FGV: 69,1% DOS TRABALHADORES CONSEGUIRAM PAGAR CONTAS ESSENCIAIS NO 2º TRIMESTRE
Apesar da melhora na comparação anual, indicador recuou pelo quarto período consecutivo; alimentação continua sendo o principal peso no orçamento
Foto: Reprodução / Internet
Uma parcela de 69,1% dos trabalhadores brasileiros afirmou ter conseguido pagar as contas essenciais com a renda recebida nos três meses encerrados em junho de 2026.
O resultado consta na 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho, da Sondagem de Mercado de Trabalho do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, o FGV Ibre.
Na comparação com o mesmo período de 2025, o percentual avançou 2,6 pontos percentuais. No entanto, o indicador registrou a quarta queda consecutiva na comparação com os períodos anteriores.
Em fevereiro, a proporção de trabalhadores com renda suficiente havia atingido 72,4%. Depois disso, passou a recuar e ficou em 70,3% em maio, antes de chegar aos atuais 69,1%.
Parcela com renda insuficiente aumentou
Enquanto a maioria dos entrevistados ainda consegue arcar com as despesas básicas, a parcela que considera a renda insuficiente aumentou.
Em maio, 27,9% dos trabalhadores afirmavam não conseguir pagar as contas essenciais. Em junho, por outro lado, esse índice chegou a 30,9%.
Segundo o superintendente adjunto do FGV Ibre, Rodolpho Tobler, a melhora da renda observada no mercado de trabalho ainda permite que boa parte da população mantenha as despesas básicas em dia.
Contudo, o economista avalia que a sequência de quedas pode estar relacionada à desaceleração do mercado de trabalho.
Alimentação é o principal peso no orçamento
A alimentação permanece como a despesa que mais afeta o orçamento das famílias. O item foi citado por 75% dos entrevistados entre os três principais gastos do período.
Em seguida, aparecem as contas de serviços públicos, mencionadas por 50,3% dos participantes. Já o aluguel ou financiamento da moradia foi apontado por 45,6%.
Além disso, o transporte apresentou o maior aumento na comparação anual. Em 2025, apenas 2% dos entrevistados incluíam esse gasto entre os três principais pesos do orçamento.
Agora, a proporção subiu para 27,6%.
Alta dos combustíveis elevou custo do transporte
De acordo com Rodolpho Tobler, as contas de serviços públicos e o transporte foram os itens que mais ganharam espaço no orçamento familiar.
No caso do transporte, o aumento está ligado principalmente à elevação dos preços dos combustíveis.
Dessa forma, o gasto passou a comprometer uma parcela maior da renda, mesmo entre trabalhadores que conseguiram pagar as contas consideradas essenciais.
Satisfação com o trabalho permanece estável
A pesquisa também avaliou o grau de satisfação dos entrevistados com o trabalho.
A parcela dos que se declararam muito satisfeitos passou de 12,6% em maio para 12,5% em junho. Ao mesmo tempo, o grupo dos satisfeitos recuou levemente, de 64,1% para 64%.
Já os entrevistados que se consideram neutros passaram de 16% para 16,1%.
Por outro lado, os índices dos insatisfeitos e muito insatisfeitos permaneceram estáveis, em 6,9% e 0,4%, respectivamente.
Desaceleração deve ocorrer de forma gradual
Para os próximos meses, a FGV não espera uma reversão imediata da tendência de queda no indicador de renda suficiente.
Segundo Tobler, o ritmo menos intenso do mercado de trabalho pode limitar uma recuperação. Mesmo assim, a expectativa é de que o percentual permaneça em um patamar considerado positivo, já que a desaceleração deve ocorrer de forma gradual.
A Sondagem de Mercado de Trabalho consulta pessoas em idade para trabalhar em todo o território nacional e acompanha temas como satisfação profissional, risco de perda de renda, proteção social e expectativa para o mercado de trabalho.
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