FGV: 69,1% DOS TRABALHADORES CONSEGUIRAM PAGAR CONTAS ESSENCIAIS NO 2º TRIMESTRE

Apesar da melhora na comparação anual, indicador recuou pelo quarto período consecutivo; alimentação continua sendo o principal peso no orçamento

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Foto: Reprodução / Internet

15/07/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

Uma parcela de 69,1% dos trabalhadores brasileiros afirmou ter conseguido pagar as contas essenciais com a renda recebida nos três meses encerrados em junho de 2026.

O resultado consta na 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho, da Sondagem de Mercado de Trabalho do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, o FGV Ibre.

Na comparação com o mesmo período de 2025, o percentual avançou 2,6 pontos percentuais. No entanto, o indicador registrou a quarta queda consecutiva na comparação com os períodos anteriores.

Em fevereiro, a proporção de trabalhadores com renda suficiente havia atingido 72,4%. Depois disso, passou a recuar e ficou em 70,3% em maio, antes de chegar aos atuais 69,1%.

Parcela com renda insuficiente aumentou

Enquanto a maioria dos entrevistados ainda consegue arcar com as despesas básicas, a parcela que considera a renda insuficiente aumentou.

Em maio, 27,9% dos trabalhadores afirmavam não conseguir pagar as contas essenciais. Em junho, por outro lado, esse índice chegou a 30,9%.

Segundo o superintendente adjunto do FGV Ibre, Rodolpho Tobler, a melhora da renda observada no mercado de trabalho ainda permite que boa parte da população mantenha as despesas básicas em dia.

Contudo, o economista avalia que a sequência de quedas pode estar relacionada à desaceleração do mercado de trabalho.

Alimentação é o principal peso no orçamento

A alimentação permanece como a despesa que mais afeta o orçamento das famílias. O item foi citado por 75% dos entrevistados entre os três principais gastos do período.

Em seguida, aparecem as contas de serviços públicos, mencionadas por 50,3% dos participantes. Já o aluguel ou financiamento da moradia foi apontado por 45,6%.

Além disso, o transporte apresentou o maior aumento na comparação anual. Em 2025, apenas 2% dos entrevistados incluíam esse gasto entre os três principais pesos do orçamento.

Agora, a proporção subiu para 27,6%.

Alta dos combustíveis elevou custo do transporte

De acordo com Rodolpho Tobler, as contas de serviços públicos e o transporte foram os itens que mais ganharam espaço no orçamento familiar.

No caso do transporte, o aumento está ligado principalmente à elevação dos preços dos combustíveis.

Dessa forma, o gasto passou a comprometer uma parcela maior da renda, mesmo entre trabalhadores que conseguiram pagar as contas consideradas essenciais.

Satisfação com o trabalho permanece estável

A pesquisa também avaliou o grau de satisfação dos entrevistados com o trabalho.

A parcela dos que se declararam muito satisfeitos passou de 12,6% em maio para 12,5% em junho. Ao mesmo tempo, o grupo dos satisfeitos recuou levemente, de 64,1% para 64%.

Já os entrevistados que se consideram neutros passaram de 16% para 16,1%.

Por outro lado, os índices dos insatisfeitos e muito insatisfeitos permaneceram estáveis, em 6,9% e 0,4%, respectivamente.

Desaceleração deve ocorrer de forma gradual

Para os próximos meses, a FGV não espera uma reversão imediata da tendência de queda no indicador de renda suficiente.

Segundo Tobler, o ritmo menos intenso do mercado de trabalho pode limitar uma recuperação. Mesmo assim, a expectativa é de que o percentual permaneça em um patamar considerado positivo, já que a desaceleração deve ocorrer de forma gradual.

A Sondagem de Mercado de Trabalho consulta pessoas em idade para trabalhar em todo o território nacional e acompanha temas como satisfação profissional, risco de perda de renda, proteção social e expectativa para o mercado de trabalho.

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