ONG APONTA FALHAS DO FACEBOOK NO COMBATE À DESINFORMAÇÃO ELEITORAL

Teste da Anistia Internacional mostra que oito de 15 anúncios com conteúdo falso foram aprovados para publicação

Screenshot 2026-08-27 at 09-20-17 Pode votar de chinelo Precisa levar o título de eleitor Relembre as regras para o segundo turno da eleição municipal - Seu Dinheiro

📷Reprodução/Internet

27/08/2026 ◦ Por: Ediana Pimenta

A menos de 40 dias do primeiro turno das eleições, um teste realizado pela Anistia Internacional Brasil apontou falhas nos mecanismos de moderação de anúncios do Facebook para identificar conteúdos com desinformação eleitoral.

A organização submeteu 15 anúncios à plataforma, todos em português e direcionados ao público brasileiro em idade de votar. Oito foram aprovados para publicação, apesar de apresentarem informações falsas relacionadas às eleições. Outros sete foram rejeitados por motivos ligados às políticas de publicidade da plataforma, e não especificamente pelo conteúdo desinformativo.

Entre os materiais analisados, havia alegações falsas sobre candidatos e instituições eleitorais, além de informações incorretas sobre o processo de votação, como datas, regras e candidatos.

Dos oito anúncios aprovados, quatro apresentavam conteúdos de deslegitimação eleitoral. Outros dois defendiam ideias relacionadas ao autoritarismo e à intervenção militar ou questionavam a participação nas eleições. Os demais reuniam características de diferentes tipos de desinformação analisados pela entidade.

Para a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, o resultado é preocupante e mostra que a Meta precisa aprimorar os mecanismos utilizados para impedir a disseminação de conteúdos falsos.

O teste também identificou falhas relacionadas à identificação e à transparência dos anúncios políticos. Segundo a organização, foi possível enviar os conteúdos sem declarar que eles faziam parte das categorias especiais de publicidade relacionadas a questões sociais, eleições ou política.

A conta utilizada no experimento também não havia concluído a verificação de identidade exigida pela Meta. Com isso, os anúncios puderam ser enviados sem a identificação de pagamento prevista pela própria plataforma para conteúdos relacionados às eleições.

Anistia cobra medidas da Meta

A Anistia Internacional defende que a Meta amplie os mecanismos de moderação em português brasileiro, principalmente na análise de anúncios, e adote medidas para reduzir os riscos de desinformação durante o processo eleitoral.

A organização também cobra mais transparência e uma avaliação contínua dos impactos que os sistemas da empresa podem causar sobre o acesso à informação e a participação política.

Segundo a entidade, a publicidade direcionada é uma parte central do modelo de negócios da Meta e representou 98% da receita da empresa no primeiro trimestre de 2026.

Meta contesta levantamento

Procurada pela imprensa, a Meta afirmou que o relatório da Anistia Internacional foi baseado em uma amostra muito pequena de anúncios. A empresa ressaltou que os conteúdos analisados não chegaram a ser publicados nem foram vistos por usuários.

A companhia também informou que utiliza diferentes etapas de análise e detecção de anúncios, antes e depois da publicação, e que vem destinando recursos para proteger o processo eleitoral de 2026 no Brasil.

De acordo com a Meta, as medidas incluem mecanismos de transparência para publicidade e protocolos específicos para anúncios relacionados a questões sociais, eleições e política. A empresa afirmou ainda que essas ações continuarão durante todo o período eleitoral.

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