BLACK FRIDAY 2025 EXPÕE CRISE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR BRASILEIRO

Indecisão recorde e comportamento mais racional desafiam varejo em ano de consumo contido

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Foto: Reprodução / Internet

14/11/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

A Black Friday 2025 chega marcada por incerteza e cautela. Segundo levantamento da Hibou em parceria com a Score Agency, 55% dos brasileiros ainda não decidiram se vão às compras, enquanto 31% já afirmam que não participarão. Assim, apenas 45% pretendem comprar, uma queda de nove pontos percentuais em relação a 2024.

Consumo mais calculado altera dinâmica da Black Friday

A edição de 2025 da Black Friday se aproxima em meio a um cenário que evidencia uma mudança profunda no comportamento de compra do brasileiro. Mais cauteloso, mais racional e menos impulsivo, o consumidor passa a tratar a data como um momento de análise e não mais de euforia. Como resultado, o varejo enfrenta um público mais exigente e disposto a comparar cada detalhe antes de confirmar um pedido.

Segundo a pesquisa, 42% monitoram preços antes do evento, reforçando um novo padrão de comportamento pautado pelo planejamento. Além disso, 22% começaram a pesquisar ainda em agosto e setembro, enquanto 17% iniciaram buscas no começo de novembro. Entretanto, ainda existe um grupo de 21% que não costuma pesquisar descontos, permanecendo vulnerável às promoções de fachada.

Nesse contexto, o ato de comprar também mudou de propósito. Para 88% dos consumidores, a compra será para uso próprio, enquanto apenas 7% pretendem aproveitar a data para adquirir itens caros. Dessa forma, o consumo de 2025 se consolida como um movimento de reposição e não de luxo.

Desconto segue decisivo — mas frete grátis ganha força

À medida que o consumidor se torna mais exigente, alguns fatores continuam soberanos na decisão de compra. O preço/desconto influencia 83% das escolhas, enquanto o frete grátis aparece em 42% das preferências. Em contrapartida, itens como cashback (6%), kits promocionais (13%) e experiência na loja física (10%) têm impacto reduzido, mostrando que o público busca vantagem direta e imediata.

No processo de pesquisa, a estratégia é clara: 47% analisam históricos de preços, 34% acessam sites oficiais e 27% observam o percentual de desconto. Assim, a Black Friday deixa de ser apenas um evento e passa a ser um teste de credibilidade para as marcas.

Itens de desejo perdem força e categorias do dia a dia crescem

Mesmo que o celular continue liderando a lista dos produtos mais desejados, o interesse caiu drasticamente de 20% para 12%. TVs também recuaram, de 18% para 10%. Em compensação, categorias como vestuário (31%), eletrodomésticos (30%), utilidades domésticas (26%) e produtos para pets (28%) ganham destaque, refletindo novas prioridades nas famílias brasileiras.

Domínio do digital e ascensão das redes sociais                        

Assim como nos últimos anos, o comércio online segue em vantagem. 61% planejam comprar em marketplaces, enquanto 40% preferem sites oficiais. Além disso, 56% descobrem ofertas pelas redes sociais, que se consolidam como principal vitrine da Black Friday contemporânea.

Sobre as entregas, a lógica também mudou: 37% aceitam qualquer prazo, contanto que o frete seja grátis, reforçando novamente o comportamento pragmático do consumidor.

Ceticismo cresce e histórico de preço vira regra

Conforme a Black Friday cresce em relevância, cresce também a desconfiança. 12% acreditam que a data é apenas vitrine, mais que o dobro de 2024. Por isso, histórico de preços, reputação da marca e transparência passam a ser decisivos, enquanto influenciadores digitais aparecem com peso mínimo (1%).

Além disso, a preocupação com propósito e responsabilidade socioambiental começa a influenciar compras: 51% preferem marcas com iniciativas sociais e ambientais. Ou seja, preço importa, mas valores também entram na decisão.

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