IPCA-15 SOBE 0,41% EM JUNHO E FICA ABAIXO DO ESPERADO
Prévia da inflação desacelerou em relação a maio, mas acumulado em 12 meses avançou para 4,80%; energia e alimentos pressionaram o índice
Foto: Reprodução / Internet
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, subiu 0,41% em junho de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado mostra uma desaceleração em relação a maio, quando a prévia da inflação avançou 0,62%. Além disso, a taxa ficou ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,44%.
No acumulado do ano, o indicador registra avanço de 3,45%. Já em 12 meses, a taxa acelerou de 4,64% para 4,80%, maior resultado desde outubro.
Energia elétrica exerce maior impacto
A energia elétrica residencial subiu 2,04% e provocou o maior impacto individual sobre o IPCA-15 de junho, com contribuição de 0,08 ponto percentual.
A cobrança da bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor durante o mês. Dessa forma, os consumidores pagaram um valor adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.
Além disso, reajustes tarifários aplicados em algumas regiões pesquisadas também pressionaram as contas de luz.
Mesmo assim, o grupo Habitação desacelerou de 1,03% em maio para 0,72% em junho.
Batata e tomate pressionam alimentação
O grupo Alimentação e Bebidas avançou 0,74% em junho. No entanto, a alta perdeu força em comparação com maio, quando chegou a 1,38%.
A alimentação no domicílio também desacelerou, passando de 1,73% para 0,87%.
Ainda assim, alguns produtos registraram aumentos expressivos. A batata-inglesa subiu 29,42%, enquanto o tomate avançou 17,27%. Além disso, o feijão-carioca aumentou 14,29%, e a cebola teve alta de 9,54%.
No primeiro semestre, tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço. Os aumentos acumulados chegaram a 103,84%, 103,10% e 100,20%, respectivamente.
Por outro lado, o café moído caiu 3,69%, enquanto as frutas recuaram 0,96%.
Passagens aéreas ficam mais caras
O grupo Transportes apresentou queda de 0,03% em junho, apesar do aumento de alguns serviços e produtos.
As passagens aéreas subiram 7,24% e tiveram impacto de 0,05 ponto percentual sobre o índice geral. Além disso, as tarifas de ônibus urbano avançaram 1,18%, enquanto os automóveis novos ficaram 0,42% mais caros.
Entretanto, a redução dos combustíveis ajudou a conter o grupo. A gasolina caiu 0,73%, e o etanol recuou 5,30%.
No conjunto, os combustíveis apresentaram queda de 1,22% e retiraram 0,08 ponto percentual do IPCA-15.
Higiene pessoal e planos de saúde sobem
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais registrou alta de 0,47% em junho.
Os produtos de higiene pessoal avançaram 1,03% e contribuíram com 0,04 ponto percentual para o índice.
Além disso, os planos de saúde subiram 0,35%. A variação incorpora parte do reajuste de 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar para os contratos individuais e familiares.
Brasília registra maior inflação
Entre as 11 localidades pesquisadas, Brasília apresentou a maior variação do IPCA-15, com alta de 0,93%.
O resultado ocorreu principalmente por causa do aumento de 11,05% nas passagens aéreas e de 3,62% na gasolina.
Já Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador registraram as menores taxas, todas de 0,28%.
No Rio, a hospedagem caiu 5,98%, e o seguro voluntário de veículos recuou 4,69%. Em Curitiba, o emplacamento e a licença de veículos diminuíram 4,83%, enquanto a gasolina caiu 1,05%.
Em Salvador, por sua vez, o café moído recuou 5%, e a gasolina ficou 1,53% mais barata.
Resultado influencia expectativas para a Selic
Na semana anterior à divulgação do IPCA-15, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano.
Na ata da reunião, a autoridade monetária indicou que poderá alternar pausas e novos cortes ao longo do processo de redução dos juros.
Entretanto, o acumulado de 4,80% em 12 meses ainda indica pressão inflacionária. Por isso, economistas avaliam que os próximos passos dependerão do comportamento dos núcleos de inflação, das expectativas do mercado e do cenário internacional.
A pesquisa Focus mais recente projeta inflação de 5,33% em 2026 e de 4,15% em 2027. Além disso, o mercado estima que a Selic termine este ano em 14%.
Como o IPCA-15 é calculado
Para calcular o IPCA-15 de junho, o IBGE coletou preços entre 16 de maio e 16 de junho e comparou os valores com o período de 16 de abril a 15 de maio.
O indicador acompanha as despesas de famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos.
A pesquisa abrange as regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.
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