INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LIDERA EMPREGOS NO SETOR INDUSTRIAL EM 2024

Segmento empregou 2,1 milhões de pessoas e respondeu por 23% da receita líquida da indústria brasileira, segundo o IBGE

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

24/06/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A fabricação de produtos alimentícios foi a atividade que mais empregou na indústria brasileira em 2024. Segundo o IBGE, o segmento reuniu 2,1 milhões de trabalhadores ao longo do ano.

Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Anual – Empresa e Produto. Ao todo, o país tinha 8,7 milhões de pessoas ocupadas em 358,4 mil empresas industriais.

Além disso, as indústrias de transformação concentraram 97,1% dos trabalhadores do setor. Já as indústrias extrativas responderam por cerca de 249 mil postos.

Vestuário aparece em segundo lugar

Depois da fabricação de alimentos, a confecção de artigos do vestuário e acessórios apareceu como a segunda atividade com mais trabalhadores.

O segmento empregou 551,8 mil pessoas em 2024. Em seguida, vieram a fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com 517,1 mil ocupados, e a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com 491,9 mil.

Dessa forma, os quatro segmentos reuniram uma parcela relevante da mão de obra da indústria brasileira.

Empresas movimentaram R$ 8,8 trilhões

As empresas industriais registraram receita bruta total de R$ 8,8 trilhões em 2024.

Desse montante, R$ 7,4 trilhões vieram da venda de produtos e serviços industriais. Além disso, revendas e serviços não industriais somaram R$ 695,9 bilhões, enquanto outras receitas alcançaram R$ 706 bilhões.

Já a receita líquida de vendas, que desconta impostos, cancelamentos e descontos, chegou a R$ 6,8 trilhões.

Alimentos representam 23% da receita

As indústrias de transformação responderam por 92,9% da receita líquida de vendas da indústria nacional.

Nesse grupo, a fabricação de produtos alimentícios liderou, com 23% do total. Depois, apareceram a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com 10,1%, e a fabricação de produtos químicos, com 9,2%.

Além disso, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias respondeu por 8,9%, enquanto a metalurgia representou 6,4%.

Segundo o gerente da pesquisa, Marcelo Miranda, a presença dos alimentos entre os principais indicadores reflete a importância da cadeia produtiva que começa na agricultura e segue até a transformação industrial.

Indústria gerou R$ 2,6 trilhões em riqueza

O Valor de Transformação Industrial chegou a R$ 2,6 trilhões em 2024. O indicador representa a diferença entre o valor bruto da produção e os custos das operações industriais.

Assim, o VTI mede a riqueza efetivamente gerada pelas atividades do setor.

As indústrias de transformação foram responsáveis por 88,8% desse valor. Além disso, a fabricação de alimentos apareceu como a principal atividade em VTI em 18 das 27 unidades da Federação.

Grandes empresas concentram receita

Apesar do grande número de empresas menores, as indústrias de grande porte concentraram a maior parte da receita.

As companhias com 500 ou mais trabalhadores responderam por 67,9% da receita líquida, o equivalente a R$ 4,6 trilhões.

Enquanto isso, as empresas médias, com 100 a 499 trabalhadores, ficaram com 17,4%. Já as pequenas responderam por 8,7%, e as microempresas, por 6,1%.

Salários somam R$ 481 bilhões

As empresas industriais pagaram R$ 481,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações durante 2024.

Além disso, as indústrias de transformação concentraram 94,9% desse valor.

O salário médio do setor industrial ficou em três salários mínimos. Nas indústrias de transformação, a média foi de 2,9 salários mínimos. Já nas atividades extrativas, chegou a 5,4 salários mínimos.

A extração de petróleo e gás natural registrou a maior remuneração média, com 17,5 salários mínimos. Por outro lado, na transformação, o maior salário médio apareceu na fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com 7,9 salários mínimos.

Petróleo lidera produtividade

A extração de petróleo e gás natural também ocupou a primeira posição no ranking de produtividade.

O segmento gerou R$ 13,3 milhões por pessoa ocupada em 2024. Em seguida, a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis alcançou R$ 2,4 milhões por trabalhador.

No total da indústria, a produtividade média ficou em R$ 299,3 mil por trabalhador. Nas atividades extrativas, o valor chegou a R$ 1,2 milhão, enquanto nas indústrias de transformação ficou em R$ 273,6 mil.

Sudeste concentra atividade industrial

O Sudeste respondeu por 60,3% do Valor de Transformação Industrial do país.

Em seguida, apareceram Sul, com 19,1%; Nordeste, com 8,4%; Norte, com 6,3%; e Centro-Oeste, com 6%.

São Paulo liderou entre os estados, com 34,5% do VTI nacional. Já o Rio de Janeiro respondeu por 12,8%, impulsionado pelo petróleo, gás e derivados. Minas Gerais ficou com 10,8%, com participação da mineração, metalurgia e indústria de alimentos.

No Centro-Oeste, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ganharam destaque pela expansão da agroindústria, da fabricação de alimentos e dos biocombustíveis.

Petróleo lidera ranking de produtos

Na Pesquisa Industrial Anual – Produto, os óleos brutos de petróleo lideraram o ranking de receita pelo terceiro ano consecutivo.

O produto movimentou R$ 278,2 bilhões, o equivalente a 5,3% da receita líquida pesquisada. Depois, vieram minérios de ferro, com R$ 159,5 bilhões, e óleo diesel, com R$ 149,8 bilhões.

As carnes bovinas frescas ou refrigeradas ficaram na quarta posição, com R$ 106,4 bilhões em receita líquida de vendas.

O IBGE informou que uma mudança nos critérios usados para identificar empresas industriais ativas provocou quebra na série histórica. Por isso, os resultados de 2024 não permitem comparação direta com as edições anteriores, especialmente entre empresas com menos de cinco trabalhadores.

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