BRASIL TEM 1,2 MILHÃO DE TRABALHADORES NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS POR APLICATIVO

Levantamento do IBGE mostra que trabalho por plataformas digitais reúne 2 milhões de pessoas; profissionais trabalham mais horas e recebem menos por hora

São Paulo (SP), 28/04/2023 - O motorista de aplicativo Jonas Ferreira fala sobre os prós e contras do trabalho autônomo. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

04/09/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O Brasil tinha cerca de 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos e plataformas digitais de serviços em 2025, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.

Entre esses trabalhadores, a maior parcela atuava no transporte de passageiros. Ao todo, 1,2 milhão de pessoas, o equivalente a 58,9% dos trabalhadores plataformizados, utilizavam aplicativos ligados a essa atividade.

Desse contingente, 232 mil trabalhavam com aplicativos específicos para táxis, enquanto aproximadamente 1,1 milhão utilizava outras plataformas de transporte de passageiros.

Além disso, 585 mil pessoas utilizavam aplicativos de entrega de alimentos e produtos. Já as plataformas de prestação de serviços gerais ou profissionais reuniam 313 mil trabalhadores.

Trabalho por plataformas cresce no país

No terceiro trimestre de 2025, o Brasil tinha aproximadamente 102,4 milhões de pessoas ocupadas. Desse total, os 2 milhões de trabalhadores por plataformas representavam 1,9% da população ocupada.

A maioria tinha os aplicativos como atividade principal. Segundo o levantamento, 1,8 milhão de pessoas trabalhavam por plataformas no emprego principal, enquanto 182 mil utilizavam essas ferramentas em uma atividade secundária.

Além disso, cerca de 28 mil trabalhadores usavam plataformas digitais tanto na ocupação principal quanto na secundária.

Considerando apenas o trabalho principal, o número de trabalhadores de plataformas cresceu 36,8% entre 2022 e 2025. Na comparação entre 2024 e 2025, a alta chegou a 9,1%.

Entregadores por aplicativo aumentam 18,6%

Os aplicativos de entrega também ganharam mais trabalhadores.

No trabalho principal, essas plataformas reuniam 531 mil pessoas. Desse grupo, 325 mil atuavam diretamente como entregadores, enquanto outros 205 mil utilizavam os aplicativos para vender produtos ou oferecer serviços.

Em relação a 2024, o número de entregadores por aplicativo cresceu 18,6%, passando de 274 mil para 325 mil pessoas.

Já entre os condutores de motocicletas, 405 mil trabalhavam por plataformas em 2025, o equivalente a 34,4% dos 1,2 milhão de motociclistas ocupados no país.

Homens representam 84,4% dos trabalhadores

O levantamento também traçou o perfil de quem trabalha por plataformas digitais.

Os homens representavam 84,4% dos trabalhadores plataformizados, enquanto as mulheres correspondiam a 15,6%.

Além disso, quase metade dos trabalhadores estava na faixa entre 25 e 39 anos. Esse grupo representava 47% do total.

Na escolaridade, 62,5% tinham ensino médio completo ou ensino superior incompleto. Já 15,2% possuíam nível superior completo.

A maior parte também trabalhava por conta própria. Esse grupo correspondia a 86,8% dos profissionais de plataformas, enquanto apenas 4,5% tinham emprego com carteira assinada.

Trabalhadores de aplicativos cumprem jornada maior

Apesar de receberem praticamente o mesmo valor mensal dos demais trabalhadores do setor privado, os profissionais de plataformas trabalhavam mais horas.

Em 2025, o rendimento médio mensal dos trabalhadores por aplicativos ficou em R$ 3.147, enquanto os demais ocupados recebiam, em média, R$ 3.148.

Entretanto, a jornada média dos plataformizados chegou a 44,7 horas semanais, contra 39,3 horas entre os demais trabalhadores.

Assim, quem trabalhava por aplicativos cumpria, em média, 5,4 horas a mais por semana.

A diferença também aparece quando o IBGE calcula o rendimento por hora. Os profissionais de plataformas recebiam, em média, R$ 16,20 por hora, contra R$ 18,40 dos demais ocupados.

Dessa forma, o rendimento por hora dos trabalhadores de aplicativos era 12% menor.

Informalidade chega a 72,1%

A pesquisa também identificou uma diferença significativa na proteção previdenciária.

Entre todos os trabalhadores por plataformas, apenas 34% contribuíam para algum instituto oficial de Previdência. Entre os profissionais que não utilizavam aplicativos, o percentual chegava a 63%.

Além disso, a informalidade atingia 72,1% dos trabalhadores plataformizados, contra 42,7% entre os demais trabalhadores do setor privado.

Entre os motoristas de automóveis que trabalhavam por plataformas, apenas 25,5% contribuíam para a Previdência. Já entre os motociclistas de aplicativos, o índice era ainda menor: 19,4%.

Motoristas trabalham mais e recebem menos por hora

Em 2025, o país tinha cerca de 2 milhões de pessoas trabalhando como condutores de automóveis na ocupação principal.

Desse total, 905 mil, ou 45,9%, trabalhavam por meio de aplicativos.

Os motoristas plataformizados recebiam, em média, R$ 2.873 por mês, valor ligeiramente superior aos R$ 2.805 pagos aos demais condutores.

Por outro lado, os profissionais de aplicativos cumpriam jornada semanal de 45,9 horas, enquanto os demais trabalhavam 40,4 horas.

Com isso, o rendimento médio por hora dos motoristas de aplicativo ficou em R$ 14,40, abaixo dos R$ 16 registrados entre os demais condutores.

Flexibilidade é principal motivo para trabalhar por aplicativos

Pela primeira vez, o IBGE também perguntou aos trabalhadores por que eles utilizavam plataformas digitais.

A flexibilidade de dias e horários apareceu como principal motivo, citada por 26,8% dos entrevistados.

Em seguida, 24,6% afirmaram que recorreram às plataformas porque não conseguiram encontrar outro trabalho.

Outros 20,8% disseram que os aplicativos ofereciam rendimento maior do que outras oportunidades disponíveis, enquanto 16,6% utilizavam as plataformas para complementar a renda.

Quase 40% dependem exclusivamente de um aplicativo

A pesquisa também analisou o grau de dependência dos trabalhadores em relação às plataformas.

Entre os 1,8 milhão de pessoas que utilizavam aplicativos na ocupação principal, 62,7% trabalhavam exclusivamente por meio dessas ferramentas.

Além disso, 62,5% utilizavam apenas uma plataforma, enquanto 30% trabalhavam com duas e 7,5% recorriam a três ou mais aplicativos.

Ao combinar os dois indicadores, o IBGE identificou que 38,8% dos trabalhadores plataformizados atuavam exclusivamente por aplicativos e dependiam de uma única plataforma.

Plataformas definem valores para maioria dos motoristas

Embora a maioria dos profissionais esteja classificada como trabalhador por conta própria, os aplicativos exercem influência sobre diferentes aspectos da atividade.

Entre os motoristas de transporte particular de passageiros, 80,2% afirmaram que a plataforma determinava totalmente o valor recebido por cada trabalho.

Entre os entregadores, esse percentual chegou a 78,3%.

Além disso, 81,1% dos motoristas disseram que a possibilidade de escolher os dias e horários influenciava a jornada. Ao mesmo tempo, 56,3% mencionaram incentivos, bônus ou promoções, enquanto 25,3% citaram ameaças de punições ou bloqueios.

Comércio eletrônico reúne 210 mil trabalhadores

A PNAD Contínua também passou a investigar o uso de plataformas de comércio eletrônico.

Em 2025, 210 mil trabalhadores por conta própria ou empregadores do comércio utilizavam essas plataformas para encontrar clientes e vender produtos, o equivalente a 4,2% de aproximadamente 5 milhões de pessoas nesse grupo.

Nesse segmento, as mulheres representavam 51,8% dos usuários das plataformas.

Além disso, 31,3% dos comerciantes plataformizados vendiam exclusivamente por meio do comércio eletrônico.

O rendimento médio mensal desse grupo chegou a R$ 4.932, valor 44,4% superior aos R$ 3.415 recebidos pelos comerciantes que não utilizavam plataformas digitais.

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