OTAN ANUNCIA ACORDOS BILIONÁRIOS EM ARMAMENTOS DURANTE CÚPULA COM TRUMP

Aliança apresenta novos projetos militares e contratos que podem superar US$ 50 bilhões em meio à pressão dos Estados Unidos por mais gastos em defesa

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Foto: Reprodução / Internet

07/07/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A Organização do Tratado do Atlântico Norte anunciou uma série de acordos bilionários para a compra de armamentos e equipamentos militares durante a cúpula realizada em Ancara, na Turquia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou à capital turca nesta terça-feira (7). Ao mesmo tempo, a aliança apresentou novos projetos de defesa em meio à pressão do governo americano para que os demais países ampliem os gastos militares.

Segundo o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, países integrantes da aliança e empresas dos dois lados do Atlântico devem assinar contratos avaliados em bilhões de dólares.

De acordo com um diplomata que acompanha as negociações, o valor total pode superar  US$ 50 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 256 bilhões.

Aliança busca ampliar capacidade militar

A Otan, como organização, não possui a maior parte dos armamentos utilizados pelos países integrantes.

No entanto, a aliança administra alguns equipamentos conjuntos, como uma frota de 14 aviões de alerta antecipado por radar AWACS, além de drones de vigilância.

Agora, um dos principais projetos anunciados prevê a substituição dos aviões AWACS, que têm cerca de 50 anos de uso.

A fabricante sueca Saab fornecerá até dez aeronaves de vigilância GlobalEye para um consórcio formado por dez países.

Segundo o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, os novos aviões serão produzidos dentro da própria aliança.

Projetos incluem drones e aviões de reabastecimento

Além das aeronaves de vigilância, a Otan anunciou projetos conjuntos em outras áreas.

Representantes de 15 países apresentaram um acordo para a compra de aviões da Airbus destinados ao reabastecimento aéreo e ao transporte militar.

Ao mesmo tempo, quatro países devem adquirir até cinco drones de vigilância Triton para ampliar a capacidade de monitoramento da aliança.

Dessa forma, a Otan pretende aumentar a produção e a aquisição de drones, mísseis, interceptadores e outros equipamentos de defesa.

União Europeia ajuda a financiar projetos

Parte dos investimentos poderá contar com recursos de um programa da União Europeia destinado à defesa.

O sistema prevê até US$ 170 bilhões em empréstimos com juros baixos, financiados por recursos captados nos mercados de capitais.

Segundo Rutte, a intenção é transformar o poder econômico dos aliados em maior capacidade militar.

“Precisamos garantir que estamos traduzindo nosso poderio econômico em capacidades militares, aplicando os recursos financeiros em projetos de defesa, drones, mísseis e interceptores”, afirmou.

Trump pressiona aliados por mais gastos

Os anúncios ocorrem em meio às críticas de Donald Trump à participação financeira dos países europeus na Otan.

Os Estados Unidos são o país que mais contribui para a capacidade militar da aliança. No entanto, Trump já ameaçou reduzir o papel americano caso os demais integrantes não aumentem seus investimentos em defesa.

Além disso, o presidente classificou anteriormente a Otan como um “tigre de papel” dependente das armas e da liderança dos Estados Unidos.

Por isso, a ampliação dos investimentos também funciona como uma resposta às cobranças americanas.

Otan destaca mais de US$ 1 trilhão em gastos

Nas últimas semanas, Mark Rutte intensificou a tentativa de demonstrar a Trump que os aliados europeus e o Canadá ampliaram os gastos militares.

Para isso, o secretário-geral apresentou um gráfico chamado de “O Trilhão de Trump”.

Segundo os dados divulgados pela aliança, os países europeus e o Canadá investiram US$ 1,2 trilhão em defesa desde 2017.

Além disso, Rutte defende que os novos contratos também geram empregos nos Estados Unidos e na Europa.

EUA querem ampliar exportações militares

Representantes do governo americano também defenderam o aumento da produção de armamentos.

Durante o fórum, o subsecretário de Defesa dos Estados Unidos, Michael Duffy, afirmou que a capacidade industrial precisa crescer em diferentes setores.

Além disso, o governo americano pretende ampliar as exportações de equipamentos militares para países aliados.

Ao mesmo tempo, Washington busca parcerias para aumentar a produção de armamentos em território europeu.

Guerra na Ucrânia ampliou importância da aliança

A invasão da Ucrânia pela Rússia também acelerou os investimentos em defesa entre os países integrantes da Otan.

Desde o início do conflito, a aliança ganhou novos membros e ampliou a presença militar perto das fronteiras russas.

A Finlândia entrou na Otan em 2023. Depois disso, a Suécia se tornou o integrante mais recente, em 2024.

Além disso, os países membros aumentaram a produção de tanques, munições de artilharia, drones e caças.

Embora a Otan não forneça armamentos diretamente à Ucrânia, seus integrantes já enviaram equipamentos avaliados em dezenas de bilhões de dólares ao país.

Otan reúne 32 países

A Otan foi criada em 1949, após a Segunda Guerra Mundial, e atualmente reúne 32 países.

O principal ponto do tratado é o Artigo 5, que estabelece que um ataque contra um integrante da aliança deve ser considerado um ataque contra todos.

O mecanismo foi acionado uma única vez, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

A cúpula da Otan ocorre em Ancara, na Turquia, com a previsão de novos anúncios de contratos e projetos militares ao longo dos dois dias de reuniões.

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