UNIÃO EUROPEIA AVANÇA EM ACORDO INÉDITO COM O MERCOSUL

Acordo cria a maior área de livre-comércio do mundo, com cerca de 700 milhões de consumidores, e avança apesar da resistência de países como França e Polônia

mmmmmmm

📷 Reprodução: European Comission

09/01/2026 ◦ Por: Segismar Júnior

A União Europeia deu um passo decisivo nesta sexta-feira (9) ao aprovar o acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura, já na próxima semana, do maior tratado de livre-comércio já negociado pelo bloco europeu. A decisão encerra mais de duas décadas de negociações entre europeus e sul-americanos e ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.

O aval foi dado durante uma reunião de embaixadores da União Europeia em Bruxelas, segundo informações de agências internacionais, que citaram diplomatas e fontes do bloco. Mesmo com a oposição de França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda, e a abstenção da Bélgica, a maioria dos países apoiou o texto.

Considerado o maior acordo comercial já concluído pela UE, o tratado põe fim a 26 anos de negociações entre a Comissão Europeia e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Para viabilizar o avanço, os países europeus concordaram com a adoção de salvaguardas que ampliam o monitoramento do mercado interno, especialmente para proteger o setor agrícola europeu.

As medidas incluem mecanismos automáticos de defesa caso haja um aumento expressivo das importações vindas do Mercosul. A Itália liderou a proposta de reduzir o percentual que aciona essas salvaguardas, de 8% para 5%, embora ainda não esteja definido se essa mudança será incorporada à versão final do acordo.

O tratado prevê a criação da maior área de livre-comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas. Para Bruxelas, o acordo tem peso estratégico em meio ao avanço da China no comércio global e à crescente influência do país na América Latina. As negociações também ocorrem em um cenário de maior instabilidade no comércio internacional, marcado pelo aumento do uso de tarifas pelos Estados Unidos.

Do lado europeu, setores como o automotivo, o de aviação, máquinas industriais e exportações agrícolas, incluindo produtos como vinho e queijo, estão entre os principais beneficiados pela redução de tarifas. A expectativa é que o acordo amplie o acesso a mercados e fortaleça a competitividade das empresas europeias.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai na próxima semana para assinar oficialmente o acordo. Mesmo após a assinatura, o texto ainda precisará do aval do Parlamento Europeu. Além disso, os trechos que vão além da política comercial também terão de ser aprovados pelos parlamentos nacionais dos países da União Europeia.

 

Você também vai gostar de ler