O PT E A REFORMA QUE NUNCA FOI PRIORIDADE

Discurso muda no momento em que o tema ganha força no debate nacional

GILMAR-MENDES-ROMEU-ZEMA-FANTOCHES.jpg

Reprodução / Instagram

27/04/2026 ◦ Por: Andréia Nikely

Não são sátiras, não são os bonequinhos, não são os intocáveis. O PT, que se coloca na defesa de Alexandre de Moraes, na defesa de Gilmar Mendes, na defesa do seu ex-filiado Dias Toffoli e de outros membros da própria Suprema Corte, agora também passa a levantar a bandeira da reforma do Judiciário.

Para se ter uma ideia, essa discussão já está sendo travada, e o partido coloca isso exatamente para dizer que defende, não necessariamente que vá colocar em prática. Na política, muitas vezes, o discurso cumpre um papel estratégico. Fala-se no debate que vai ter churrasco, que vai ter carne, que vai ter cerveja. Aqui, claro, de forma ilustrativa. Ganha-se a eleição e, no final das contas, não tem picanha, tem abóbora.

Ainda assim, o registro está feito. Está no programa, está no discurso, está no posicionamento público. E isso, por si só, já cumpre um objetivo político.

Tanto é que Romeu Zema aparece agora nas pesquisas exatamente porque trouxe esse debate. Fora de Minas Gerais, pouca gente o conhecia, a não ser quem acompanha mais de perto o meio político e jornalístico. Ao chamar esses “intocáveis” para o confronto e afirmar que é preciso mudar, ele colocou o dedo em uma ferida exposta, e uma ferida gigantesca.

Zema trouxe isso para o centro da discussão, ganhou visibilidade e, muito provavelmente, deve crescer nas pesquisas. Se continuar nessa linha, tende a se fortalecer ainda mais.

E há um ponto importante. Membros do STF, ao demonstrarem incômodo, acabam dando ainda mais fôlego a esse movimento. Se tratassem como sátira, talvez o efeito fosse outro. Mas, ao reagirem, ampliam o alcance do debate e fortalecem justamente quem decidiu bater nessa tecla.

Você também vai gostar de ler