CARROS ELÉTRICOS DESVALORIZAM ATÉ 49% EM QUATRO ANOS, APONTA IBV AUTO
Levantamento do banco BV mostra queda maior nos modelos elétricos em comparação com híbridos e veículos a combustão
Foto: Reprodução / Internet
Os carros elétricos usados registram desvalorização bem maior do que os modelos a combustão no mercado brasileiro. Segundo dados do IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a variação dos preços de automóveis leves usados no país, os elétricos lançados em 2022 acumulam queda de 49,3% até maio de 2026.
No mesmo período, os veículos a combustão comparáveis perderam 13,4% do valor. Dessa forma, o levantamento mostra um contraste importante entre os diferentes tipos de propulsão no mercado de usados.
Além disso, os elétricos lançados em 2023 também apresentaram forte desvalorização. Esses modelos acumulam queda de 45,6% até maio deste ano. Enquanto isso, os híbridos perderam 25,2%, e os carros a combustão recuaram 20%.
Preço dos elétricos novos pressiona usados
De acordo com o banco BV, a queda nos preços dos carros elétricos novos ajudou a pressionar o valor dos modelos usados. Além disso, estratégias mais agressivas das montadoras para acelerar a venda desses veículos também impactaram o mercado.
Com isso, os consumidores passaram a encontrar elétricos novos com preços mais competitivos, o que reduziu a atratividade de modelos seminovos e usados.
Portanto, mesmo com o crescimento da oferta de veículos eletrificados no Brasil, a manutenção do valor de revenda ainda aparece como um desafio para esse segmento.
Índice de usados sobe em maio
Apesar da forte desvalorização dos elétricos, o mercado geral de veículos usados apresentou alta em maio. O IBV Auto avançou 0,43% no mês, acelerando em relação a abril, quando havia subido 0,27%.
No entanto, o resultado ainda ficou abaixo da média do trimestre, que foi de 0,72%. Já no acumulado em 12 meses, o índice registra alta de 6,94%.
Segundo o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, o desempenho mostra uma oscilação dentro do esperado.
— O número mostra que o mercado não perdeu o ritmo. Esse comportamento é compatível com um ambiente no qual o consumo segue resiliente, mas começa a responder de forma mais sensível às condições financeiras, alternando meses de maior e menor demanda — afirmou.
Modelos populares puxam alta
A variação positiva de maio foi influenciada pelo desempenho de alguns modelos específicos. Entre os destaques, aparecem o Renault Kwid, com alta de 4,58%, o Honda HR-V, com avanço de 1,85%, e o Volkswagen Gol, que subiu 1,60%.
Por outro lado, modelos que vinham puxando altas recentes perderam força. O GM Onix, por exemplo, que havia contribuído para a valorização do índice por três meses consecutivos, caiu 0,36% em maio.
Além disso, o Onix Plus registrou a maior queda do período, com retração de 1,39%. Na sequência, aparecem o Fiat Mobi, com queda de 1,14%, e o Fiat Uno, com recuo de 1,12%.
Mercado mostra maior equilíbrio
Para o vice-presidente de varejo do banco BV, Jamil Ganan, o resultado de maio indica uma dinâmica mais equilibrada na formação dos preços.
— O resultado de maio do IBV Auto sugere uma dinâmica mais equilibrada na formação dos preços, apontando para um mercado sustentado por uma demanda ainda relevante, mas com sinais de acomodação e maior seletividade — disse.
Assim, o comportamento dos preços mostra que o mercado de usados ainda mantém demanda, mas começa a apresentar maior variação entre modelos, regiões e tipos de motorização.
Centro-Oeste tem maior alta regional
No recorte regional, o Centro-Oeste registrou a maior variação em maio, com alta de 0,99%. O destaque ficou para Mato Grosso do Sul, que teve a maior taxa entre todos os estados do país, com avanço de 1,19%.
Por outro lado, a região Norte teve a maior queda, com recuo de 0,23%. O movimento devolveu parte da forte valorização registrada em abril.
A queda atingiu cinco dos sete estados nortistas. Entre eles, Amapá e Tocantins registraram as maiores deflações do mês, ambos com recuo de 0,41%.
Rio de Janeiro, Paraná e Minas puxam alta em 12 meses
No acumulado em 12 meses, os maiores avanços nos preços dos usados ocorreram no Rio de Janeiro, com alta de 7,84%, no Paraná, com 7,42%, e em Minas Gerais, com 7,29%.
Enquanto isso, as variações mais tímidas apareceram no Espírito Santo, com 4,91%, em Mato Grosso, com 5,05%, e em Santa Catarina, com 5,27%.
Oferta menor também influencia preços
Além dos dados do IBV Auto, especialistas do setor automotivo apontam que a falta de modelos no mercado também ajuda a explicar a valorização de parte dos carros usados.
Segundo o especialista Ricardo Barbosa, o mercado vive um momento atípico, com oferta menor de veículos e preços mais altos tanto entre carros novos quanto usados.
Dessa forma, enquanto alguns modelos usados seguem valorizando, os elétricos enfrentam uma dinâmica diferente. A queda nos preços dos novos, a rápida evolução tecnológica e as estratégias comerciais das montadoras pressionam mais fortemente o valor de revenda desse tipo de veículo.
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