PARCELA DE BRASILEIROS QUE ASSOCIA POBREZA À PREGUIÇA QUASE DOBRA, DIZ DATAFOLHA

Percentual subiu de 22% em 2022 para 40% em 2026, enquanto 58% ainda apontam a falta de oportunidades como principal causa da pobreza

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Foto: Reprodução / Internet

04/07/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A parcela de brasileiros que associa a pobreza à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar” quase dobrou nos últimos quatro anos, segundo pesquisa Datafolha.

Em 2022, 22% dos entrevistados compartilhavam essa visão. Agora, em 2026, o percentual chegou a 40%, o maior da série histórica da pesquisa.

Apesar do avanço, a maioria ainda relaciona a pobreza à falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida. No entanto, essa parcela caiu de 76% para 58% no mesmo período.

Além disso, 3% dos entrevistados não souberam responder.

Percentual é o maior da série histórica

O Datafolha acompanha essa percepção desde 2013.

Naquele ano, 32% dos brasileiros associavam a pobreza à falta de vontade de trabalhar. Depois disso, o percentual subiu para 37% em 2014.

Já em 2017, a taxa caiu para 21%. Em seguida, ficou em 22% em 2022 e, agora, alcançou 40%.

Dessa forma, o resultado de 2026 representa o maior nível já registrado pelo instituto.

Visão varia de acordo com a renda

A pesquisa também mostra diferenças de acordo com a renda familiar dos entrevistados.

Entre as pessoas que recebem até dois salários mínimos por mês, os percentuais acompanham a média nacional. Assim, 40% associam a pobreza à preguiça, enquanto 58% apontam a falta de oportunidades.

Já entre aqueles que recebem de dois a cinco salários mínimos, 43% relacionam a pobreza à falta de vontade de trabalhar. Por outro lado, 55% citam a desigualdade de oportunidades.

Curiosamente, a maior parcela dos que associam a pobreza à falta de oportunidades aparece entre os entrevistados com renda superior a dez salários mínimos. Nesse grupo, o percentual chega a 63%.

Empresários registram maior percentual

Além da renda, o Datafolha também analisou as respostas de acordo com a ocupação econômica.

Entre os empresários, 56% acreditam que boa parte da pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar.

Esse é o maior percentual entre todas as ocupações analisadas.

Por outro lado, os funcionários públicos apresentam a menor proporção dos que compartilham dessa visão. Nesse grupo, o índice fica em 28%.

Jovens citam mais a falta de oportunidades

A idade também influencia as respostas.

Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, apenas 22% associam a pobreza à preguiça. Ao mesmo tempo, 74% apontam a falta de oportunidades.

Já entre as pessoas com 60 anos ou mais, as duas posições aparecem em empate técnico.

Nesse grupo, 49% ligam a pobreza à preguiça, enquanto 48% defendem que o problema está relacionado à falta de oportunidades.

Eleitores apresentam opiniões diferentes

O levantamento também mostra diferenças de acordo com a intenção de voto para a Presidência da República.

Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, 28% associam a pobreza à preguiça, enquanto 70% apontam a falta de oportunidades.

Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 52% relacionam a pobreza à falta de vontade de trabalhar, enquanto 44% citam a desigualdade de oportunidades.

Segundo o Datafolha, a pergunta faz parte do eixo de comportamento da matriz ideológica do instituto.

Pesquisa ouviu mais de 2 mil eleitores

O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros.

As entrevistas ocorreram nos dias 17 e 18 de junho de 2026.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando o total da amostra. Além disso, o nível de confiança é de 95%.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.

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