IGP-10 CAI 0,30% EM JUNHO COM RECUO DE PREÇOS AO PRODUTOR

Indicador surpreendeu o mercado ao registrar queda no mês, puxado pela deflação no atacado e pelo recuo de commodities como café, cana-de-açúcar e combustíveis

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Foto: Reprodução / Internet

16/06/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O Índice Geral de Preços-10, o IGP-10, caiu 0,30% em junho, depois de avançar 0,89% em maio. A Fundação Getulio Vargas, a FGV, divulgou os dados nesta terça-feira (16).

Com isso, o resultado surpreendeu o mercado financeiro. A expectativa em pesquisa da Reuters apontava alta de 0,34% no mês. Além disso, analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast esperavam resultado entre queda de 0,35% e alta de 0,92%, com mediana positiva de 0,54%.

Dessa forma, o indicador acumula alta de 3,16% em 2026 e avanço de 2,15% em 12 meses.

Preços ao produtor puxam queda

A principal influência para o recuo do IGP-10 veio dos preços ao produtor. O Índice de Preços ao Produtor Amplo, o IPA-10, caiu 0,71% em junho, após subir 0,95% em maio.

Esse componente responde por 60% do índice geral. Portanto, a deflação no atacado teve peso decisivo para levar o resultado do mês ao campo negativo.

Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, a queda de commodities relevantes para a economia brasileira puxou o desempenho de junho.

“O resultado do IGP-10 em junho foi fortemente influenciado pela queda dos preços ao produtor, especialmente de commodities relevantes como café, cana-de-açúcar e combustíveis, refletindo um cenário de acomodação nos preços internacionais e normalização de oferta”, afirmou.

Commodities têm recuo

Entre os destaques de queda aparecem produtos como café, cana-de-açúcar e combustíveis.

Além disso, o grupo de Matérias-Primas Brutas saiu de leve alta de 0,06% em maio para queda de 2,39% em junho.

Os demais estágios de produção também perderam força. Os Bens Intermediários avançaram 0,57%, abaixo da alta de 2,41% registrada no mês anterior. Já os Bens Finais desaceleraram de 0,81% para 0,49%.

Assim, os dados mostram alívio nas pressões de custos na cadeia produtiva, principalmente nos segmentos ligados a matérias-primas e insumos industriais.

Alimentos ainda pressionam alguns grupos

Apesar da queda no atacado, alguns itens agrícolas continuaram pressionando os preços.

Segundo o economista da FGV, produtos como batata-inglesa e feijão tiveram altas pontuais em junho por causa de fatores sazonais de oferta.

No varejo, por outro lado, a desaceleração dos combustíveis ajudou a conter o índice. No entanto, alimentos in natura e tarifas de energia ainda exerceram pressão de alta.

Dessa maneira, o resultado geral mostrou alívio em parte da cadeia produtiva, mas ainda apontou pressões localizadas no consumo.

Inflação ao consumidor desacelera

O Índice de Preços ao Consumidor, o IPC-10, subiu 0,56% em junho. Em maio, o avanço tinha sido de 0,68%.

Como o IPC-10 responde por 30% do IGP-10, a desaceleração no varejo também ajudou a reduzir a pressão sobre o indicador geral.

Entre os grupos pesquisados, o principal alívio veio de Transportes, que passou de alta de 0,29% para queda de 0,49%, com impacto da redução dos combustíveis.

Além disso, Saúde e Cuidados Pessoais desacelerou de 1,00% para 0,44%. Já Educação, Leitura e Recreação passou de 0,38% para 0,23%.

Por outro lado, grupos como Habitação, Vestuário, Comunicação, Despesas Diversas e Alimentação registraram aceleração.

Construção civil segue em alta

Na construção civil, o Índice Nacional de Custo da Construção, o INCC-10, subiu 0,92% em junho. No mês anterior, o índice tinha avançado 0,86%.

O aumento dos custos de mão de obra puxou o resultado. Esse grupo acelerou de 0,36% em maio para 0,80% em junho.

Enquanto isso, Materiais e Equipamentos e Serviços perderam força. Mesmo assim, a pressão da mão de obra manteve o INCC em trajetória de alta.

Com isso, a construção civil limitou uma queda mais intensa do IGP-10 no mês.

Índice mede preços entre maio e junho

O IGP-10 calcula a variação de preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil.

Para o índice de junho, a FGV coletou os preços entre 11 de maio e 10 de junho.

Assim, o indicador funciona como uma leitura parcial da inflação em diferentes etapas da economia. Além disso, reúne preços no atacado, no varejo e no setor da construção.

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