BRASIL ATINGE META DE REDUÇÃO DE HOMICÍDIOS DOIS ANOS ANTES DO PRAZO

País registrou taxa de 15,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, mas feminicídios e mortes provocadas por policiais aumentaram

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Foto: Reprodução / Internet

23/07/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O Brasil atingiu, em 2025, a meta nacional de redução dos homicídios prevista para 2027. Ao todo, o país registrou 32.914 homicídios dolosos, o equivalente a 15,4 casos por 100 mil habitantes, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

A Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social havia estabelecido o objetivo de reduzir o índice para até 16 homicídios por 100 mil habitantes. Dessa forma, o país alcançou o resultado dois anos antes do prazo.

Em 2024, a taxa estava em 17,1 casos por 100 mil habitantes. Portanto, a redução chegou a 10% em apenas um ano. Os homicídios dolosos são aqueles cometidos com a intenção de matar.

Mortes violentas caem ao menor nível desde 2012

Além da queda nos homicídios dolosos, o Anuário registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025. O número representa uma redução de 8,2% em relação aos 44.126 casos contabilizados no ano anterior.

Com isso, o país alcançou o menor total desde 2012, primeiro ano da série histórica produzida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Na comparação com o início do levantamento, a redução acumulada chegou a 31%.

Além disso, a taxa nacional caiu para 19,1 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. Assim, pela primeira vez, o indicador ficou abaixo de 20.

A categoria reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.

Queda ocorreu em 20 estados

A redução das mortes violentas ocorreu em 20 das 27 unidades federativas. Entre os estados com os maiores recuos, o Amazonas apresentou queda de 32,5%.

Em seguida, aparecem o Rio Grande do Sul, com redução de 25,7%, e Mato Grosso, com 23,2%.

Por outro lado, sete unidades da federação registraram aumento. O Rio Grande do Norte liderou a alta, com 19,6%. Logo depois aparecem Rondônia, com 7,5%, e Acre, com 6,3%.

Além disso, Roraima e Distrito Federal tiveram crescimento de 5,8%. Já Mato Grosso do Sul apresentou alta de 4,9%, enquanto o Rio de Janeiro registrou avanço de 2,1%.

Feminicídios batem recorde

Apesar da redução geral dos assassinatos, os feminicídios alcançaram o maior número desde a criação desse tipo penal, em 2015.

Ao todo, o país registrou 1.571 vítimas em 2025, alta de 4% na comparação com os 1.504 casos de 2024. Dessa maneira, mais de quatro mulheres foram assassinadas por dia, em média.

A legislação classifica como feminicídio o assassinato de uma mulher por razões relacionadas à violência doméstica e familiar, ao menosprezo ou à discriminação contra a condição feminina.

Além disso, outros registros de violência contra a mulher também aumentaram. Os casos de violência psicológica cresceram 17%, enquanto as ocorrências de perseguição, conhecida como stalking, avançaram 30%.

Ao mesmo tempo, os descumprimentos de medidas protetivas subiram 17%, e as ameaças apresentaram alta de 0,5%. O país também registrou três tentativas de feminicídio para cada crime consumado.

Mortes provocadas por policiais aumentam

Enquanto os indicadores gerais apresentaram queda, as mortes decorrentes de intervenções policiais cresceram em 2025.

Ao todo, 6.602 pessoas morreram em ações de policiais civis ou militares, aumento de 5,4% em relação ao ano anterior.

Com isso, essas ocorrências passaram a representar 16,2% das mortes violentas intencionais registradas no país. Ou seja, aproximadamente uma em cada seis mortes da categoria teve autoria policial.

Por outro lado, o número de policiais civis e militares mortos em serviço ou fora dele caiu 3,5%. Ao longo do ano, foram registradas 139 vítimas entre os agentes de segurança.

Pessoas negras são 8 em cada 10 vítimas

O levantamento também mostra que a violência letal permanece concentrada entre a população negra.

Pessoas negras representaram 79,7% das vítimas de mortes violentas intencionais. Além disso, corresponderam a 79,9% dos mortos por homicídio doloso.

Nas mortes decorrentes de intervenções policiais, por sua vez, a participação chegou a 82%. Segundo o Anuário, uma pessoa negra tem probabilidade 3,5 vezes maior de ser assassinada do que uma pessoa branca.

Os homens corresponderam a 90% das vítimas de mortes violentas. Já entre os mortos por policiais, a proporção masculina chegou a 99,3%.

Além disso, a faixa etária mais atingida reúne adolescentes, jovens e adultos jovens, principalmente pessoas entre 18 e 24 anos.

Nordeste concentra cidades mais violentas

Na análise regional, o Nordeste apresentou a maior taxa de mortes violentas intencionais, com 31,6 ocorrências por 100 mil habitantes.

Em seguida aparece o Norte, com 25,3 mortes por 100 mil habitantes. Por outro lado, as menores taxas foram registradas no Sul, com 11,9, e no Sudeste, com 12,6.

Além disso, os dez municípios com os maiores índices do país ficam no Nordeste. A Bahia reúne cinco cidades da lista, enquanto o Ceará possui três. Pernambuco e Paraíba aparecem com uma cidade cada.

Maranguape, no Ceará, liderou o ranking pelo segundo ano consecutivo. Além disso, o município foi o único a superar a marca de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes.

Santa Catarina, por sua vez, registrou a menor taxa entre os estados, com 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes. Dessa forma, o estado assumiu uma posição ocupada por São Paulo desde 2014.

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