DÍVIDA PÚBLICA BRUTA SOBE PARA 80,4% DO PIB EM ABRIL, APONTA BANCO CENTRAL
Apesar do superávit primário acima do esperado, avanço dos juros pressionou o endividamento público no mês
Foto: Reprodução / Internet
A dívida pública bruta do Brasil voltou a subir em abril e chegou a 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira. Em março, o indicador estava em 80,0% do PIB.
Em valores nominais, a dívida bruta do governo geral alcançou cerca de R$ 10,4 trilhões. Além disso, a dívida líquida do setor público também avançou, passando de 66,8% para 67,4% do PIB no mês.
Apesar da alta no endividamento, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 24,6 bilhões em abril. O resultado superou a expectativa de economistas, que projetavam saldo positivo de R$ 22 bilhões.
Governo central puxa superávit
O bom desempenho das contas públicas em abril veio principalmente do governo central, que reúne Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social. O saldo positivo chegou a R$ 26,1 bilhões.
Além disso, Estados e municípios também contribuíram para o resultado, com superávit de R$ 329 milhões. Por outro lado, as empresas estatais registraram déficit de R$ 1,8 bilhão.
Mesmo com o resultado positivo no mês, o setor público ainda acumula déficit primário em 12 meses. O rombo chegou a R$ 126,6 bilhões, o equivalente a 0,97% do PIB.
Juros pressionam endividamento
O avanço da dívida ocorreu principalmente por causa dos juros nominais. Segundo o Banco Central, os juros adicionaram 0,9 ponto percentual ao indicador da dívida bruta em abril.
No mês, os juros nominais pagos pelo setor público somaram R$ 84,8 bilhões, acima dos R$ 69,7 bilhões registrados em abril do ano passado.
No acumulado em 12 meses, a conta de juros chegou a R$ 1,095 trilhão, o equivalente a 8,43% do PIB. Um ano antes, esse valor era de R$ 928,4 bilhões, ou 7,65% do PIB.
Crescimento do PIB e câmbio aliviam parte da pressão
Embora os juros tenham elevado a dívida, outros fatores ajudaram a limitar o avanço do indicador. Entre eles, aparecem o crescimento do PIB nominal e a valorização do real frente a outras moedas.
Ainda assim, nos quatro primeiros meses do ano, a dívida bruta acumulou alta de 1,7 ponto percentual do PIB. Nesse período, a incorporação dos juros respondeu por 3,3 pontos percentuais do aumento.
Por outro lado, o crescimento da economia em termos nominais e a valorização cambial reduziram parcialmente o impacto sobre o endividamento.
Déficit nominal passa de R$ 1,2 trilhão em 12 meses
Quando o pagamento de juros entra na conta, o resultado fiscal segue negativo. Em abril, o déficit nominal do setor público ficou em R$ 60,1 bilhões.
No acumulado de 12 meses, o déficit nominal alcançou R$ 1,22 trilhão, o equivalente a 9,41% do PIB. O percentual ficou estável em relação ao mês anterior.
O resultado nominal considera tanto o saldo primário quanto as despesas com juros. Portanto, mesmo com superávit primário no mês, o peso dos juros manteve as contas públicas no vermelho.
Cenário fiscal segue no radar
A alta da dívida ocorre em um ambiente de juros ainda elevados. Atualmente, a taxa Selic está em patamar restritivo, o que aumenta o custo de carregamento da dívida pública.
Além disso, o Banco Central acompanha os impactos da inflação, da política fiscal e das incertezas externas sobre a trajetória do endividamento. Nesse contexto, o comportamento das contas públicas segue como um dos principais pontos de atenção para o mercado financeiro.
A evolução da dívida também influencia a percepção de risco sobre a economia brasileira. Por isso, mesmo resultados positivos no curto prazo, como o superávit de abril, ainda precisam ser analisados junto ao peso dos juros e ao desempenho fiscal acumulado.
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