente 56% da população brasileira.

Em 2025, a renda domiciliar média por pessoa ficou em R$ 1.104 na classe C2 e em R$ 1.921 na classe C1.

Para Ataliba, o mercado de trabalho, principalmente nos setores de serviços e nas atividades informais, teve maior influência sobre o avanço das famílias que chegaram à classe C.

Por outro lado, o Bolsa Família teve papel mais relevante entre os brasileiros que estavam nas menores faixas de renda.

Classe A também amplia participação

No topo da pirâmide, a classe A também registrou crescimento.

A participação desse grupo avançou de 2,7% da população em 2012 para 3,8% em 2025. Nessa faixa, estão pessoas que vivem em domicílios com renda superior a R$ 7.989 por morador.

Com isso, a classe A ultrapassou a marca de oito milhões de brasileiros.

Além disso, o percentual de domicílios classificados nessa faixa aumentou de 3,9% para 4,9% no mesmo período.

Já a participação dos domicílios nas classes D e E recuou de 25,3% para 15,8%.

Diferença de renda permanece elevada

Embora as classes mais pobres tenham diminuído, a distância de renda entre a base e o topo da pirâmide continua expressiva.

Em 2025, as famílias das classes D e E registraram renda domiciliar média de R$ 453 por pessoa.

Já na classe A, o valor chegou a R$ 14.214 por morador, resultado cerca de 31 vezes superior ao registrado entre as famílias de menor renda.

Além disso, especialistas destacam que a ausência de reservas financeiras aumenta a exposição das famílias a imprevistos e crises econômicas.

Endividamento ameaça parte do ganho de renda

Flávio Ataliba também aponta que a expansão do crédito de curto prazo alcançou parte das famílias que deixaram a pobreza.

Entre essas modalidades, aparecem empréstimos consignados direcionados a beneficiários de programas sociais.

Dessa maneira, o pagamento de juros e parcelas pode comprometer parte do aumento de renda obtido por essas famílias.

Ao mesmo tempo, a dependência de empregos informais e de benefícios sociais mantém uma parcela desse grupo vulnerável a mudanças no mercado de trabalho e nas políticas públicas.

Pesquisa mede potencial de consumo

A 4Intelligence utiliza o levantamento para estimar a renda domiciliar por pessoa e medir o potencial de consumo das famílias brasileiras.

A consultoria adota uma metodologia semelhante à utilizada pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Além disso, atualiza anualmente os limites de renda de acordo com a inflação medida pelo IPCA.

O cálculo também considera dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua sobre rendimentos e informações relacionadas à aquisição de bens duráveis.

Em 2025, a pesquisa classificou como integrantes das classes D e E os brasileiros que viviam em domicílios com renda mensal de até R$ 760 por pessoa.

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