BRASIL PODE TER SEGUNDO MAIOR SUPERÁVIT COMERCIAL MESMO COM TARIFAS DOS EUA
Exportações bateram recorde no primeiro semestre, impulsionadas pela China, enquanto participação dos Estados Unidos caiu ao menor nível da série histórica
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O Brasil pode encerrar 2026 com o segundo maior superávit da balança comercial já registrado, mesmo diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras somaram US$ 184,8 bilhões, o maior valor para o período na série do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Com isso, o saldo comercial chegou a US$ 42,3 bilhões no primeiro semestre, o segundo melhor resultado para os seis primeiros meses de um ano.
Além disso, o governo revisou para cima a previsão para o resultado anual. Agora, o Ministério do Desenvolvimento estima um superávit de US$ 90 bilhões, acima dos US$ 72,1 bilhões projetados anteriormente.
Caso a estimativa se confirme, o resultado ficará atrás apenas do recorde registrado em 2023, quando o saldo positivo se aproximou de US$ 99 bilhões.
China impulsiona exportações brasileiras
A China permanece como o principal destino dos produtos brasileiros e tem ajudado a compensar a queda nas vendas para os Estados Unidos.
No primeiro semestre, as exportações para o mercado chinês cresceram 22% em relação ao mesmo período de 2025 e alcançaram US$ 58,3 bilhões.
Dessa forma, a China respondeu por 31,6% de todas as vendas brasileiras ao exterior nos seis primeiros meses do ano.
Os Estados Unidos, por outro lado, compraram US$ 17,4 bilhões em mercadorias brasileiras, uma redução de 13% na comparação anual.
Consequentemente, a participação norte-americana nas exportações do país caiu para 9,4%, o menor nível já registrado na série histórica do ministério.
Petróleo e soja puxam crescimento
Entre os produtos que mais contribuíram para o avanço das vendas à China estão o petróleo e a soja.
Os embarques de óleos brutos de petróleo para o mercado chinês somaram US$ 15,2 bilhões no primeiro semestre. No mesmo período de 2025, o valor havia sido de US$ 9,3 bilhões.
Além disso, as exportações de soja avançaram de US$ 18,9 bilhões para US$ 20,2 bilhões.
Segundo especialistas, o crescimento resulta tanto do aumento da quantidade exportada quanto da valorização das commodities, especialmente em meio às tensões no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, o maior preço internacional do petróleo também levou instituições financeiras a revisar as previsões para o saldo comercial brasileiro.
Vendas avançam para outros mercados
Apesar da importância da China, outros mercados também ampliaram as compras de produtos brasileiros.
Considerando a média móvel dos três meses encerrados em maio, as exportações em volume cresceram 7% para o México e 15% para os demais países da América Latina.
Além disso, os embarques para países asiáticos, sem considerar a China, avançaram 14%.
Em contrapartida, as vendas caíram 16% para os Estados Unidos, 4,5% para a União Europeia e 17% para a Argentina.
Portanto, a diversificação dos destinos ajudou a reduzir parte dos efeitos provocados pelas barreiras comerciais norte-americanas.
Superávit ajuda nas contas externas
O desempenho positivo da balança comercial também contribui para equilibrar as contas externas brasileiras.
O país registra, historicamente, saída de recursos para pagar serviços contratados no exterior, juros, lucros e dividendos enviados por empresas.
Nesse cenário, o saldo positivo entre exportações e importações ajuda a compensar essas despesas.
Além disso, a entrada de dólares gerada pelas exportações pode reduzir pressões sobre o câmbio e ampliar as reservas disponíveis para transações internacionais.
Governo eleva previsão para o ano
O Ministério do Desenvolvimento elevou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões a projeção de superávit em 2026.
O Itaú também revisou sua estimativa, que passou de US$ 75 bilhões para US$ 80 bilhões.
Entre os fatores considerados estão a manutenção das exportações em nível recorde e a previsão de preços mais altos para o petróleo.
Anteriormente, o banco projetava o barril em US$ 65 no encerramento do ano. Agora, entretanto, a estimativa subiu para US$ 80.
Indústria sofre com tarifas dos Estados Unidos
Embora o resultado geral da balança seja positivo, alguns setores industriais ainda calculam os prejuízos causados pelas tarifas norte-americanas.
Aço, alumínio, máquinas, couro, calçados, móveis, produtos têxteis e madeira estão entre os segmentos mais afetados.
As exportações brasileiras de aço aos Estados Unidos, por exemplo, caíram de US$ 3,8 bilhões em 2023 para US$ 2,6 bilhões em 2025.
Além disso, entre janeiro e maio de 2026, o setor exportou US$ 977,7 milhões ao mercado norte-americano.
O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos. No entanto, a maior parte dos produtos enviados possui baixo valor agregado e está mais exposta às barreiras tarifárias.
Setores buscam novos compradores
Diante das dificuldades no mercado norte-americano, empresas brasileiras passaram a ampliar as vendas para outros destinos.
No setor de máquinas e equipamentos, houve crescimento das exportações para Argentina, Singapura, Peru e Chile.
Da mesma forma, a indústria do couro registrou aumento dos embarques para Coreia do Sul, Espanha e México.
Já os fabricantes de calçados avançaram em países da América Latina, enquanto o setor moveleiro ampliou a presença em mercados como Uruguai, Argentina, Peru, Paraguai e Colômbia.
Contudo, as entidades empresariais destacam que os Estados Unidos não podem ser substituídos imediatamente. Afinal, muitos produtos são fabricados especificamente para atender às exigências dos consumidores norte-americanos.
Nova tarifa pode ampliar impacto
Os Estados Unidos analisam a possibilidade de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A medida está relacionada a uma investigação conduzida pela Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Entre os temas investigados estão as regras brasileiras para o etanol, os meios de pagamento, como o Pix, a proteção da propriedade intelectual e o combate ao desmatamento ilegal.
Além disso, os Estados Unidos avaliam outra tarifa de 12,5%, relacionada a acusações envolvendo trabalho forçado.
Enquanto o governo brasileiro acompanha a decisão, entidades dos setores de aço, móveis, calçados, couro, madeira e produtos têxteis negociam possíveis isenções e ampliam a busca por mercados na América Latina, na Europa, na Ásia e no Oriente Médio.
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