INFLAÇÃO MAIS FRACA REFORÇA EXPECTATIVA DE NOVO CORTE NA SELIC
IPCA de junho ficou abaixo do esperado, enquanto o mercado reduziu para 5,16% a projeção de inflação em 2026
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A inflação abaixo do esperado em junho reforçou a expectativa de que o Banco Central mantenha o ciclo gradual de redução da taxa básica de juros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, subiu 0,16% no mês, enquanto o mercado projetava uma alta próxima de 0,31%.
Além disso, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,72% para 4,64%. Apesar da melhora, o resultado ainda supera o teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%.
Ao mesmo tempo, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (13) mostrou uma nova redução na expectativa dos economistas para o IPCA de 2026. A estimativa caiu de 5,30% para 5,16%, na segunda revisão consecutiva para baixo.
Queda dos alimentos ajuda a conter inflação
A principal surpresa do IPCA de junho veio dos preços dos alimentos consumidos em casa. Depois da forte alta registrada em maio, itens como café, carnes e frutas ficaram mais baratos.
Com isso, o grupo alimentação exerceu uma pressão menor sobre o índice. Além disso, a desaceleração também alcançou a alimentação fora de casa, contribuindo para reduzir a inflação dos serviços.
Os combustíveis também registraram queda durante o mês. Da mesma forma, medicamentos, tarifas de água e esgoto e produtos industriais apresentaram resultados abaixo do esperado.
Segundo economistas, a composição do índice chamou atenção porque a desaceleração não ficou restrita a produtos com preços mais voláteis. Pelo contrário, ela também alcançou componentes considerados mais persistentes.
Mercado reduz projeção para o IPCA
De acordo com o Boletim Focus, a projeção para a inflação de 2026 caiu para 5,16%. Mesmo assim, a estimativa continua 0,66 ponto percentual acima do teto da meta.
Para 2027, por outro lado, a previsão subiu de 4,18% para 4,20%. Já para 2028, o mercado manteve a projeção em 3,70%.
Além disso, os economistas preservaram a estimativa de 3,50% para a inflação de 2029.
Desde 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua. Dessa forma, o Banco Central acompanha o IPCA acumulado em 12 meses, com objetivo central de 3% e margem de tolerância entre 1,50% e 4,50%.
Resultado amplia possibilidade de corte nos juros
Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, depois de três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual promovidos pelo Comitê de Política Monetária em 2026.
Agora, a inflação mais baixa aumenta as apostas de que o Copom realizará uma nova redução na reunião marcada para os dias 4 e 5 de agosto.
Além do IPCA, economistas também observam sinais de desaceleração da atividade econômica e do mercado de trabalho. Portanto, a combinação desses indicadores pode oferecer mais espaço para a continuidade dos cortes.
O mercado, no entanto, manteve em 14% ao ano a previsão para a Selic no encerramento de 2026. Entre as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, porém, a mediana caiu para 13,75%.
Para o fim de 2027, a previsão permaneceu em 12%. Já para 2028, os analistas projetam uma taxa de 10,50%.
Banco Central deve manter cautela
Apesar do resultado positivo, analistas ainda apontam riscos para o comportamento dos preços nos próximos meses.
O cenário fiscal continua no radar do mercado. Além disso, as incertezas relacionadas às eleições podem afetar as expectativas econômicas e o câmbio.
No cenário internacional, a alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio também pode pressionar os combustíveis. Consequentemente, um aumento mais intenso da energia poderia alcançar outros produtos e serviços.
Por isso, embora a inflação de junho tenha ampliado o espaço para uma nova redução da Selic, a expectativa predominante é de que o Banco Central mantenha uma postura gradual.
Projeções para PIB e dólar
O Boletim Focus manteve em 1,99% a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em 2026.
Para 2027, entretanto, a projeção caiu de 1,69% para 1,65%. Já para 2028 e 2029, os economistas mantiveram a expectativa de crescimento de 2%.
Em relação ao câmbio, o mercado continuou projetando o dólar em R$ 5,20 no fim de 2026. Para 2027, a estimativa permaneceu em R$ 5,28, enquanto a previsão para 2028 passou de R$ 5,35 para R$ 5,34.
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