GELO NOS POLOS ATINGE MENOR NÍVEL DA HISTÓRIA
Mesmo em pleno inverno no Hemisfério Norte, a cobertura global de gelo marinho bateu um novo recorde de baixa em fevereiro de 2025
Cientistas alertam que o aquecimento global pode passar do limite crítico nesta década

Mesmo em pleno inverno no Hemisfério Norte, a cobertura global de gelo marinho bateu um novo recorde de baixa em fevereiro de 2025, segundo o Observatório Copernicus indica nesta quinta-feira (6). O Ártico registrou 8% a menos de gelo do que a média para o mês, enquanto a Antártica ficou 26% abaixo do esperado. O relatório mensal do Programa de Observação da Terra da União Europeia destaca que os três meses do inverno no norte (dezembro a fevereiro) foram quase tão quentes quanto o recorde do ano passado, evidenciando o ritmo acelerado do aquecimento global.
Aquecimento global acelerado
Os dados mais recentes confirmam uma tendência preocupante: os últimos dois anos foram marcados por sucessivos recordes de calor registrados por instituições meteorológicas de ponta. “Fevereiro de 2025 está alinhado com as temperaturas recordes ou quase recordes dos últimos anos”, afirma Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).
Ela reforça que “um dos impactos diretos do aquecimento global é a redução da cobertura de gelo marinho”, o que levou a uma extensão global mínima já registrada. O derretimento do gelo, que ocorre naturalmente no verão e se recompõe no inverno, tem acontecido de forma cada vez mais limitada.
Em 7 de fevereiro, o Copernicus constatou um recorde de baixa na área acumulada de gelo marinho no Ártico e na Antártica. No Hemisfério Sul, a camada de gelo da Antártida, apesar de não ter atingido o menor nível da história, ficou 26% abaixo da média para o período. O relatório indica que, se os dados forem confirmados, este pode ser o segundo menor mínimo já registrado por satélites.
Terceiro ano consecutivo de temperaturas extremas
O planeta está prestes a entrar no terceiro ano seguido de temperaturas excepcionalmente elevadas. Em 2024, o recorde de ano mais quente da história foi superado, ultrapassando os números de 2023.
Inicialmente, os especialistas previam uma redução gradual no aumento das temperaturas globais após o fim do fenômeno El Niño, que atingiu seu pico em janeiro de 2024 e contribuiu para o aquecimento adicional do planeta. No entanto, as temperaturas seguem elevadas e continuam atingindo ou se aproximando de novos recordes.
Fevereiro de 2025 foi o terceiro fevereiro mais quente já registrado, com temperaturas 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Esse aumento reforça a preocupação com o limite estabelecido pelo Acordo de Paris, que busca conter o aquecimento global abaixo desse patamar para evitar o agravamento de eventos climáticos extremos.
Segundo a ONU, o mundo pode ultrapassar permanentemente esse limite até o início da década de 2030, mas estudos recentes indicam que essa marca pode ser atingida ainda antes do fim desta década.
Fenômenos climáticos extremos se intensificam
Além das temperaturas elevadas, o mês de fevereiro foi marcado por eventos climáticos extremos. Incêndios florestais devastaram áreas da Argentina, enquanto ciclones atingiram o sudeste da África e o Pacífico Sul.
Embora a média global de temperatura tenha subido, o planeta apresentou contrastes térmicos significativos. Enquanto regiões como o Ártico, os Alpes, o Himalaia, o norte do Chile e da Argentina, o México, a Índia e a Flórida enfrentaram temperaturas muito acima do normal, partes do oeste dos Estados Unidos, Turquia, Leste Europeu, Oriente Médio e leste da Ásia registraram ondas de frio intensas.
Oceano permanece em estado de alerta
Cientistas alertam que o mundo pode ultrapassar permanentemente o limite crítico de aquecimento global ainda nesta década.
Os oceanos, que atuam como reguladores climáticos e absorvem mais de 90% do excesso de calor gerado pelas emissões de gases de efeito estufa, também permanecem anormalmente aquecidos. Em fevereiro, a temperatura média da superfície do mar atingiu 20,88°C, tornando-se a segunda mais alta já registrada para o mês.
O derretimento do gelo marinho, a intensificação dos eventos climáticos extremos e o aumento contínuo das temperaturas reforçam a urgência de ações para frear o avanço das mudanças climáticas. Especialistas alertam que o tempo para reverter esses impactos está se esgotando.
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