GOVERNO CRIA BASE NACIONAL PARA RECUPERAR CELULARES ROUBADOS
Programa Celular Seguro ganha novos recursos para combater crimes com aparelhos
📷: Reprodução/Internet
O governo federal lançou uma nova fase do Programa Celular Seguro, com o objetivo de reforçar o combate ao roubo, furto e à comercialização ilegal de aparelhos no país.
A principal mudança da iniciativa é a ampliação do alcance das ações, que deixam de focar apenas na proteção da vítima e passam a atingir toda a cadeia criminosa envolvida, incluindo receptadores e o mercado de revenda de celulares roubados.
Nova etapa vira política pública permanente
O Programa Celular Seguro passa a ser uma das principais ferramentas nacionais no enfrentamento desse tipo de crime.
A medida também institui o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), uma base unificada que reúne informações de aparelhos roubados, furtados ou extraviados em todo o país.
Esse banco integra dados de diversas fontes, como:
boletins de ocorrência das polícias civis;
operadoras de telefonia;
sistemas da Anatel;
registros do próprio aplicativo Celular Seguro.
De acordo com o governo, a base já reúne mais de 3 milhões de aparelhos com registro de restrição, ampliando a capacidade de monitoramento e recuperação.
Fim da “vida útil” do celular roubado
Um dos principais objetivos da nova fase é impedir que celulares roubados continuem circulando no mercado, prática que sustenta a cadeia criminosa.
Com o novo sistema, o aparelho passa a ser monitorado nacionalmente por meio do IMEI (código único de identificação). Caso um novo chip seja inserido, o sistema consegue identificar o uso e acionar um fluxo de recuperação.
Além disso, usuários que estiverem com um aparelho irregular poderão receber notificações para devolução voluntária e regularização junto às autoridades.
Ferramenta para consumidores evita compra de celular roubado
Outra novidade importante é a criação de uma consulta pública de IMEI.
Antes de comprar um celular usado, qualquer pessoa poderá verificar se o aparelho possui registro de roubo ou furto, acessando o aplicativo ou portal do Celular Seguro.
O sistema indicará apenas dois resultados:
“Sem restrição”;
“Com restrição”.
A expectativa é que essa medida reduza a compra involuntária de produtos ilícitos e desestimule o mercado ilegal, atingindo diretamente o lucro das quadrilhas.
Modo Recuperação amplia chances de devolução
A nova fase também reforça o chamado Modo Recuperação, funcionalidade já existente, mas agora ampliada.
Nesse modelo, o celular não é completamente inutilizado: o aparelho permanece identificável no sistema e pode ser rastreado quando voltar a ser usado. Isso aumenta a possibilidade de recuperação pelas autoridades.
A estratégia é diferente do bloqueio total, que impede qualquer funcionamento do dispositivo, mas dificulta sua devolução caso seja localizado posteriormente.
Estratégia mira toda a cadeia do crime
Segundo o Ministério da Justiça, cerca de 1 milhão de celulares são roubados por ano no Brasil, número que motivou a reformulação da política pública.
A nova fase do Celular Seguro aposta justamente na quebra da lógica econômica do crime:
reduzir a revenda ilegal;
aumentar o risco para compradores e receptadores;
facilitar a recuperação dos aparelhos;
desestimular novos roubos.
Impacto esperado
Com a integração nacional de dados e o monitoramento contínuo dos dispositivos, o governo espera reduzir significativamente a circulação de celulares roubados no país.
A aposta é que, ao tornar o aparelho inutilizável ou rastreável, o crime perca valor econômico — diminuindo o incentivo ao roubo e enfraquecendo organizações criminosas que atuam nesse setor.
Com as novas medidas, o Celular Seguro deixa de ser apenas uma ferramenta reativa e passa a atuar de forma preventiva e estratégica, ampliando a proteção dos cidadãos e atacando o problema em sua origem: o mercado clandestino de smartphones.