RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL DISPARA NO BRASIL COM PRESSÃO DOS JUROS ALTOS

Empresas ampliam uso do mecanismo para renegociar dívidas diretamente com credores e evitar custos da recuperação judicial

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Foto: Reprodução / Internet

07/07/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O número de empresas que recorrem à recuperação extrajudicial aumentou fortemente no Brasil nos últimos anos. Pressionadas pelos juros elevados e pelo aumento do custo das dívidas, companhias de diferentes setores passaram a buscar acordos diretos com credores.

Em 2021, foram registrados apenas 16 pedidos. Já no ano passado, o número chegou a 84 casos, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial.

Além disso, em 2026, outras 33 empresas já recorreram ao mecanismo.

O caso de maior repercussão foi o da Raízen, que apresentou um plano envolvendo R$ 65,1 bilhões em dívidas. No entanto, a companhia está longe de ser a única a buscar essa alternativa.

Juros altos pressionam empresas

Um dos principais fatores para o avanço das recuperações extrajudiciais é a manutenção dos juros em nível elevado.

Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano. Dessa forma, empresas endividadas enfrentam custos maiores para refinanciar seus compromissos.

Além disso, muitas companhias contraíram empréstimos durante a pandemia, quando a taxa básica de juros caiu ao mínimo histórico de 2% ao ano.

Depois disso, porém, o forte aumento da Selic tornou essas dívidas mais caras.

Com isso, empresas que antes conseguiam administrar seus compromissos passaram a enfrentar dificuldades maiores para manter os pagamentos.

Reforma de 2020 ampliou uso do mecanismo

Além dos juros, uma reforma aprovada em 2020 também contribuiu para o crescimento da recuperação extrajudicial.

A mudança tornou as negociações mais flexíveis e permitiu que as empresas escolhessem determinadas classes de credores para participar do processo.

Dessa forma, as companhias passaram a negociar antes que a situação financeira se tornasse grave o suficiente para exigir uma recuperação judicial.

Além disso, especialistas apontam que houve uma mudança cultural no mercado, com maior aceitação desse tipo de reestruturação.

Qual a diferença para a recuperação judicial

Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com grupos específicos de credores.

Depois que a maioria simples aprova o plano, o acordo passa a valer para todos os credores incluídos naquela classe.

Assim, mesmo aqueles que rejeitaram a proposta não conseguem impedir a implementação do plano.

Por outro lado, a recuperação judicial envolve um processo mais amplo e complexo.

Além disso, ela normalmente afeta um número maior de credores e pode prejudicar a reputação da companhia e o acesso a novas linhas de crédito.

Por isso, a recuperação extrajudicial tem sido cada vez mais associada a crises financeiras menos graves.

Casos de grandes empresas aumentam

O mecanismo ganhou maior visibilidade em 2024, quando a Casas Bahia obteve aprovação para uma recuperação extrajudicial de aproximadamente R$ 4,1 bilhões.

Segundo a empresa, o plano não atingiu fornecedores, parceiros comerciais, clientes ou funcionários.

Depois disso, outros casos importantes ganharam destaque, como o da Tok&Stok.

Mais recentemente, o GPA também solicitou aprovação para reorganizar uma dívida de cerca de R$ 4,5 bilhões.

Além disso, empresas do agronegócio passaram a recorrer com maior frequência ao mecanismo diante do aumento do endividamento no setor.

Dívidas superam R$ 109 bilhões em 2026

Impulsionado pelo caso da Raízen, o volume de dívidas das empresas que entraram com pedidos de recuperação extrajudicial em 2026 já supera R$ 109 bilhões.

Para efeito de comparação, em 2024, o total envolvido nos processos chegou a R$ 41,5 bilhões.

Dessa forma, o crescimento não aparece apenas no número de empresas, mas também no tamanho das dívidas renegociadas.

Além disso, a onda de reestruturações aumentou a preocupação dos investidores com o risco de crédito das companhias brasileiras.

Mercado acompanha risco de crédito

Os juros elevados, os conflitos internacionais e o aumento das reestruturações empresariais fizeram investidores ampliarem a atenção sobre a capacidade de pagamento das companhias.

Nesse cenário, empresas com elevado endividamento passaram a enfrentar maior dificuldade para captar recursos.

Além disso, o aumento do risco pode encarecer ainda mais novas operações de crédito.

Por isso, especialistas esperam que outras empresas recorram à recuperação extrajudicial nos próximos meses.

Mecanismo deve continuar crescendo

A expectativa é de que o número de recuperações extrajudiciais continue aumentando.

A combinação entre juros elevados, alto endividamento e maior conhecimento sobre o mecanismo deve manter essa tendência.

Além disso, o processo permite que empresas renegociem compromissos antes que a situação se agrave.

Até o momento, 33 companhias recorreram à recuperação extrajudicial em 2026, envolvendo mais de R$ 109 bilhões em dívidas.

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