BEZERRO E BOI MAGRO SOBEM MAIS QUE O BOI GORDO E PRESSIONAM PECUARISTAS NO FIM DE 2025
Os preços dos bezerros e bois magros subiram mais do que o boi gordo no fim de 2025, encarecendo o novo ciclo de engorda e pressionando as margens do pecuarista. Segundo o Cepea, a oferta limitada e o confinamento em alta tornam o planejamento essencial para atravessar a virada do ciclo.
Foto: Reprodução / Internet
O fim de 2025 chega com um cenário desafiador para o pecuarista. Os preços do bezerro e boi magro subiram mais do que o boi gordo, o que encarece a reposição e eleva o custo do novo ciclo de engorda.
Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a diferença pressiona a relação de troca e exige maior planejamento financeiro do produtor.
Diferença de preços aumenta custos na reposição
Nas principais praças pecuárias, o criador precisa hoje de mais arrobas de boi gordo para adquirir um bezerro.
No Triângulo Mineiro (MG), são necessárias 9,92 arrobas para a compra, o que representa alta de 5,4% no mês e 41% em relação a 2024.
Em Cuiabá (MT), o índice é de 9,87 arrobas, aumento de 3,8% no mês e 19,7% no ano.
Essa diferença reduz o poder de compra e dificulta a recomposição do rebanho, especialmente para produtores de recria e engorda.
Oferta menor e confinamentos lotados impulsionam os preços
De acordo com o Cepea, a oferta limitada de bezerros é reflexo direto do abate recorde de fêmeas no primeiro semestre, o que restringe a produção de novos animais.
Além disso, a seca prolongada reduziu a capacidade das pastagens e empurrou muitos produtores para o confinamento.
Um levantamento da DSM/Tortuga mostra que a taxa de ocupação dos confinamentos atingiu o maior nível da série histórica, 18,5% acima do ano passado.
Com isso, a engorda ficou mais cara e o planejamento se tornou essencial para garantir rentabilidade.
Arroba do boi gordo reage com exportações em alta
Apesar do custo elevado na reposição, o boi gordo voltou a se valorizar em outubro.
A arroba subiu para R$ 320,00 em São Paulo, com alta de 6,6%, e chegou a R$ 310,00 em Goiânia.
Em Cuiabá, o preço foi de R$ 305,00, avanço de 3,3% em relação a setembro.
A valorização é sustentada pela demanda externa aquecida e pelas escalas curtas de abate nos frigoríficos.
No mercado atacadista, os preços também subiram, impulsionados pela reposição entre atacado e varejo e pelo aumento da circulação de dinheiro com o pagamento do décimo terceiro salário.
Exportações batem recorde e China segue no radar
As exportações brasileiras de carne bovina atingiram US$ 1,52 bilhão em outubro, com volume de 276 mil toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Houve alta de 48% em receita e 25% em volume em comparação a 2024.
A China segue como principal destino, respondendo por cerca de metade dos embarques.
Ainda assim, o mercado acompanha com atenção a investigação chinesa sobre importações, que pode resultar em novas medidas comerciais.
Perspectivas indicam virada de ciclo em 2026
Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, o Brasil caminha para uma virada de ciclo pecuário em 2026.
Com oferta menor e demanda firme, a arroba pode superar os R$ 350 e até alcançar R$ 360 no próximo ano.
“O pecuarista precisa estar atento à alta das categorias de reposição, porque isso pressiona margens. As exportações devem continuar sendo o fio condutor da valorização”, afirma Iglesias.
A recomendação é antecipar compras e adotar estratégias de hedge para reduzir os riscos de volatilidade.
Goiás registra alta com início das chuvas
Na região de Goiânia (GO), a chegada das chuvas reduziu a oferta e elevou os preços.
A arroba do boi gordo e da novilha subiu 1% na semana, alcançando R$ 298,50 e R$ 285,50, respectivamente.
Já a vaca gorda manteve estabilidade, cotada a R$ 276,00.
O diferencial em relação a São Paulo é de R$ 12,00/@, ou cerca de 4% menor.
Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade a leve alta, com oferta ainda restrita e demanda firme.
Futuros seguem em alta e indicam confiança
Na B3, os contratos futuros encerraram outubro com ganhos em todos os vencimentos.
O contrato de novembro/25 foi negociado a R$ 329,20/@, o de dezembro/25 chegou a R$ 334,20/@, e o de janeiro/26 fechou em R$ 335,50/@.
Esses números reforçam a confiança do mercado na continuidade da recuperação dos preços.
Com exportações firmes e consumo interno em alta, os analistas acreditam que o mercado seguirá aquecido, mas alertam: o controle de custos e o planejamento estratégico serão determinantes para garantir margens positivas em 2026.
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